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Coluna – Jeito grãomogolense de ser

Grão Mogol é dotada de identidade própria. Localizada na divisa das regiões Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha, possui luz diferente das demais cidades históricas como Diamantina, Ouro Preto, Tiradentes e outras encontradas no Brasil.

Presume-se que essas características surgiram ao longo dos séculos devido primeiro ao fato da descoberta do diamante e depois porque, com o fim do garimpo, a cidade caiu no marasmo, o que levou muitos dos seus filhos a buscarem outros centros, como Montes Claros e Belo Horizonte, principalmente.

Com o tempo, o que era negativo passou a ser positivo, porque Grão Mogol pôde conservar as características próprias. Sem fábricas cuspindo fumaça poluidora, a cidade conserva os costumes herdados dos antepassados. Numa comparação, o ritmo atual de Grão Mogol é semelhante ao de Montes Claros da década de 50.

Para quem gosta, a cidade conserva o sossego que deve ser preservado ao máximo, para não vir a ser uma urbe pequena com os problemas das metrópoles onde o ritmo de vida está a cada dia mais extenuante.

Grão Mogol possui ar puro comprovado pelos nossos pulmões e também pelos liquens impregnados nas pedras. Pedras é o que não falta por todos os cantos. Tanto que um filho da terra, Lúcio Bemquerer, que cumpriu exílio involuntário de mais de 20 anos, ao retornar definitivamente, construiu o Presépio Natural Mãos de Deus, o maior do mundo.

Além das belezas e dos mistérios do seu casario, Grão Mogol possui ao redor riquezas cênicas de deixar qualquer pessoa extasiada. As formações rochosas ao redor oferecem um panorama indescritível, formado pelo Maciço do Espinhaço, por onde o bandeirante Fernão Dias Paes Lemes percorreu em busca das esmeraldas e de fato só encontrou turmalinas.

A cada dia o automóvel criado para tornar melhor a vida no planeta, se vai revelando o maior problema urbano da humanidade. Em Grão Mogol, o trânsito ainda é pequeno. Aqui se pode ouvir o silêncio. Os passarinhos têm onde fazer os seus ninhos e fazem festa em pomares de laranjeiras, abacateiros e em frutíferas de modo geral.

Em Grão Mogol se ouve o galo cantar tanto de dia como de noite. E aqui perto há um jumento criado pelo velho Juca que zurra quase de hora em hora, concorrendo com o relógio da Igreja Matriz de Santo Antônio, que badala a cada 60 minutos lembrando os sinos das igrejas do interior da Europa.

A cidade tem a fama de possuir “clima europeu”, mas ao longo de um dia Grão Mogol pode apresentar as quatro estações do ano. Amanhece nublado e frio para logo mais cair uma “garoinha” e em seguida vir o Sol e por último os ares temperados ornamentados pelas flores da região, muitas delas endêmicas.

A própria topografia da cidade favoreceu a segurança pública aos seus quase seis mil habitantes no perímetro urbano. Em Grão Mogol, a criminalidade não tem vez. O tenente Reginaldo e o seu pelotão estão atentos. Todo desconhecido, suspeito, que adentra a cidade é abordado para dizer o que pretendente aqui.

Quem vem a Grão Mogol, daqui não segue pra lugar nenhum. Precisa retornar e pegar a BR 251, que dá acesso à Rio-Bahia. A BR 251 reclama duplicação o mais urgente possível. Nela transitam carretas e cegonheiras que tornam a estrada uma das mais perigosas do País.

Administrada pelo prefeito Jéferson Augusto de Figueiredo, em seu quarto mandato, a cidade experimenta o desenvolvimento sem perder as suas características. “O município é enorme, parece um estado”, costuma dizer o prefeito, que carrega a fama de “obreiro”.

Se se fizer uma pesquisa de âmbito nacional sobre cidades que oferecem qualidade de vida para a sua população, Grão Mogol pode se destacar entre os primeiros lugares. O importante, entretanto, é que tanto a administração pública e a própria sociedade grãomogolense preservem a cidade, cujo centro histórico já está em processo de tombamento, para o bem de todos.

A realidade das grandes cidades comprova que trânsito intenso de veículos não é sinônimo de desenvolvimento. A essa altura, a solução para as metrópoles é se espelhar em Grão Mogol. As metrópoles precisam parar de crescer. O bem-estar das populações, sim, é que sinaliza o desenvolvimento nos dias atuais. E poucas cidades oferecem bem-estar para sua gente como Grão Mogol, que vai ganhando a fama de “cidade de primeiro mundo”.

Por Alberto Sena

Alberto Sena
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