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Coluna – O Novo Mundo

Lá estava Deus, sentado numa fresca sombra de Jacarandá. O vento soprava com cuidado seus cabelos longos, seu olhar longínquo se perdia no horizonte e muitos pássaros cantavam para ele. Ultimamente recebera duras criticas sobre a criação do universo, do nariz adunco do homem aos seios pequenos da mulher, que sem a menor consideração deitavam em mesas de cirurgiões plásticos e levantavam outras pessoas. Sem contar aqueles que radicalizavam tornando-se sexo oposto. Pensava em recomeçar, mas faltava coragem, se fracassasse o ex-sócio Dom Lúcifer estava pronto para assumir o controle. Assim passava horas, dias inteiros, noites, semanas e meses, até que um dia lembrou-se da ingenuidade das crianças que viam o mundo com olhos eufêmicos e puros… Porém um insight lhe surgira informando que não estavam mais nos primórdios, infelizmente o mundo vivia a era tecnológica, com crianças robôs dominando celulares de ultima geração, jogando vídeos-game de programas avançadíssimos e dialogando em redes sociais como se fossem adultos. Ainda assim Deus resolvera fazer um teste, verificara todos os Países, tendências e influencias, chamando um Americanozinho para fazer um projeto de reconstrução do mundo, o precoce Arquiteto perguntara sobre prazo, ouvindo que teria sete dias, com a regalia de escolher qualquer lugar da existência para trabalhar. Incrivelmente escolhera seu quarto, pedindo apenas que os pais ficassem longe durante o período. Começava a nova era, a reformulação de tudo que pudesse estar sem rumo, o pequeno gostava de ser chamado de Jack. Computadores ligados, contatos e mais contatos, watsapp, hashtag, twiter, Facebook e os dias vão passando, Deus acompanhava sorrindo sem interferir, gostava da dedicação e achara exagero todas as comparações do garoto da época de Adão e este da época da Televisão. Enfim, chegara o oitavo dia, data de apresentação visual do projeto. Poucos convidados se ocupavam da sala de vídeo celestial, antes da abertura Jack de óculos escuros, smoking colorindo e um chiclete dançando dentro da boca, dissera algumas palavras que exalaram como fumaça pelos ouvidos, ninguém prestou atenção em nada, queriam apenas ver o novo mundo. Muito bem, segundo ele aquela primeira imagem só estava ali por ter sido exposta no Facebook e ter um numero extraordinário de curtidas, com milhares de compartilhamentos. Era o Vaticano mostrando o Papa em primeiro plano com uma batina preta e óculos negros, na cabeça uma boina torta para o lado esquerdo onde brilhava uma grande argola na orelha. No antebraço direito notava-se uma tatuagem de Jesus Cristo crucificado, abaixo em letras góticas se lia “É o Cara”. Deus coçara a cabeça, cruzando e descruzando as pernas, tentara pegar o controle, mas lembrou-se que em frente à TV nem ele conseguia tomar o controle da mão de uma criança. Um clic e a segunda imagem surgira, era a Terra em giro de noventa graus, um letreiro a laser circulando “Good Jack and the New Word”. Deus sentira um calafrio na espinha, e sem querer soltara um; “P.Q. P”, a tela negra descortinara mostrando a Casa Branca sem Obama, o próprio Jack sentado em frente a uma platéia só de crianças discursando enquanto a bandeira de Israel pegava fogo, outras nações apareciam em flash com crianças dirigindo veículos, pilotando aviões de guerra, celebrando missas, fazendo cultos e atirando em outras crianças. Montanhas intermináveis de chocolates derretendo pelas ruas, cartazes declarando a proibição imediata da alface no almoço, qualquer tipo de verdura era considerado crime contra a humanidade, maquinas gigantescas arrasavam plantações de bananas, laranjas e morangos. O sanduíche passaria a ser comida oficial de todos os povos. Decretada o tombamento da batata frita como patrimônio imaterial da humanidade, o cidadão denunciado por não gostar da iguaria com ketchup teria a pena de morte decretada. Furioso Deus não esperou que Jack lhe cedesse o controle, arrancara-lhe a tomada com violência, puxando a cinta da calça. No dia seguinte ninguém conseguia explicar as marcas no corpo do garoto, que nem o próprio dizia com clareza, diante disto o mordomo foi demitido mesmo jurando que não era culpado.

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
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