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Montes Claros – Violação do templo: Ato de Desagravo reabre Matriz

“Uma agressão não só a imagens [sacras], mas também de um ser humano contra outro, à nossa própria fé em Deus.” Assim o Arcebispo de Montes Claros, Dom José Alberto Moura, iniciou os ritos penitenciais da Missa que marcou o Ato de Desagravo pela violação do templo da Matriz de Nossa Senhora da Conceição e São José. Era por volta das 18h30min. Os fiéis, porém, concentraram-se na Praça Portugal, em frente à igreja do Rosário, centro, um pouco mais cedo, quando o pároco, Padre Dorival Souza Barreto Júnior, ao lado de Padre Antônio Galvão de Campos Arruda Filho, superior do Priorado Nossa Senhora Aparecida e São Norberto, e do Diácono Permanente Edmar Araújo, conduziu o Terço. Dom José Alberto disse que a procissão prestes a começar significava sobretudo “um ato processional com os santos e santas, para caminharmos mais perto de Jesus e espalhar amor, vida e sentido a todas as criaturas”. As cerca de 500 pessoas presentes seguiram a pé até a primeira igreja de Montes Claros, na Praça Doutor Chaves, que permanecia fechada desde o último dia 10 de junho, por causa de um jovem de 18 anos que, após invadir o local, praticamente destruiu sete imagens históricas ali entronizadas, para a continuidade da Missa.

Momentos durante a Missa, que iniciou na Praça Portugal e seguiu rumo à Matriz de Montes Claros.
Momentos durante a Missa, que iniciou na Praça Portugal e seguiu rumo à Matriz de Montes Claros.

Na homilia, o líder religioso falou da necessidade do perdão e explicou o que a imagem representa para o católico. “Estamos aqui, hoje, para agradecer a Deus e pedir a Ele que perdoe esse ato [de destruição das imagens]”, até porque o uso de imagens “faz parte de nossa cultura há muito tempo”. Dom José Alberto lamentou, entretanto, que tal atitude às vezes seja mal compreendida por parte daqueles que não compartilham da mesma fé. “Muitos nos taxam de adoradores de imagens (…), mas o que Deus, no Velho Testamento, condenava eram os ídolos, que costumavam ser colocados no lugar de Deus. Deus, então, condenava todo tipo de culto que não se dirigisse a Ele”, enfatizou para lembrar, porém, que o próprio Deus, no livro do Êxodo, orientara o povo “a fazer uma serpente de bronze, com capacidade de curar todos os que fossem picados”; e a ornar a Arca da Aliança com a imagem de dois querubins (anjos), ambos no Livro do Êxodo. “Ninguém adora imagens, portanto. Trata-se apenas de sinais e não de ídolos, apenas para lembrar o exemplo de gente santa”, emendou ao citar a vela como outro exemplo. “Entramos na igreja escura, com velas acesas, indicativas de uma fé viva (…). Queremos com esse Ato de Desagravo dizer, então, que preservamos nossa fé, da qual as imagens fazem parte”, concluiu, na esperança de que cristãos e não cristãos possam se unir em prol de uma sociedade mais justa e fraterna.

VIOLAÇÃO – Padre Dorival Barreto, de 50 anos, salienta que, embora o Santíssimo Sacramento (Hóstia Consagrada), não tenha sido tocado, ocorreu a violação do templo porque as imagens danificadas ou totalmente destruídas – cuja viabilidade de restauração está sendo estudada – possuíam valor sentimental para os paroquianos. A Celebração Eucarística revestiu-se de simbolismo. Primeiro, Dom José Alberto Moura, de 70 anos, aspergiu água benta nas paredes do templo, sobre o altar e nos fiéis presentes; depois a mesa do altar, que estava sem qualquer ornamento, recebeu uma toalha branca e arranjos de flores ao redor.

Por Valeria Borborema

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