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Coluna – Comentários de uma crônica anunciada

Por esses dias publiquei um texto que se pode chamar de crônica, sobre a Montes Claros querida, meu torrão natal, comparando a cidade das décadas de 60/70 com a que já vislumbrávamos para os dias atuais. Recordava-me de ter visto recentemente uma foto noturna panorâmica da cidade tão iluminada que parecia ter sido calçada de ouro. Linda foto focalizando o Parque de Exposições.

Falei que Montes Claros naquela época possuía vários lugares de encontro e que o crescimento horizontal e agora vertical fez com que se transformasse na cidade do “desencontramento”. E fui por aí relembrando os tempos em que era feliz e sabia, porque sentia ser privilegiado por ter vivido aí os melhores tempos da cidade.

Vai que recebi o comentário do conterrâneo e amigo Paulo Henrique Veloso Souto, conhecido de antes e de depois do “Cabaré Mineiro”, filme rodado por Carlos Alberto Prates em alguns pontos de Grão Mogol, no qual ele se mostrava exclamativo: “Vixe Maria, ainda não é assim não (referindo-se a Montes Claros), e Requeijão (um tipo humano citado) é nativo, da família Veloso; achei a crônica muito depreciativa, questão de opinião”, ele disse.

Fiquei deveras preocupado achando ter excedido nas minhas observações, mesmo porque morei em Belo Horizonte e moro atualmente em Grão Mogol, tenho ido a Montes Claros só pra buscar fogo, como se diz e talvez nem direito tivesse de futucar um pouco mais fundo em meus comentários, correndo o risco de ter sido injusto.

Lembrei-me de que Paulo Henrique viveu um bom tempo no Rio de Janeiro e de uns anos pra cá resolveu retornar às raízes e deve estar feliz da vida e se não estiver torço para que fique feliz porque pôde deixar toda a beleza do Rio, cuja violência urbana empana, para viver em Montes Claros, menor e por certo menos perigosa proporcionalmente. Será?

Mas qual não foi a minha surpresa ao receber dois outros comentários sobre o mesmo assunto, comentários estes que me deixaram respirar, aliviado, porque nem de longe passava por minha cabeça escrever um texto depreciando a minha terra natal, terra que exalto faz anos por meio de reportagens, crônicas e comentários.

Fora o fato de ter nascido pelas mãos de Irmã Beata e ter vivido em MOC durante 22 anos ininterruptos, onde estudei e iniciei carreira jornalística no O Jornal de Montes Claros, JMC e Mais Lido chamado.

O primeiro dos dois comentários foi enviado por Maria Helena Flávio Almeida, esposa do meu beque central preferido, Nicomedes Almeida. Maria Helena disse ter achado a crônica “realista”, e contou: “Eu saía aos domingos, pela manhã, ia até a Praça da Matriz e ficava na feirinha. Não vou mais. Nos meus 68 anos, bem vividos, as mudanças são notórias. Montes Claros mudou principalmente em questão de segurança”, disse ela.

Maria Helena foi mais além se perguntando o que muito montesclarino se pergunta diariamente se o que se passa pela cabeça “é neura, é medo?” ou quê nome dar? Ela não sabe, mas não tem a menor dúvida de que “curtir um passeio pelas ruas (de Montes Claros) está cada dia mais perigoso”.

E está mesmo, não dá para tampar o Sol com a peneira. Ou será que a mídia está inventando as ocorrências diárias as mais cabeludas? Evidentemente que eu, como filho da terra, gostaria que nada disso estivesse acontecendo, porque assim não dá pra ser feliz, “ora bolas”, diria o poeta Mário Quintana, aquele que disse em versos “eles passarão” e “eu passarinho”.

O outro comentário veio da parte de Wilma Nunes. Ela dizia, “estou em Montes Claros Alberto, dá tristeza. Maria Helena está certa, tudo mudou, para pior. O aspecto da cidade, loucura, suja, feia, esburacada… Vi aquela foto, um artista bateu”.

Eu nem cheguei a abordar essas questões urbanas achando que a essa altura isso já tivesse sido resolvido, pois constatei esses problemas numa das últimas vezes que fui à cidade. Se os problemas perduram, Paulo Henrique que me perdoe, mas não dá pra deixar de falar, porque isto sim deprecia a cidade que passa a ficar bonita só em fotografias sacadas por quem domina a arte da fotografia.

A propósito gostaria de saber do amigo onde poderia encontrá-lo numa próxima ida a Montes Claros, se é que os locais de encontro ainda existem além do Café Galo sobrevivente.

Por Alberto Sena

Alberto Sena
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