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Coluna – Faces Obscuras

Moretso Xavier, um metro e sessenta e oito de altura, divorciado. Pai de duas filhas maiores de idade, avô de três netos pequenos. Servidor público há dezessete anos, aprovado no concurso para o cargo de auxiliar de serviços gerais no ano de mil novecentos e noventa e seis. Exercia a função de coveiro no cemitério Brisa da Paz. Sujeito de poucas palavras se vestia de preto e não olhava nos olhos de quem quer que fosse, quando conversava. Sua casa era afastada do perímetro urbano, muros altos de aproximadamente quatro metros coberto por plantas secas que se escorriam por todas as extensões, construção rústica dois andares mal planejados dentro do terreno, às vezes dando impressão de que o casebre iria desabar, despontavam bicos telhas sobre as janelas, uma varanda em cima era protegida por vigas de cimento e tijolos perfurados sempre com um lençol negro evitando a passagem da visão de fora para dentro. Nos fundos uma mata, onde segundo comentários de vizinhos ouvia-se dela histórias mal assombradas, e, ele costumava perambular por ali em noites chuvosas carregando uma lanterna na mão como se fosse monstro de um olho só. O homem não recebia visitas, a ex-mulher o acusava de dar oferendas ao diabo, filhas e netas tinham medo. “O velho bruxo” como é citado dirigia uma Caminhonete anos sessenta com uma capota negra cobrindo toda a carroceria. Alminda de Soriano fora a ultima pessoa daquela comunidade a tentar aproximar-se dele antes da terrível descoberta, segundo ela era noite de São João e sua família tradicionalmente comemorava o santo festeiro com uma fogueira, fogos de artifícios e comidas típicas do interior. Costumavam pessoas desconhecidas dos arrabaldes sabedoras do festejo, vir comer da canjica ou tomar do quentão, pois o frio era intenso naquele mês. Ao entregar um copo da bebida para uma delas, notara do outro lado da rua uma figura morbidamente diferente olhando em direção a eles, disfarçando o temor à senhora oferecera assento aos chegantes, mas não se desvencilhara daquela estatua atípica, após alguns minutos fora informada pela irmã que o vira outras vezes na mesma posição que se tratava do Velho Bruxo. Ao tentar chegar mais perto para conversa amistosa, entrara imediatamente no carro de ruído rouco deixando um rastro de fumaça no céu e um cheiro intenso de óleo queimado. Isto é basicamente tudo que a policia tem até o momento sobre o necrófilo do cemitério Brisa da Paz, que se alimentava das vísceras de pessoas conhecidas sepultadas por ele. Além dos órgãos ele também as decapitava e colecionava as cabeças. O Infectologista r Psiquiatra Ritcheli Mineiro ao comentar o assunto afirmara que nos seus quarenta anos de medicina, soubera de apenas um caso no século XVI numa cidade da Bélgica que se relaciona com tal monstruosidade, diz que o Psicopata brasileiro invertera as pessoas, já que as de lá eram pessoas que ele odiava.  Ao longo de mais de uma década e meia, Moretso Xavier alimentara-se de uma variedade imensurável de doenças letais, desde câncer a hepatites, meningites, tuberculoses e dois sobrinhos usuários de drogas, falecidos por consequência da AIDS, por incrível que possa parecer, todos os exames feito no seu sangue deram negativo, inclusive o de sanidade mental. Na casa dos horrores onde morava, havia uma sala conjugada com estantes de seis metros de altura com dez prateleiras, nela estavam intactas duzentas e cinquenta cabeças de amigos e familiares, entre estes; a mãe e a ex-esposa que a policia suspeita ter sido morta por ele, já que as filhas fizeram boletim de ocorrência por desaparecimento a mais ou menos quarenta e dois dias. O Delegado conta com arrepios que os vizinhos não mentiram sobre a mata dos fundos da casa, lá tem alguma coisa muito estranha, que a noite geme feito pessoa doente e urra feito fera selvagem.

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
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