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Coluna – Por que o sino da Matriz não acordou Grão Mogol?

O sino eletrônico da Igreja Matriz de Santo Antônio não soou às 6h da manhã desta terça-feira, em Grão Mogol, como de costume há cerca de três anos. Muita gente se perguntou o porquê de o sino eletrônico não ter soado e o eco multiplicado pelas dobras da Serra do Espinhaço, como acontece desde quando o pároco da igreja era o padre Geraldo Magela.
Houve quem se atrasou em compromisso porque se orientava pelo relógio da igreja e hoje o sino eletrônico não soou hora nenhuma, caso de Sílvia Batista, que, acostumada acordar às 6h, dormiu duas horas mais.
Guilherme Meira Paulino, historiador responsável pela Casa de Cultura de Grão Mogol, não perdeu a hora, mas percebeu que o sino não soou. Pensou: “Alguma coisa aconteceu”.
O mesmo se deu com Lúcio Bemquerer, construtor do Presépio Natural Mãos de Deus. Ele estranhou o fato de o sino não ter tocado e lembrou de ter feito um comentário à esposa, Wilma Nunes. Ao contrário deles, Juliana Frões, secretária de Governo da Prefeitura de Grão Mogol nada percebeu de tão acostumada com o badalar metálico do sino.
Nem mesmo o pároco atual Aílton Lopes soube explicar direito o que acontecera ao sino eletrônico que marca as horas. Quase toda a cidade ouve. O som metálico tira da cama o grãomogolense logo cedo.
Não se fez nenhuma pesquisa na cidade para apurar se há mais ou se há menos pessoas que gostam de ouvir as badaladas do sino. Diferente do que acontece na Europa, em Grão Mogol o sino badala a última vez ao dia às 7h da noite.
Segundo o padre Aílton, “estão resolvendo um problema na instalação de uma lâmpada, no altar, e pode ser que tenham desligado o relógio”. O padre ficou de apurar o que realmente aconteceu buscando informação com o zelador da igreja chamado Carlinhos.
Mas Carlinhos nada sabia. Procurado antes do contato com o padre, o zelador nem se apercebeu da mudez do sino. Afirmou categoricamente que o sino havia marcado as horas como todo dia.
Faltava um minuto para as 9h, dentro da Matriz, e no minuto seguinte, como o sino não acionou eletronicamente, o zelador se convenceu de que algo inexplicável acontecera.
Embora ainda recente, o toque do sino eletrônico calhou bem para Grão Mogol, que possui aspectos semelhantes aos de determinadas cidades europeias onde há o costume de fazer soar o sino a cada hora e em alguns pueblos à noite e madrugada inteiras.
Grão Mogol possui casas feitas de pedras como há em cidades europeias casas, igrejas e castelos de pedras. Além disso, possui um microclima que lhe dá predominância de ares temperados, diferentemente do restante da região do Norte de Minas e do Vale do Jequitinhonha.
Carinhosamente chamada de Cidade Diamante, Grão Mogol possui, se muito 6 mil habitantes no perímetro urbano. É um lugar sossegado, que precisa ocupar com a manutenção dos costumes locais a fim de evitar a entrada do que há de pior nas grandes cidades: o barulho, a falta de civilidade e de educação.
Se por uma infelicidade isso acontecer, Grão Mogol será em médio prazo uma pequena cidade cheia dos graves problemas das metrópoles. Com ou sem o badalar do sino eletrônico da Matriz de Santo Antônio.
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