Inicio » Colunistas » Coluna – Assumir responsabilidades não é pecado!

Coluna – Assumir responsabilidades não é pecado!

Recentemente foi contratado para realizar um trabalho junto aos restaurantes de uma determinada cidade do interior, que por sinal, eu não a conhecia.

Ao visitar a primeira empresa, notei que o movimento de clientes era bem pequeno, deixando boa parte do ambiente vazio de pessoas. E ao conversar com o gestor do estabelecimento, ele culpou todo mundo pelo fraco desempenho do seu restaurante. Expressões do tipo: “O povo desta cidade não valoriza as coisas da terra”, “o povo não gosta do que é bom” foram citadas várias vezes. Até mesmo o prefeito foi culpado pelo desempenho ruim da empresa.

Ao terminar a visita, para dar continuidade ao trabalho, precisaria visitar a próxima empresa que ficava a apenas alguns poucos metros de onde eu estava. Para surpresa minha, o restaurante estava lotado e com algumas pessoas esperando o atendimento. Aqui vale um esclarecimento: ambos os estabelecimentos, além de estarem bem próximos, atuavam com o mesmo sistema e até o valor cobrado era o mesmo.

Antes de me apresentar, fiquei observando a dinâmica do lugar e, de imediato um fato me chamou a atenção: a gestora mantinha contato direto e constante com os clientes. Ela procurava saber se o tempero estava no ponto, se o cliente estava satisfeito, se eles tinham sugestões de pratos e de sobremesas e até mesmo, em um ato de total personalização do atendimento, comentando com alguns clientes que estava percebendo a falta deles, procurando saber se era algo relacionado à satisfação deles com o seu estabelecimento.

E então? Já é possível entender por que um faz sucesso e outro não? Pelo atendimento apenas? Não. O bom atendimento é uma consequência de a gestora ter assumido a responsabilidade por fazer o seu cliente se sentir valorizado e transformar o empreendimento em um exemplo de sucesso. Ou seja: ela foi além. E “ir além” é o que se espera das pessoas atualmente, tanto na vida pessoal como na profissional.

A professora Rosabeth Moss Kanter da Harvard Business School, nos EUA, apresenta um exemplo bem interessante que facilita ao entendimento sobre a ampliação (ou o “ir além”) da responsabilidade que estamos discutindo. Ela afirma que o tão comum ato de vender um cafezinho exige muito mais conhecimento do que apenas saber como preparar e servir a tão apreciada bebida. Além disso, é necessário saber: Onde foi cultivado o grão? Em que condições de trabalho, com que pesticidas? O copo é de papel reciclado? Quantas árvores foram derrubadas e quanta água foi usada para fabricá-lo? A tampa de plástico solta toxinas? E fecha bem o suficiente para que a bebida não derrame e queime a pessoa que o consome?

Serão detalhes banais? Não creio, afinal as consequências imediatas ou futuras deverão ser da responsabilidade de quem vende o produto. Legal ou moralmente falando.

E assumindo a responsabilidade, o profissional gera credibilidade e mais chances de sucesso em qualquer tipo de projeto. Aliás, o poeta Augusto Branco já dizia que o sucesso acompanha quem assume a responsabilidade por si próprio, quem faz a própria vida – quem não espera, mas faz acontecer.

Na prática e nos exemplos citados no início desta reflexão, em um deles, vimos alguém que só reclama, que não assume a responsabilidade por si próprio e não obtém sucesso. Os motivos para que isso ocorra podem ser os mais diversos: negação a si mesmo? Não se perceber? Não se reconhecer? Fugir da realidade? Falta de informação técnica? E a relação de possibilidades não acaba aqui.

Entretanto, independentemente do motivo, algo não pode continuar: insistir em um erro.

Se o gestor (do projeto, do negócio ou da própria carreira) percebe que algo não está da maneira que ele gostaria que estivesse acontecendo, o recomendado é que, assuma a responsabilidade sobre a mudança ou sobre as consequências. Se não está conseguindo fazer por conta própria, que procure ajuda de um especialista. Ele, seguramente, poderá ajudar.

É claro que é muito mais fácil culpar o outro pelo próprio insucesso. Mas é importante ter consciência que essa ação não vai ajudar em nada. Para mudar o cenário é necessário agir.

E você? Como tem lidado com as suas responsabilidades? As tem assumido? Pare um pouco e faça uma reflexão sobre o seu comportamento (assuma a responsabilidade sobre isso também). E depois, desfrute dos resultados positivos.

Pense nisso. Aja e seja feliz.

(*) Odilon Medeiros – Consultor em gestão de pessoas, palestrante, professor universitário, mestre em Administração, especialista em Psicologia Organizacional, pós-graduado em Gestão de Equipes, MBA em vendas

Coluna - Assumir responsabilidades não é pecado!
Coluna – Assumir responsabilidades não é pecado!
------------------------------------------------------------------------

Se você é a favor de uma imprensa totalmente livre e imparcial, colabore curtindo a nossa página no Facebook e visitando com frequência o site do Jornal Montes Claros


------------------------------------------------------------------------

------------------------------------------------------------------------

Leia Também

Temer sanciona com veto lei que repassa custos do Fies com bancos para faculdades

Temer sanciona com veto lei que repassa custos do Fies com bancos para faculdades

Compartilhar no WhatsApp* Por: Jornal Montes Claros - 2 de dezembro de 2016. Temer sanciona …


Aviso: nossos editores/colunistas estão expressando suas opiniões sobre o tema proposto, e esperamos que as conversas nos comentários sejam respeituosas e construtivas. O espaço abaixo é destinado para discussões, para debatermos o tema e criticar ideias, não as pessoas por trás delas. Ataques pessoais não serão, de maneira nenhuma, tolerados, e nos damos o direito de excluir qualquer comentário ofensivo, difamatório, calunioso, preconceituoso ou de alguma forma prejudicial a terceiros, assim como textos de caráter promocional e comentários anônimos (sem um nome completo e email válido).