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Copa 2014 – Espanha: Crônica de uma passagem ‘fria’ pelo Brasil

A passagem da Espanha pelo Brasil na Copa do Mundo de 2014 foi marcada pelo fracasso da eliminação na fase de grupos, xingamentos e protestos contra Diego Costa e um grupo de jogadores frios, que em poucos momentos deram uma resposta para os fãs que tentaram uma aproximação e demonstraram idolatria. Foi extamente o contrário de outras seleções como Alemanha, Holanda e Inglaterra, por exemplo, que ganharam muitos seguidores na terra sagrada do futebol pelo comportamento e carinho de seus atletas.

Copa 2014 - Espanha: Crônica de uma passagem 'fria' pelo Brasil
Copa 2014 – Espanha: Crônica de uma passagem ‘fria’ pelo Brasil

O primeiro ato da Fúria no Brasil aconteceu no dia 8 de junho. Pouco depois das 20h o avião da delegação pousou na pista do aeroporto internacional Afonso Pena, em Curitiba. Com uma bandeira do país tremulando na cabine dos pilotos, vários torcedores que estavam em um local que era possível ver o trânsito de aviões foram ao delírio. Já a multidão que se encontrava no setor de desembarque não teve qualquer contato ou visão dos espanhóis. Como é de praxe, membros da delegação desceram da aeronave e ainda na pista tomaram um ônibus em direção ao CT do Caju, local de treinos e hospedagem.

Os primeiros dias da Espanha em Curitiba foram de concentração total. O esquema de segurança foi montado para que os jogadores tivessem pouco contato com o que se passava do lado de fora dos portões do CT do Caju. Porém, logo no primeiro treino veio a primeira invasão. Um torcedor fã de Fernando Torres conseguiu passar pelos seguranças e acompanhou a atividade. Não entrou no gramado, não criou maiores transtornos e, por isso, não foi notado pelos jogadores. Nas cercanias do CT, porém, muitos cuiosos queriam ver os ídolos mundiais.

Torcedor pula o muro para acompanhar Fernando Torres (Foto: Rodrigo Cerqueira)

No dia 10, a Fúria realizou seu primeiro e único treino aberto em Curitiba. No mini-estádio do CT do Caju, a atividade deu uma enorme dor de cabeça antes mesmo de começar. O motivo foi a falta de informação concreta para os fãs. Milhares foram até a porta do CT na expectativa de conseguir entrar. No entanto, poucos ingressos haviam sido distribuídos para “convidados”. Uma confusão quase aconteceu, membros da Polícia Militar, da Guarda Municipal e até do exército foram para o local. Com a situação mais tranquila, foi permitida a entrada dos torcedores até a lotação máxima do palco, que recebeu cerca de duas mil pessoas.

Os jogadores foram ovacionados pelo público. Poucos responderam. Um grupo em uma laje próxima ao CT xingou Diego Costa. O primeiro contato dos jogadores com os torcedores aconteceu quando um jovem invadiu o campo, e correu em direção a Piqué. Este deu o seu agasalho para o rapaz. Uma menina também conseguiu o casaco de Diego Costa. Mas até na saída do campo, poucos jogadores sequer acenaram para os fãs.

No mesmo dia, porém mais cedo, Sergio Ramos foi nomeado embaixador da Unicef. O CT recebeu crianças que são atendidas pelos projetos da entidade e meninos da escolinha do Atlético-PR. Além de uma jovem que faz tratamento contra o câncer no hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. Entre perguntas e respostas para os jovens, Sergio Ramos tirou fotos, bateu bola e fez a alegria dos visitantes. Era uma sonho de muitas crianças, mas esse foi o maior contato da Espanha com os fãs, um único jogador em um evento quase institucional.

A partir daí, concentração e isolamento. Em Salvador, onde enfrentou e perdeu por 5 a 1 para a Holanda, nenhum contato com os fãs. Um grupo pequeno aguardou a chegada da delegação ao Catussaba Resort. Do mesmo jeito que o ônibus entrou na rua do hotel, passou pelos fãs e os jogadores sequer foram notados. Ou sequer notaram a presença dos torcedores. Com a goleada para os holandeses, o clima ficou fechado de vez.

Novamente em Curitiba, um ambiente sério e de explicações tomou conta dos jogadores. Nada de torcedores, e sim cobranças internas e pedidos de apoio por parte dos atletas. Os espanhóis ainda tiveram um churrasco oferecido pela Real Federação Espanhola de futebol antes de enfrentarem o Chile. Mas nada de contato com o público ou de mais um treino aberto.

Veio a viagem para o Rio de Janeiro. O clima já era tenso, afinal mais um tropeço significaria uma eliminação surpreendente e seria considerado um enorme vexame para a atual campeã do mundo. Na Cidade Maravilhosa, um contato rápido de Casillas e Reina para fotos no hotel em a seleção ficou. E em um Maracanã tomado por chilenos, a Fúria amarelou. Levou 2 a 0, perdeu seu segundo jogo e foi eliminada na fase de grupos. O ambiente ficou ainda mais pesado quando Xabi Alonso falou que “faltou fome” ao time para vencer.

Em novo retorno para Curitiba, cerca de 30 torcedores foram ao CT do Caju. Alguns para apoiar, outros para provocar. De fato, mais uma passagem da delegação pelos fãs sem qualquer contato. Como já estava fora da competição, com apenas um jogo para cumprir tabela, os espanhóis ficaram mais “livres”. Um passeio em um shopping da cidade teve de ser monitorado por seguranças para que os fãs não chegassem perto de seus ídolos. E o “gran finale” foi uma visita na churrascaria Batel Grill, quando centenas de torcedores se aglomeraram no local pedindo fotos, autógrafos ou apenas um aceno dos craques, e receberam muito pouco em troca.

Sergio Ramos fez sinal de positivo para alguns, Diego Costa, mesmo sendo hostilizado mais uma uma vez, deu um autógrafo em uma camisa. Outros, como Casillas, foram indiferentes até mesmo quando bandeiras da Espanha foram atidadas para que fossem autrografadas. Uma frase de um torcedor chateado simbolizou esse momento:

– São ídolos, compramos camisas, assistimos jogos deles pela televisão. Na única chance que temos de ver eles de perto em casa, nos tratam com indiferença.

Após a partida contra a Austrália, a Espanha embarcou de volta para casa. E assim como chegou no Brasil, colocou os pés no avião da mesma forma: calada, e com um relacionamento frio e sério demais com os torcedores que queriam muito ver seus ídolos em uma Copa do Mundo que ficará na memória de todos.

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