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Dilma quer mais investimentos em infraestrutura e descarta reforma trabalhista

A presidente Dilma Rousseff reconheceu nesta quarta-feira que o volume de investimentos em infraestrutura no país ainda é aquém do necessário e descartou realizar durante um eventual segundo mandato uma reforma trabalhista, mas disse que apoiaria a regulamentação da terceirização.

Presidente Dilma Rousseff participa de evento com emprsários na sede da CNI em Brasília. 30/07/2014.
Presidente Dilma Rousseff participa de evento com emprsários na sede da CNI em Brasília. 30/07/2014.

“Também não estou contente com o volume de investimentos em infraestrutura”, disse a presidente ao ser confrontada com o total de investimentos em relação ao PIB durante sabatina com empresários na Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Ela argumentou, porém, que esse baixo nível decorre de problemas do governo e do setor privado e que trabalhará para ampliar os instrumentos de financiamento de longo prazo num eventual segundo mandato.

“O Brasil pode sim simplificar processos. Nessa área temos que investir em modelos que garantam que não tenha nenhum desvio mas também que não haja sobreposições (de fiscalizações)”, acrescentou.

A candidata à reeleição pelo PT também descartou fazer uma ampla reforma trabalhista do país e disse não ver horizonte para redução de direitos trabalhistas como 13o salário e pagamento de horas extras.

Disse, porém, que o governo pode apoiar um diálogo sobre a regulamentação das contratações por terceirização.

“Tem algumas coisas dificílimas de serem negociadas e do ponto de vista do governo não queremos…(mas) o governo federal não é contrário à terceirização”, afirmou à plateia de empresários que clamou por mudanças na legislação trabalhista.

POLÍTICA INDUSTRIAL

Dilma, que lidera a corrida eleitoral, defendeu ainda a política industrial do governo e questionou o que teria ocorrido caso não ela não tivesse implementado as desonerações e ampliado o crédito oficial para o setor, após seus principais adversários na disputa eleitoral terem criticado a postura dela em relação à indústria no mesmo evento da CNI.

“Muitos hoje acreditam que política industrial é um equívoco e que indústria deve ser deixada ao sabor das flutuações de mercado”, disse a presidente, que disputa a reeleição, em relação aos seus adversários Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) durante sua apresentação.

“Nós fizemos todo processo de desoneração e nós achamos que não comprometeu a robustez fiscal como dizem alguns, que dizem que nós não podíamos ter feito”, acrescentou.

Dilma afirmou que num eventual segundo governo manterá as iniciativas já adotadas na política industrial, como as desonerações, a políticas de compras governamentais com preferência para produtos nacionais e o crédito público para projetos industriais.

“Como seria se não tivéssemos adotado medidas anticíclicas, como estaria nossa indústria se não tivéssemos promovido o maior volume de desoneração tributária das últimas décadas, promovido a expansão do crédito?”, questionou.

Mais cedo, Aécio e Campos disseram que o governo desorganizou o setor, criou desequilíbrios e prejudicou a competitividade da indústria, adotando inclusive uma política externa prejudicial para as exportações.

Dilma rebateu parte dessas críticas dizendo que elas são fruto do pessimismo.

“A pior coisa que pode acontecer quando há uma crise… em qualquer atividade, em especial na atividade econômica, a pior coisa a fazer é ficar pessimista”, disse. “De maneira alguma deixamos que nossa economia tivesse comprometimento grave por conta da crise.”

A presidente não apresentou detalhes do seu projeto para o setor industrial num eventual segundo mandato, mas listou suas prioridades.

“Constante aprimoramento dos modelos de regulação, que já têm mais de décadas; promoção de mercado privado de crédito de longo prazo e desenvolvimento de garantias para financiamento de grandes obras; e aprimoramento dos processos de licenciamento ambiental”, afirmou Dilma.

Mais cedo, Aécio defendeu um real mais desvalorizado e uma revisão do tratado do Mercosul, entre outras medidas, para melhorar a competitividade industrial no país.

Antes dele, Campos disse que enviará ao Congresso um projeto de reforma tributária na primeira semana de governo e que defenderá a regulamentação da terceirização no mercado de trabalho. 

A CNI apresentou aos candidatos 42 estudos que, na avaliação do setor, podem melhorar a competitividade da indústria, se as medidas sugeridas forem adotadas. A indústria tem registrado queda no nível da atividade e perda de postos de trabalho. 

(Reportagem de Jeferson Ribeiro) / Reuters

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