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Educação – Leitura no papel ou na tela: a diferença está em quem lê

A leitura de textos em papel ou nas telas dos dispositivos eletrônicos têm suas diferenças, mas o leitor tem a mesma capacidade de absorver o texto em qualquer uma das plataformas. As telas fazem cada vez mais parte do cotidiano e a possibilidade de transpor a leitura para esses suportes facilita a tarefa de quem busca informação ou aprendizado. Mas o mais importante é a experiência de quem está lendo.

Educação - Leitura no papel ou na tela: a diferença está em quem lê
Educação – Leitura no papel ou na tela: a diferença está em quem lê

São modalidades de leitura diferentes, segundo a professora do departamento de educação da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) Raquel Lazzari Leite Barbosa. A leitura no papel é uma leitura solitária, que acontece geralmente de forma contínua, sem interrupções, e o leitor se envolve mais com o texto porque, normalmente, mantém os olhos na leitura. Na tela, contudo, a atenção é mais pulverizada e dispersa, por causa dos links e da quantidade de informações que costumam ficar no entorno. Para Raquel, por mais que o leitor se concentre, o entorno proporciona excesso de informação. No entanto, não é possível afirmar se a leitura no papel é melhor do que na tela. Tampouco é possível determinar se existe um suporte mais adequado para cada tipo de leitura, porque são as singularidades de cada leitor que vão definir a qual modo ele se adapta melhor.

As diferenças entre a leitura em papel e a leitura diretamente na tela estão relacionadas com as características de quem lê, de acordo com a professora da área de linguística da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) Rejane Dania. Fatores como a idade, experiência em leitura e o grau de contato com a tecnologia que cada leitor apresenta é que vão apontar se ele terá dificuldades em apreender os significados em qualquer um dos formatos.

Para textos em suportes diferentes, a demanda cognitiva exigida do leitor também é diferente. Segundo Rejane, para a leitura de um texto em português é preciso ler da esquerda para a direita e de cima para baixo, e isso acontece da mesma maneira no papel e na tela. A diferença é que no computador, o leitor pode sair daquela tela e ir para uma infinidade de outras telas, que estão relacionadas com a leitura original através de links. Essa é uma característica do próprio suporte, que aumenta a capacidade do leitor de se distrair e de perder o foco, entrando em um “emaranhado de links” que o fazem esquecer-se do texto que começou a ler, segundo a professora.

onseguir concluir a leitura até o fim ou partir para outros textos relacionados depende da capacidade de concentração e dos objetivos de quem lê. Para Rejane, também não podemos generalizar o leitor, porque a capacidade de leitura depende de uma série de variáveis, dentre elas a experiência de leitura, a diversidade de gêneros textuais que conhece e até a quantidade de suportes com os quais está familiarizado.

Crianças que desde muito cedo têm vivências no mundo digital se apresentam mais curiosas e isso faz com que elas consigam ter um bom desempenho de leitura tanto no papel quanto na leitura em tela. Na alfabetização escolar, a aprendizagem da leitura se dá também através do quadro negro ou lousa na sala de aula, além da escrita e leitura em papel. Segundo Rejane, esses sistemas coexistem e não se pode dizer que um é melhor que o outro, porque a capacidade de absorção está intimamente ligada à experiência prévia do leitor. “O processamento da leitura é o mesmo, independente do suporte, mas a capacidade de absorção depende do objetivo da leitura, pois podemos ler um texto em papel de forma desatenta e superficial tanto quanto podemos nos concentrar na leitura na tela”, diz.

Métodos de leitura rápida são considerados duvidosos
De acordo com Rejane, métodos e tecnologias que prometem acelerar o tempo de leitura de textos são uma falácia, por apenas privilegiarem determinadas palavras dentro de frases. A rapidez de leitura funciona, por exemplo, no caixa eletrônico, onde precisamos reconhecer rapidamente as funções oferecidas, mas não para textos em que precisamos interpretar o significado, diz.

Aplicativos, mecanismos de leitura dinâmica e propostas de simplificação de obras clássicas da literatura são uma tentativa de infantilização do leitor, segundo Raquel. A leitura dinâmica ou instrumental permite ao leitor apenas a decifração – a associação do grafema com o fonema -, mas não permite que ele entenda o significado do que está lendo. Esse tipo de leitura não contempla a compreensão do sentido do texto, porque o leitor é direcionado a prestar atenção nas palavras que são destacadas por outro leitor ou por um software, perdendo a capacidade de reflexão sobre o texto, que o permitiria a compreensão efetiva sobre o que leu.

Agência Cartola

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