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Coluna – Daniel na cova do tesouro

                       Daniel, vinte e dois anos, alto, muito magro, sonhador, residia  em BH, desempregado, tentava emprego em uma agência terceirizada, era do interior, perto de Diamantina. Dois anos sem trabalho resolveu tentar a sorte na capital, seus pais eram pobres, mas possuíam um pequeno pedaço de terra recebido como acerto de mais de trinta anos de trabalho de seu pai, agora sem condições de trabalhar.  Certo dia recebeu um telefonema, era da agencia de empregos, precisava fazer uma entrevista para trabalhar como frentista, aceitou, claro, conseguiu o dinheiro apenas para ir, passou na entrevista, ficou muito feliz, mas para sua surpresa a moça pediu que ele se apresentasse naquele mesmo dia ao trampo, como ele chamava o trabalho, ficou assustado, sem vale transporte,  começou a caminhar. Caminhou por cerca de duas horas e quarenta em direção ao trabalho, pois não iria dar tempo de ir para casa de sua tia; Sem  almoço, suado, para piorar ainda chegou atrasado.

                       Quase perdeu o emprego, contou sua história ao sub-gerente, quase chorando implorou pelo emprego. Foi aí que eu vendo Daniel tão simples e amigo logo fizemos amizade no trabalho, eu era caixa frentista de um posto de gasolina na Antônio Carlos em BH, bem, mas a história aqui não é sobre mim, continuando, ali Daniel ganhava cerca de salário e meio, mas sofria, por que a empresa cobrava metas de vendas de lubrificantes e Daniel não era muito bom nisso, então os superiores ameaçava o rapaz todos dias, faziam gozações, premiava o resto da equipe com bicicletas, TV, som, mas ele somente ganhava um bom bom, amarelinho, serenata. O tempo passou, Daniel agora tinha uma melhor aparência, agora é que vocês irão entender o título da história. Um ano depois Daniel trabalhava na pista, muito movimento, o sub-gerente nervoso o chamou irritado e disse:_ já pedi para dizer aos parentes de vocês para não ligarem para cá, aqui é local de trabalho e não de telefonemas. Vá atender, aproveite e diga para não ligar mais.

                       Daniel sem saber que o telefonema mudaria sua vida foi atender, cinco minutos depois, voltou, me pediu três reais emprestados, emprestei, tirou parte do uniforme, alertei ele de perder o emprego, sorrindo, não me ouviu. De longe vi ele comprando algo e se direcionando ao orelhão, havia comprado um carta o telefônico, dava para ver de longe, seus gestos exagerados com os braços, de repente sumiu, quinze minutos depois apareceu com oitocentos reais na mão, dizia voltar para o interior, me devolveu vinte reais, tentei dizer a ele sobre o valor que havia o emprestado, nada ouviu, partiu sem dizer tchau a ninguém.

                        Três dias depois me ligou, um engenheiro descobrira um tipo de minério muito valioso nas terras de seu pai, Daniel era a única pessoa da família que tinha condições psicológicas para negociar  a terra, pediu muito dinheiro, recebeu a oferta, pesquisou, achou um bom valor, comprou um sitío para seus pais e um carro para conduzi-los á cidade, arrumou uma namorada muito linda, como ele disse, era filho único e seus pais fizeram questão de passar tudo para o nome dele, me agradeceu e desligou o telefone. Fiquei feliz por ele.

Moral: A luta pode ser longa ou curta ou mesmo sempre, o importante é não deixar de lutar.

Por Aldeildo Rocha Ferreira

Aldeildo Rocha Ferreira
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