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Coluna – O Rato, O Capeta o Pastor e a Santa e o Touro

Talvez fosse rato, aquele ruído chato que ele ouvia quando apagava as luzes. Poderia ser ouvido sujo como dizia sua mãe, já que não tomava banho corretamente. Mas nada disso convencia o Pastor da Igreja em frente à padaria, para ele o menino precisava ir aos cultos das quartas e ser ungido, aquilo era o capeta que lhe falava em códigos. O pai era sensato e não queria saber de conversa de pastor, o filho poderia estar ouvindo ratos que se aproveitavam do silencio da noite para roer as coisas. E propusera colocar ratoeiras pela casa, a mãe preferia acreditar no pastor e insistia em esquecer a armadilha e levar o menino para o culto. Como a voz do homem prevalecia, montaram-se duas enormes ratoeiras, o filho com insônia esperando os ruídos do rato e a mãe temerosa de que o capeta viesse falar em código, neste dia o marido faltara no trabalho de guarda noturno. Ficaram os três na expectativa, a noite passava lenta e ninguém dormia, até que um grito de ai ecoou na amplitude da casa. O marido tentou pegar o facão que guardava em baixo da cama e foi se levantar no instante, a mulher tremula o segurou dizendo que devia ser o capeta e rezou em voz alta pedindo que se afastasse daquela casa, dizia que a porta da cozinha estava aberta e o cachorro estava amarrado. O homem enfurecido tentava se desvencilhar dela que o agarra quase que sufocando na cama. O menino chorando não tinha reação, pois acreditava ser o próprio capeta como repetia a mãe. A pedido da mãe foi ajudar segurar o pai. Mas o pai vociferava palavrões e dava sopapos na mulher que parecia possuída, se dera tempo de pensar onde aquela mulher conseguira tal força, mas o filho ajudava e os três rolavam sobre a cama que ameaçava se partir a mulher quanto mais segurava o marido pedia ao capeta para correr, passar a porta que estava aberta e saltar o muro, pois o cão estava amarrado, o filho temia aquilo, imaginava o bicho em corpo de gente e cabeça de bode, o tridente na mão andando pela casa em busca da saída, saltando aquele muro e indo para aonde ninguém sabia. Vinha-lhe no pensamento também o pai entrando em luta corporal com o capeta e sendo derrotado, após o embate o bicho de chifres com cara de bode se alimentando dele e apontando para a mãe que os levaria para o inferno. Assim também adquiria mais forças, se enroscava no pai com a mãe cada vez mais alucinada indicando a saída para o capeta, mas o capeta não achava, a casa estava muito escura, batia nas coisas, gritava ai, batia em outras coisas quebrou um vaso ampliando o barulho, o cachorro latia com raiva, dava puxões na corrente e as luzes da casa da vizinha se acenderam, na outra casa fizeram a mesma coisa, e o marido gritava para a mulher que exigia sua liberdade, queria ser solto ou não respondia por si, ela não lhe dava atenção, parecia querer proteger o capeta que tentava destrancar a porta da sala, mesmo ela dizendo que a da cozinha estava aberta, mas o capeta tinha medo do cachorro mesmo ela gritando que estava amarrado, o capeta devia conhecer o cachorro, vinha todos os dias fazer aquele ruído no quarto da mãe, coincidia com os dias em que o pai trabalhava, o capeta tinha medo do pai dele, Pensava o menino, mas não largava o pai que de tão enfurecido lhe mordera no antebraço. Ele gritou um ai medonho e ecoante se apartando do genitor, a mãe já com cãibras no diafragma fora empurrada para o chão. Mesmo caindo gritou para o capeta que o marido estava indo, o barulho da fechadura se destrancando indicara a fuga, todavia naquele momento a policia já havia sido informada do aranzel e se encontrava de prontidão não tendo dificuldades para deter aquela figura ofegante, imediatamente, pai, mãe e filho chegam para comprovar que o capeta era apenas o pastor da igreja em frente à padaria, o menino deu graças com alegria, a mulher com sorriso amarelo não conseguiu dizer nada, enquanto o marido balançando a cabeça ironicamente disse aos policiais que não havia motivos para anotar ocorrências, tudo não passou de um filme em que a santa amarra o cachorro para não pegar o capeta, que se finge de rato para enganar o filho do touro.

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
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