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Coluna – As Varias Poesias da Poesia

A Poesia, dizem os conceitos é uma das sete artes tradicionais. Retratando tudo aquilo que se manifesta dentro da inspiração do autor, com o direito de liberdade para que o leitor também construa seu enredo. Já disseram muito, escreveram e reescreveram, mas ainda não conseguiram tirar a poesia da cabeça, mesmo depois que se declama, uma copia permanece sendo lembrada, para novamente ser declamada. Mas como? Se ela também está pintada de preto, azul, vermelho, verde e tantas outras cores em diferentes papéis, muros de casas, igrejas e cemitérios e até na lataria do carro velho que pede para ser levado. Poesia talvez seja a arte de escrever em verso. Ou a própria inspiração do Homem, despertando o sentimento do belo. Mas o que pode significar o belo, se às vezes o poeta escroto mergulha nos seus próprios vômitos para cantar em versos os seus delírios, estes que se soltam pelos ares como gazes periculosos, ou se esparramam pelo chão feito animais peçonhentos que infestam as entranhas insalubres e atacam impiedosamente e matam. Mas não sem  antes torturar  com laminas infectadas de dores imensuráveis. Acusam a Poesia de ser anterior à escrita, com a singela cuneiformidade das coisas,  de sustentar os disparates de uma imensidão habitada por seres  que namoravam a lua com o querer de platonismo, mas creio que ela não se sinta menos poética, já que suas construções nunca pediram paredes fechadas, tampouco portas e janelas para se trancar em um período qualquer.  As palavras se juntavam no frio e o eco dos gemidos se fazia aproximar, ainda que a sensibilidade corporal não se manifestasse em desejo, o interior abrasava e pedia que algo fosse dito dos lábios para fora. Os homens primitivos como queiram alcunhar, tinham o vento rodopiando as folhas, para declamar seus versos já que os ouvidos se atentavam para tudo que se movia. E disse Drummond “o silêncio eterno destes espaços infinitos me assusta”, O poeta Itabirano do mundo sabia das imagens contidas na pinhole do tempo e a poesia se aprisionou, para libertar-se onisciente em outro canto ou outro conto.

“A poesia compreende aspectos metafísicos e da  possibilidade de esses elementos transcenderem ao mundo fático” (Wikipedia).

Assim o matuto de Assaré que lhe nomeou de Passarinho, falou das dores do sertão e a triste partida do homem desiludido pela falta de chuva e pela falta de condições de se viver na sua terra querida. Patativa do Assaré não se atreveu a bulir com a poesia quando sua inspiração era fustigada nas manhãs, foi à própria Poesia que com sede de sangue, sem se importar com a poeira da estrada que vasava os poros do peão, invadira seus sentidos tomando-o para sempre, entre uma e outra rima.  Patativa dizia-se poeta das coisas do sertão, mas que também bulinava nas eruditas com sua poesia interior. A Poesia moderna, também se veste com extravagancia e usa brincos dependurados nas orelhas, percings nos genitais e estampa fotos nas telas do computador, rima com ruas e passa nas praças com os loucos e poetas sem o que fazer, na hora em que folgam de fazer poesia.

 A poesia  acorda no meio da noite, sentido as horas com açoite, que ruma para o dia…

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso
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