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Montes Claros – Obra para a duplicação do abastecimento de água de Montes Claros esta paralisada há dois meses

Onde deveriam estar quase cem trabalhadores, um vigia sentado espera o tempo passar. A obra para a duplicação do abastecimento de água de Montes Claros deveria estar a pleno vapor, mas foi paralisada há dois meses. A empresa Infracon diz que, depois de quatro meses sem receber um centavo, decidiu parar. A Copasa, que fez a licitação, reconhece o problema, mas repassa a responsabilidade para a União, que tem que disponibilizar os R$ 90 milhões necessários para o projeto.

Alheios ao jogo de empurra entre os governos federal e estadual, os 450 mil moradores da cidade do Norte de Minas – incluindo os seus distritos –, que, pela primeira vez em 15 anos, poderiam passar o período de estiagem sem cortes no fornecimento de água, lamentam ter que esperar mais um ano para a solução do problema histórico.

O vice-presidente da Copasa, Antônio Ivan Vieira de Freitas, explica que a Caixa Econômica Federal (CEF) autorizou a licitação no valor de R$ 90 milhões, baseada numa estimativa de valores fornecida pela Copasa em fevereiro de 2013. No entanto, em outubro, quando o certame de fato foi publicado, a Copasa fez com uma revisão de cerca de R$ 400 mil para mais, baseada em uma planilha de custos e materiais de julho. “Para adequar-se aos valores do mercado. Esse é um procedimento natural e padrão”, afirma Freitas.

A Copasa, que fez a licitação, reconhece o problema, mas repassa a responsabilidade para a União, que tem que disponibilizar os R$ 90 milhões necessários para o projeto.
A Copasa, que fez a licitação, reconhece o problema, mas repassa a responsabilidade para a União, que tem que disponibilizar os R$ 90 milhões necessários para o projeto.

Segundo ele, a Caixa não aceitou o novo montante e, por isso, não disponibilizou o recurso. “Depois de muitos documentos enviados, a empresa aceitou fazer um aditivo com um valor inferior aos mesmos R$ 400 mil. A Caixa foi extremamente minuciosa”, disse.

Segundo ele, o último documento exigido com a revisão foi entregue à União nessa segunda, e a verba deve ser liberada na próxima semana.

A assessoria do ministério confirma o atraso. O órgão diz que não recebeu os papéis e que, se isso ocorrer até o dia 30 (os papéis forem entregues), o material será analisado até 30 de julho.

Um funcionário da empresa diz que os trabalhos começaram em janeiro e que o primeiro repasse deveria ter ocorrido em fevereiro. “Em abril desmobilizamos a obra”, diz o funcionário, que pediu anonimato. “Não há previsão para retornar ao trabalho. O prejuízo chegou a R$ 1,5 milhão”, afirmou.

Abastecimento. A obra irá duplicar a vazão de água, saltando de 550 para 1.100 litros por segundo. O sistema que hoje abastece 450 mil pessoas passaria a atender 1 milhão de moradores.

O prefeito da cidade, Ruy Muniz, critica o atraso e diz que a cidade cresce 10% ao ano. “A Copasa não acompanha o crescimento.” Segundo ele, o serviço prestado hoje pela empresa é “sem transparência e qualidade” e a prefeitura estuda rescindir o contrato com a Copasa.

Por Tâmara Teixeira

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