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Eleições 2014 – Aécio admite e diz ter cometido equívoco ao usar pista não homologada

O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, admitiu nesta quarta-feira (30) que usou o aeroporto de Cláudio (MG) para pousar em um avião de sua família umas “três ou quatro vezes” nos últimos anos, mesmo sem o espaço ser homologado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Depois de se recusar por 10 dias a responder se teria utilizado o aeroporto, Aécio disse que os pousos e decolagens ocorreram quando não era mais governador do Estado – depois de 2010.

Depois de se recusar por 10 dias a responder se teria utilizado o terminal, candidato afirmou que os pousos e decolagens ocorreram quando não era mais governador de Minas
Depois de se recusar por 10 dias a responder se teria utilizado o terminal, candidato afirmou que os pousos e decolagens ocorreram quando não era mais governador de Minas

“Eu já utilizei [o local] várias vezes antes dessa pista ser asfaltada nos últimos 30 anos, desde a minha juventude. Ele era usado por empresários, fazendeiros, pessoas da região. Depois da conclusão da obra, quando não era mais governador do Estado, usei algumas poucas vezes, pousei ali algumas poucas vezes em avião da minha família”, afirmou.

A Folha de S.Paulo revelou no dia 20 de julho que o governo de Minas gastou quase R$ 14 milhões na construção do aeroporto, que ficou pronto em outubro de 2010 e é administrado por familiares de Aécio. O tio-avô do tucano, Múcio Guimarães Tolentino, guarda as chaves do aeroporto.
Antes da construção do aeródromo, havia no local uma pista de pouso mais simples, de terra, construída em 1983, quando Tancredo Neves, avô de Aécio, era governador de Minas.

O candidato disse ter cometido o “equívoco” de utilizar uma pista não homologada pela Anac, mas afirmou não ter conhecimento de que o aeroporto não tinha autorização legal para operar.

“Eu admito uma culpa: eu devia ter buscado mais informações sobre isso. Mas é preciso que a Anac trabalhe. A pista está há três anos sem homologação, é investimento público feito e, obviamente, sendo usada de forma inadequada.”

O candidato negou ter escolhido o local do aeroporto com o objetivo de beneficiar seus familiares, já que a pista fica na fazenda de Tolentino. O senador, sua mãe e suas irmãs também são donas da Fazenda da Mata, a 6 km do aeroporto. Segundo Aécio, a região é um pólo industrial de exportação de ferro, por isso o aeroporto era necessário para alavancar a economia da região.

“Eu teria duas alternativas: ignorar demanda de crescimento dessa região ou ter feito numa outra área de região montanhosa. Ali foi, na nossa avaliação, o terreno mais adequado. Talvez se a área não fosse de parente meu, não seria essa celeuma. Apesar do fato relevante ser o de ele [Tolentino] estar hoje sem receber nada e pleiteando do Estado uma indenização muito maior”, disse em referência ao fato do governo de Minas ter desapropriado a área antes da licitação do aeroporto.

O impasse sobre a desapropriação está na Justiça porque o Estado fez um depósito judicial de mais de R$ 1 milhão pelo terreno, mas o tio de Aécio contesta o valor. Segundo o senador, isso é prova de que não havia “interesses familiares” na construção do aeroporto.

“A obra foi legal, necessária do ponto de vista econômico e não beneficiou absolutamente ninguém da minha família. Ao contrário, não estaria o antigo proprietário na Justiça reivindicando um valor nove vezes maior do que aquele que o Estado ofereceu”, afirmou.
Sobre o fato de Tolentino ter as chaves do aeroporto, Aécio disse que se sente “incomodado”, mas responsabilizou a Prefeitura de Cláudio (MG) pelo fato. “Eu soube que 6 ou 7 pessoas tinham a chave, gente que voava. É responsabilidade da Prefeitura que o prefeito assume e tem que coordenar. Se eles entregam a chave para 4, 5 ou 6 é um erro, muito mais ainda por ser um parente meu.”

Montezuma

Aécio disse que o avião da família utilizado nos pousos e decolagens em Cláudio era de Gilberto Faria, que foi marido de sua mãe. O tucano nega ter utilizado avião oficial no local, assim como no aeroporto da cidade de Montezuma – onde admite ter pousado uma vez quando era governador.
“Eu desci lá uma vez, há cerca de dez anos atrás, pouco mais de 10 anos. Eu era governador, mas desci da mesma forma, não em avião do Estado.”

O aeródromo de Montezuma, cuja pista foi pavimentada pelo governo de Minas em 2007, quando Aécio era governador, até hoje existe sem registro na Anac – o que impede que seja utilizado pelo público.

Folhapress
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