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Coluna – O Mistério da Carlos Gomes

    Espera! Para aí, para! Encosta o carro! Que foi Aleida? Esta se sentido mal? Para Valéria! Não estou brincando, pare agora, por favor! Está ficando louca?  Como é que eu vou parar o carro nesta altura da Carlos Gomes com o sinal aberto e um ônibus apressado aqui atrás! Para o carro droga! Para senão abro a porta e me jogo! Valéria desarticulada engolida pelo surto inesperado da amiga e lendo naquela face que não era brincadeira suas ameaças, apertara  a buzina virando a esquerda sem ligar a seta. Um motoqueiro quase fora  apanhado de surpresa quando também fazia a conversão, em troca esbravejara   palavras obscenas que chamaram a atenção de pedestres e outros condutores. Parado por alguns instantes para se recuperar do susto, abriu uma caixa  na parte traseira da moto onde se lia “entregas rápidas” verificando que estava em ordem, antes de sair aproximou-se do carro com o punho fechado, mas desistira ao notar que era  observado por varias pessoas, Um senhor claro de barriga avantajada e óculos de graus na ponta do nariz, saiu do interior de um Chaveiro, poucos metros à frente, puxando a calça que lhe denunciava um short vermelho abaixo, olhando em direção ao motoqueiro que já havia desaparecido. Na esquina uma loja de roupas fazia promoções e um palhaço cantava musicas chamando os transeuntes que passavam a porta, duas vendedoras com minissaias e decotes nas blusas sorriam sem fechar os lábios, tentando aumentar a simpatia para a venda. O homem que andava lerdo com as mãos na calça para não cair, fora chamado de volta ao chaveiro, mas fizera um sinal de que depois resolveria o problema, dando mais alguns passos rumo ao carro mal estacionado por Valéria, para olhar a placa como se fosse autoridade policial. Após a leitura labial dos números, passara  o dedo indicador na lataria do carro esfregando  junto ao polegar, como se buscasse desvendar a origem da poeira, porém não descobrira nada. Lembrou-se de que a calça corria risco de descer ainda mais e puxou-a novamente, desta vez as dobras da barriga já estavam cobrindo a virilha. Dentro do veiculo, Valéria fitava Aleida silenciosamente  cobrando explicação, o que não acontecia, pois a moça  girava a cabeça por todos os ângulos  em busca de algo que parecia não estar por perto. Mergulhava dentro dos retrovisores de todos os cantos, mas não saciava aquela sede. De repente baixou a cabeça sobre o painel e começou a massageá-la com as pontas dos dedos como se tira sujeira dos cabelos, Valéria mergulhada nas mimicas misteriosas da companheira não se dera conta de que o senhor das calças caindo, ao não obter êxito com sua investigação encostara-se à porta da loja de roupas para observar o palhaço que cantava e dançava como se estivesse sozinho dentro do seu quarto. Valéria por alguns minutos fechara-se no seu interior com a mão na boca mordendo a junta do polegar, outros curiosos que andavam a procura de coisas ruins a exemplo do fazedor de chaves, foram cuidar das suas vidas. Valéria sem chegar à conclusão alguma, puxou  da bolsa sobre o banco de trás um maço de cigarros e retirou uma unidade,  acendendo com ânsia de vicio, sem perceber que uma senhora de boné vermelho e avental amarelo encostara-se à janela para oferecer títulos de capitalização, soprara uma nuvem de fumaça no seu rosto, sem ter tempo para pedir desculpas já que a mulher enervada saiu pisando forte e disparando ofensas verbais. Aleida continuava com a cabeça baixa no painel e as duas mãos massageando os cabelos, concluindo que já era tempo para justificar aquele ato, Valéria segurou o braço dela e disse com voz espacejada:  – Pronto Aleida, Já tenho o direito de ouvir alguma explicação? O carro já está parado! A moça iniciara uma espécie de tremulação, balançando a cabeça em sinal de negatividade, enquanto as mãos aumentaram freneticamente aqueles movimentos no couro cabeludo. Assim durante longos trinta minutos até se trancar definitivamente naquela tarde de quarta feira de outono.

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso
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