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Bebê continua ligado à mãe para cirurgia inédita no Brasil

Médicos do Hospital da Criança e Maternidade (HCM), de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, fizeram nesta segunda-feira uma cirurgia inédita no País para corrigir uma abertura na parede abdominal de um recém-nascido ainda ligado à mãe pelo cordão umbilical. A fissura, congênita, é conhecida por gastrosquise, deixa o intestino exposto e atinge 4,6 em cada 10 mil recém-nascidos no Brasil.

Duas equipes médicas com 20 profissionais participaram da cirurgia. TV ao fundo mostra os 50 médicos e profissionais de saúde que acompanharam o procedimento via teleconferência
Duas equipes médicas com 20 profissionais participaram da cirurgia. TV ao fundo mostra os 50 médicos e profissionais de saúde que acompanharam o procedimento via teleconferência

A cirurgia é feita pelo método chamado Simile Exit, criado pelo cirurgião pediátrico argentino Javier Svetliza, do hospital José Penna, de Baía Blanca, na Argentina, que realizou o procedimento em 30 ocasiões. “Esta cirurgia reduz o sofrimento da criança, o tempo de internação dos pacientes é muito menor e o problema é resolvido com muito mais rapidez”, disse Svetliza, que participou da operação em São José do Rio Preto.

A paciente foi Ingrid Rafaela, filha da estudante Ana Catarina Vitorino da Silva, 15 anos, retirada do útero, por cesárea, com 36 semanas de gestação. A doença foi diagnosticada no segundo mês de gravidez e desde então uma equipe multidisciplinar acompanhava o caso para decidir o momento certo para realizar a cirurgia. Às 8h42, Ingrid nasceu, mas permaneceu ligada ao cordão umbilical e placenta, por onde sentiu o efeito da anestesia, aplicada na mãe antes da cirurgia.

Duas equipes médicas com 20 profissionais participaram da cirurgia, que foi acompanhada por 50 médicos e profissionais de saúde por meio de teleconferência. Em quatro minutos, os médicos fizeram todo o procedimento. “A cirurgia foi um sucesso, as abas intestinais foram colocadas e a fissura foi fechada dentro do tempo previsto”, disse a médica pediatra Denise Lapa Pedreira, da Universidade de São Paulo (USP), que intermediou a ida de Svetlia a Rio Preto.

Denise afirmou que a rapidez é fundamental para o sucesso da cirurgia. “A cirurgia deve ser realizada antes de o bebê respirar, pois enquanto está ligado ao cordão umbilical e à placenta, ele consegue ficar sem respirar por alguns minutos e isso é importante para o sucesso da cirurgia”, disse. Segundo ela, se o bebê respirar o estômago e o intestino se enchem de ar, tornando difícil passar as abas pela fissura, que mede entre 1 e 3 centímetros. 

Nas cirurgias tradicionais, o trabalho é muito maior. São necessários cinco dias para se colocar o intestino. “São usados um saco plástico, chamado silo, e a cada dia as abas são torcidas e colocadas pouco a pouco no estomago. Enquanto isso, o bebê fica numa UTI neonatal, distante da mãe e só recebe alta entre 30 e 35 dias. Na cirurgia símile-exit, o bebê fica com a mãe e em 15 dias vai para casa”, comenta. 

Com a nova técnica, o intestino do recém-nascido pode funcionar horas depois da cirurgia, permitindo que ele se alimente normalmente, enquanto na cirurgia convencional há casos de bebês que demoram até três meses para o intestino funcionar. Em Rio Preto, a expectativa é de que o bebê receba alimentação parenteral em quatro dias e tenha alta em duas semanas. Na cirurgia convencional, a alimentação tem início em 20 dias e a alta leva 60 dias após o procedimento.

“Felicidades”
A dona de casa Maria Margarida Euflasino da Silva, avó de Ingrid Rafaela, disse que a filha, Ana Catarina, “está radiante de tanta felicidade”. “Estamos muito felizes com o resultado da cirurgia, pois agora minha neta será uma pessoa saudável e não passar por tantos sofrimentos”, disse Margarida, após visitar a netinha na UTI neonatal, na noite desta segunda-feira. “Ela é linda. Não tenho nem palavras para dizer que o estou sentindo.”

Segundo Maria Margarida, a filha, Ana Catarina, ainda não viu a filha após a menina ir para a UTI e não sabe dos detalhes da cirurgia. “Amanhã, os médicos vão dar mais detalhes a ela sobre a cirurgia”, contou. De acordo com ela, Ana Catarina disse estar “muito feliz” com o nascimento da filha. “Ela disse que tudo foi maravilhoso, que foi como ela imaginava e que está muito feliz”, afirmou.

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