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Coluna – Ilusões nós vivemos nos anos 60

Quem viveu os anos 60, em Montes Claros vai se recordar, houve um tempo em que o ponto principal da cidade era a lanchonete “A Cubana”, na esquina das ruas Dr. Santos e Dom Pedro II. Era chique ir lá pra beber cuba libre, mistura de Coca Cola com rum, gelo e uma rodela de limão.

Naquela ocasião, os carros desciam a rua Dr. Santos. Em frente “A Cubana” ficava a casa do futuro artista plástico Ray Colares e a família dele, vindos de Grão Mogol. A casa de Ray ficava ao lado do cine Fátima, o melhor de Montes Claros.

E foi nesse período de nossas vidas que assistimos ao maravilhoso “2001, Uma Odisseia no Espaço” fita norte-americana dirigida e produzida por Stanley Kubrick; co-escrita por Kubrick e Arthur C. Clarke.

Recordo-me como se fosse hoje, 2001 era um ano tão longínquo. Fazíamos as contas de quantos anos teríamos quando chegassem 2001 e pensávamos que “a vida seria uma loucura”.

Trocávamos ideias com os companheiros daquela época, Cícero Stru, Cícero Cuecão, Ronaldo (Roxxin) e Roberto Lima, Daniel Ribeiro, Fernando Veloso, entre outros sobre a possibilidade de o meio de transporte vir a ser feito em naves, como em naves, dizem, se viajava em Atlântida, o continente perdido.

O Brasil vivia anos de ditadura militar e não convinha falar determinadas coisas, principalmente contra o governo porque a impressão era a de que as paredes e os meios-fios tinham ouvidos. Sentávamos em meios-fios naquela época, pra prosear até altas horas.

Foi uma época em que a juventude de então buscava conhecimentos em livros. Televisão era apenas uma notícia vinda de fora e prometida para breve. O rádio mantinha a acessibilidade em matéria de veículo de informação e os jornais impressos eram vistos e lidos como meios importantes, principalmente o Jornal do Brasil.

As notícias publicadas geravam consequências, naquela época, diferentemente de hoje, quando os fatos se atropelam e os bandidos envolvidos viram celebridades.

O cine Fátima exibia os melhores filmes, inclusive os épicos, como Bem-Hur, e os melhores faroestes com Kirk Douglas, Burt Lancaster, Marlon Brando.

Foi lá que assistimos ao belo filme estadunidense “Amor Sublime Amor”, com Richard Beymer, Natalie Wood, sobre as brigas de gangs em Nova Iorque, tratando da questão da juventude transviada incentivada pelo ator James Dean, morto num acidente de carro em 1955.

Havia sessões de cinema aos domingos em vários horários: às 10h, 14h, 16, 19h e 21h. E como a diversão era essa, e também pretexto para namorar no escurinho, podia-se assistir a um filme e logo depois outro.

Sabíamos os nomes de todos os componentes dos elencos de filmes e acreditávamos na possibilidade de os carros ganharem asas e, enfim, saírem do chão.

Foi depois que o Brasil se sagrou tricampeão mundial de futebol que o vazio se apossou de Montes Claros. E só aumentava à medida que víamos os amigos saírem da cidade a fim de estudar ou trabalhar na capital.

Veio a década de 70 e com ela a continuidade da ditadura militar. Tinha-se a sensação de que mais dia menos dia o País retomaria o estado de direito e a democracia venceria.

As décadas se foram passando numa velocidade de fórmula 1 e logo 80 ficou pra trás e 90 passou. Enfim, o tão esperado ano 2000 chegou e com ele, 2001. E a evolução vaticinada lá atrás, na porta de “A Cubana”, lanchonete extinta, não se confirmou.

Os carros foram transformados em ameaças à humanidade. Continuam engolindo asfalto. Não ganharam asas. A não ser recentemente, quando a mídia publicou um protótipo com asas que tanto pode rodar no asfalto como viajar pelo alto, que nem avião.

Um perigo sem tamanho. Se aqui embaixo já é complicado, já imaginaram os carros voando? Saia de baixo. De repente pode vir acontecer uma chuva de parafusos, porcas e engrenagens.

As trombadas frequentes inviabilizariam essa nova modalidade, mais de cem anos depois da fabricação do primeiro automóvel no mundo.

A realidade dos anos se mostrou cruel, principalmente com Montes Claros. A cidade desembestou e se transformou numa metrópole, com todos os problemas inerentes ao crescimento.

No ranking da violência no Estado, Montes Claros está entre os primeiros lugares. Os crimes acontecem de dia e de noite. O medo toma conta dos montesclarinos e as autoridades pagas com dinheiro público para oferecer segurança à população se mostram ineficientes, reféns também.

Coluna - Ilusões nós vivemos nos anos 60
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