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América – Indignação na Colômbia com morte de 33 crianças em ônibus pirata

As autoridades forenses elevaram para 33 o número de crianças mortas no incêndio de um ônibus na Colômbia; e o ministério Público anunciou nessa segunda-feira (19) que acusará duas pessoas formalmente pela tragédia.

O boletim anterior registrava 32 corpos de menores carbonizados, com idades entre três e 12 anos, mas esse número foi atualizado pelo diretor do Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses, Carlos Valdés.

“Até este momento, que o Instituto tenha conhecimento, são 33 crianças mortas”, declarou em uma entrevista coletiva.

Pessoas colocam flores para 33 crianças mortas num incêndio de ônibus
Pessoas colocam flores para 33 crianças mortas num incêndio de ônibus

O organismo forense anunciou que deverá submeter os corpos a testes de DNA, devido a seu “estado de carbonização”. Segundo Valdés, os familiares receberão caixões simbólicos para que possam realizar uma “cerimônia coletiva” e, conforme avance a identificação, terão os restos de seus filhos.

“Fizemos 14 necropsias”, acrescentou o diretor.

As equipes de emergência retiraram os corpos carbonizados dos destroços e os enviaram para o Instituto Médico Legal de Barranquilla, capital regional. De acordo com a prefeita de Fundación, Luz Stella Durán, o processo de identificação dos corpos deve levar dias. A prefeita também anunciou luto oficial de três dias.

No domingo, as crianças voltavam de uma missa, quando o ônibus escolar, no qual viajavam, pegou fogo em uma estrada da localidade de Fundación, no departamento de Magdalena, norte da Colômbia.

Cerca de 20 menores foram levados para hospitais, e três deles se encontram em estado grave. Os feridos sofreram queimaduras de segundo e terceiro graus, informou o diretor local da Cruz Vermelha, Cesar Ureña.

Ao todo, o veículo transportava 52 crianças. O serviço havia sido contratado por uma igreja evangélica pentecostal.

A indignação tomou conta dos colombianos nesta segunda depois da confirmação de que o ônibus circulava ilegalmente. Suspeita-se de imprudência por parte do motorista, que se entregou à polícia. Ele não tinha habilitação e transportava um número de passageiros acima do limite permitido para esse tipo de veículo.

IMPRUDÊNCIA DO MOTORISTA – A Justiça formalizou a captura do motorista Jaime Gutiérrez e de Manuel Ibarra, membro da igreja evangélica que contratou o veículo.

“A Procuradoria vai acusá-los de homicídio culposo agravado”, anunciou o procurador Luis González.

A ministra colombiana dos Transportes, Cecilia Álvarez, disse à rádio RCN que as investigações apontam que o ônibus não era licenciado desde 2012 para prestar qualquer tipo de serviço. Também não tinha seguro.

Além disso, afirmou que as primeiras hipóteses consolidam a “imprudência do motorista”, que teria manipulado um recipiente com gasolina contrabandeada para o veículo. As autoridades estão empenhadas em chegar “às últimas consequências das investigações”, acrescentou.

De acordo com uma sobrevivente, o motorista “desceu do ônibus para colocar gasolina e todas as crianças estavam lá dentro. De repente, o ônibus começou a soltar faíscas. Neste momento, o motorista desceu correndo para buscar água e foi embora”.

“Eu quebrei o vidro da janela e tirei minha irmã, mas não consegui salvar meus outros dois irmãos”, completou a menina de 11 anos.

A polícia informou que o motorista se entregou depois de ver as notícias de que era procurado pela polícia.

INDIGNAÇÃO – “Estou comovido, e todo o país está de luto pela morte das crianças nessa tragédia. Sempre lembraremos dessas crianças”, disse o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que viajou até Fundación, após o encerramento da campanha para eleição do próximo domingo.

Santos anunciou que o governo assumirá todos os custos de atendimento dos feridos e dos funerais.

A prefeitura enviou quatro psicólogos e dois voluntários especialistas em apoio psicossocial para atender os parentes das vítimas e os feridos.

A indignação com a tragédia estava nas redes sociais, com os termos “Fundación” e “Magdalena” entre os principais tópicos do Twitter.

“O ônibus incendiado em Fundación Magdalena não tinha SOAT (seguro obrigatório). Novamente a vida de meninos e meninas é desperdiçada, o Estado não cumpre seu dever”, escreveu o usuário @ALCISERRATO.

Já a internauta @manialolita afirmou: “Terrível balanço da tragédia em Fundacíon: registros vencidos, não tinha autorização. Outra tragédia anunciada”.

O acidente também teve repercussão na campanha para a eleição presidencial de domingo. Em entrevista à Caracol Radio, a candidata esquerdista Clara Rojas declarou que “a tragédia em Fundacíon mostra o atraso que tem o país”.

“Não é só irresponsabilidade do motorista, mas também falta de presença e rigor das autoridades”, denunciou.

Fonte: AFP

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