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Coluna – O olhar irrealista de Aldo Rebelo

O ministro do esporte Aldo Rebelo, em seu artigo “O realista olhar estrangeiro”, foi muito ufanista ao comentar a recente estada dos nossos visitantes estrangeiros.

Geralmente, o espírito ou olhar de qualquer turista que vai festivamente passear ou participar de uma Copa do Mundo é de grande euforia, alegria e expectativa. Um país belo por natureza como o Brasil, com espectros multifacetados de sua geografia, clima e cultura, dificilmente não cairia no gosto do estrangeiro que aqui compareceria para o grande evento esportivo.

Ninguém duvidaria que os estrangeiros não fossem bem tratados no Brasil e que o governo brasileiro não tivesse capacidade de realizar o magno evento.  A bronca com a realização da Copa foi porque se considerava inoportuno o dispendioso evento num país às voltas com falta de recursos, segundo o choro do governo, para subsidiar a sua infraestrutura social e urbana.

A Copa do Mundo foi realmente um sucesso porque o brasileiro, independente de verniz partidário e de qualquer estrato social, gosta de futebol: pobre, rico, traficante, ladrão de colarinho branco etc. Mas as consequências negativas ficaram para o contribuinte pagar a conta. Por exemplo, verdadeiros elefantes-brancos foram construídos em estados onde não há publico esportivo para lotar as arenas. Eis o caso das arenas (1) de Manaus (40.000) – hoje não tem nenhum clube nem na série C. E a final do campeonato local, realizado em maio no pequeno estádio do Sesi, teve apenas 4000 ingressos colocados à venda; (2) de Pernambuco (42.000) – a partida entre Náutico e Sampaio Correa, pela série B, teve apenas 6.464 presentes; (3) de Natal (30.000) – 4.974 pagaram para assistir América-RN versus Bragantino-SP; (4) de Cuiabá (42.000) – 7.190 estiveram presente ao jogo Vasco da Gama-RJ versus Santa Cruz-PE etc.

Com efeito, o Brasil bancou uma Copa no padrão Fifa e tudo funcionou direitinho. O dinheiro apareceu fácil para custear as obras. Só que, por exemplo, o sistema público de saúde brasileiro continua com a cara de um país subdesenvolvido, onde um despossuído é tratado em maca no banheiro de hospital, como mostrou  o Brasil Urgente da Band.

É verdade que as manifestações contra o evento quase inexistiram, porque as Forças Armadas estavam nas ruas para dar proteção aos turistas, o que não é comum no país. Agora, que a Copa passou, a realidade brasileira de insegurança social faz parte de nosso cotidiano.

Os gastos dos turistas e da festa dos torcedores favoreceram o comércio, mas o legado para a economia não passará de um bem-estar efêmero e com data para terminar. Na defesa da realização do evento no Brasil, a presidente Dilma enfatizou que “A Copa gera negócios, injeta bilhões de reais na economia, cria empregos”. A experiência de outros países demonstra que sediar grandes eventos esportivos, como Copa e a Olimpíada, não é, em si, garantia de ganhos econômicos duradouros.

Assim, o sofrível desempenho de nossa Seleção lembra muito a pusilanimidade de nosso governo que diz não ter “complexo de vira-lata”, mas levou 7 a 1 da Alemanha.

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado

Balneário Camboriú-SC

Coluna - O olhar irrealista de Aldo Rebelo
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