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Coluna – Disparou o segundo alerta

Permanece vivo na memória o dia em que Fialho Pacheco, à época trabalhando como repórter do jornal Estado de Minas, onde faturou cinco edições do “Prêmio Esso”, disse numa das suas idas a Montes Claros, pra onde ia de Rural Willys: “A cidade vai explodir”.

Isso foi em meados da década de 60 e estávamos na porta do O Jornal de Montes Claros, quando ainda funcionava na Rua Dr. Santos 103, numa casa velha de propriedade do empresário Luís de Paula Ferreira.

Fialho espichou o olhar até os arvoredos da Praça Dr. Carlos, observou as bicicletas em meio aos veículos, levou em conta o vaivém de gente descendo e subindo a rua Dr. Santos para chegar à conclusão de que a cidade explodiria em médio prazo. Quem a essa altura do campeonato do crescimento da metrópole discorda da perspicácia dele?

Montes Claros de então oferecia qualidade de vida. Mas os olhos de Fialho enxergaram além e o levaram a pronunciar o vaticínio. Com isso, ele quis dizer que a acidade cresceria, como cresceu, o trânsito de veículos ia aumentar, como aumentou; e as ruas estreitas não suportariam o volume de veículos, como de fato não suportam. Os congestionamentos são frequentes, como acontece em todas as capitais e cidades grandes do País, por excesso de veículos em circulação.

No caso específico de Montes Claros, o que fazer? Não é necessário ser urbanista para compreender que da maneira como a cidade se vai expandindo, próximo está o momento em que as pessoas ficarão paradas dentro dos carros, presas horas em meio aos congestionamentos. Em primeiro lugar, isso acontecerá e já está acontecendo porque é inadmissível um veículo de uma tonelada de peso transportar apenas 70/80 quilos.

Em outras palavras, não dá pra entender essa nossa mania de carro. Se for feita uma pesquisa, se vai verificar que em 100 carros envolvidos no trânsito a grande maioria leva apenas uma pessoa. Alguma coisa precisa ser feita antes que o caos se instale de vez na cidade, que, simplesmente cumpre a sua vocação de cidade polo, desde os primórdios dos tempos.

O que ainda não aconteceu é o surgimento de um administrador visionário que possa influir nos rumos da cidade. Se alguma coisa tivesse sido feita naquela época, quando Fialho vislumbrou o caos, que não ocorre só em Montes Claros, seria outro hoje o panorama montesclarino.

Mas é preciso dizer, alguma coisa foi realizada naquela época e seria a solução para tornar a cidade mais arejada: um Plano Diretor foi elaborado. E a ideia partiu do então prefeito Antônio Lafetá Rebello, o Toninho Rebello, considerado um dos melhores prefeitos que a cidade já teve. Ele só cometeu um erro, derrubou o antigo mercado da Praça Dr. Carlos, um casarão que, se em pé estivesse, seria uma relíquia cultural e turística.

Pelo que circulou anos depois, Toninho Rebello não conseguiu avançar no Plano Diretor “por questões econômicas e políticas”. Alargar as ruas de Montes Claros só para satisfazer as exigências de trânsito de veículos é inconcebível, seria priorizar a máquina em detrimento da gente humana.

Hoje em dia, a concepção de desenvolvimento urbano mudou, pelo menos em minha opinião. A medida do desenvolvimento não passa mais pela avaliação quantitativa do trânsito de veículos ou pelo número de chaminés cuspindo fumaça poluidora nos céus. A sociedade brasileira já não aceita mais esse tipo de “desenvolvimento”.

Os administradores das cidades devem antes de qualquer coisa se ocupar com o bem-estar das populações. Tornar as urbes agradáveis o bastante para as famílias viverem em paz e em segurança, harmoniosamente.

Os maus exemplos estão aí para serem vistos: as grandes cidades se tornaram territórios inóspitos. As pessoas estão com medo. Há, inclusive, uma neura maior do que a realidade dos perigos atuais, o que faz aumentar o medo. Todos são suspeitos até prova em contrário. As cidades cresceram para cima e sofrem com todo tipo de poluição. A atmosfera está envenenada.

Em recente pesquisa, a Organização Mundial de Saúde (OMS) comprovou isso. Apurou que as grandes cidades estão com os ares envenenados. A poluição provocada pelo monóxido de carbono e outros gases incide diretamente no aumento dos casos de câncer, principalmente de pulmão.

É necessário sentar em volta duma mesa para rediscutir Montes Claros. Meio século atrás Fialho Pacheco fez o primeiro alerta. O segundo já disparou.

Por Alberto Sena

Alberto Sena
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