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MG – Integrante do “bando da degola” é condenado a 30 anos de prisão

O garçom Adrian Gabriel Grigorcea foi condenado, nesta segunda-feira (14), a 30 anos de prisão por dois homicídios triplamente qualificados e formação de quadrilha. Grigorcea era integrante do “bando da degola”, grupo acusado de assassinar dois empresários em um apartamento no bairro Sion, região Centro-Sul de Belo Horizonte, em abril de 2010. Grigorcea já estava preso desde o início das investigações e foi absorvido das acusações de extorsão e ocultação de cadáver.
 
Adrian Grigorcea foi condenado a 30 anos de prisão por dois homicídios e formação de quadrilha
Adrian Grigorcea foi condenado a 30 anos de prisão por dois homicídios e formação de quadrilha

O julgamento de Grigorcea teve início às 9h54 desta segunda-feira (14). Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), as onze testemunhas arroladas foram dispensadas e somente o réu foi ouvido.  Cinco mulheres e dois homens formaram o conselho de sentença e decidiram pela culpa do réu no crime. O Ministério Público foi representado pelo promotor Francisco de Assis Santiago e o réu foi defendido pelo advogado Hudson de Oliveira Cambraia

 
Até o momento, três acusados do grupo, que ficou conhecido como bando da degola, já foram condenados. Outras quatro pessoas serão julgadas até o fim do ano.
 
O júri popular do ex-policial militar André Bartolomeu, que também seria julgado nesta segunda, foi adiado. Conforme o juiz Glauco Eduardo Soares Fernandes, que preside a sessão no Fórum Lafayette, o réu deve permanecer preso até a data do julgamento, marcado para 29 de janeiro de 2015.
 
Entenda o caso
 
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o garçom foi o responsável por atrair o genro, Rayder Rodrigues, de 39 anos, ao apartamento de Frederico Costa Flores Carvalho. O dono do imóvel e mais dois policiais militares, entre eles André Bartolomeu, amarram e torturam Rayder para conseguir informações sobre contas bancárias das lojas dele.
 
O sócio de Rayder, Fabiano Ferreira Moura, de 36 anos, também foi levado ao apartamento. Ambos foram assinados no local. As vítimas ainda tiveram os dedos e cabeças cortados, para dificultar a identificação. Os corpos foram jogados em uma estrada em Nova Lima, na Região Metropolitana.
 
No dia seguinte, de acordo com o MP, os réus se reuniram para limpar a cena do crime e realizar um churrasco no apartamento. 
 
Depoimento
 
O interrogatório de Adrian começou por volta de 10 horas desta segunda-feira (14). Em seu depoimento, ele admitiu ter levado o empresário Rayder Rodrigues ao apartamento no bairro Sion, mas alegou que estava sendo coagido por Frederico Flores, que ameaçava estuprar sua filha. O réu contou que conheceu Frederico Flores no restaurante onde trabalhava como garçom e, posteriormente, vendeu um lote para ele. Segundo Adrian, a partir deste negócio, Frederico começou a ameaçá-lo.
 
Ao longo do interrogatório, o garçom contou detalhes das movimentações nas contas das vítimas feitas por Frederico e pela médica Gabriela Corrêa Ferreira da Costa, da vigilância dos empresários feita pelos réus policiais militares que estavam sempre armados, descreveu os assassinatos aos quais, segundo o interrogado, foi obrigado por Frederico a assistir. Adrian afirmou, ainda, que teve que ficar no apartamento até que fosse possível sacar R$ 60 mil que foi transferido para sua conta e que, após os homicídios, foi feita faxina no local por ele e outros envolvidos nos crimes.
 
O garçom reafirmou ter visto os assassinatos, mas sem participar deles. Ele garantiu que não denunciou nada antes por achar Frederico muito poderoso, pois viu políticos, policiais, delegados e integrantes da Polícia Federal na casa dele.
 
Outras datas
 
O pastor Sidney Eduardo Benjamin e o advogado Luiz Astolfo vão a julgamento em 29 de setembro. Já a médica Gabriela Corrêa Ferreira da Costa vai a júri popular em 30 de outubro. Os três respondem pelo crime em liberdade.
 
O mentor dos crimes, o estudante Frederico Flores, foi condenado a 39 anos de prisão por homicídio qualificado, sequestro e cárcere privado, extorsão, destruição e ocultação de cadáveres e formação de quadrilha. Ao aplicar a pena, o juiz considerou a semi-imputabilidade atestada pelo laudo pericial e acolhida pelos jurados, e a confissão espontânea do acusado.
 
O ex-policial militar Renato Mozer e o estudante Arlindo Soares Lobo também já foram condenados a penas de 59 e 44 anos de prisão, respectivamente. 
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