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Coluna – Biografia do meu Face Book

Se fosse apenas clicar e deixar a satisfação amostra abaixo da mensagem, poderia ter sido diferente a narrativa desta história.  Meu marido estava no celular comigo e sua voz era distante, mas meu peito sentia calor, suas palavras de carinho repetindo que eu era a única mulher da sua vida não fora suficiente para acabar com a fantasia que vinha me consumindo, era um fogo abrasador que parecia derreter as minhas entranhas, extirpando violentamente a minha sanidade. Passei a abrir o Face book em poucos minutos após tê-lo fechado, falava com aquela pessoa que eu tinha uma aliança em volta do dedo e que meu único amor era o pai dos meus filhos, aquele das fotos abraçando a mim.  Mas no meu interior queria fazer ao contrário, dizer que mergulharia nas profundezas obscuras que sugerisse sem a fobia da volta e sem a culpa acida que carrego agora. Assim as conversas foram ampliando suas intimidades conotativas à medida que ia exaurindo minhas forças, comecei a ser guiada pelo homem que não sei como fora adicionado como amigo, o fogo não era mais possível ser controlado, cheguei a engolir pedras de gelo na intenção de abrandar aquele incêndio, mas era algo incontrolável, um vicio drogado, alcóolico cruel, a maior de todas as dependências. No dia marcado apaguei as luzes e deixei um bilhete com letras trêmulas sobre a mesa da cozinha, não quero repetir as palavras, apenas lembrar que as ultimas foi; “obrigado por tudo e se puder perdoe-me, meu peito vinha sangrando constantemente e a hemorragia não conseguia estancar-se dentro deste nosso mundo normal” Adeus. Poucas quadras dali um carro de cor vinho e quatro portas, não falo o nome, pois não conheço marcas de carro, abriu-se o interior e um perfume feiticeiro mergulhara dentro de mim como um beijo que só havia visto em “Tristão e Isolda”, a noite se banhara no suor dos nossos corpos e a lua festejara aquele momento com seus raios alongados fazendo dançar nossas sombras, eu olhava para ele e via uma felicidade eterna, apesar de todas as renuncias que havia feito sentia que fora o melhor, por amor valia a pena, era clichê obsoleto sim, todavia nada mais importava, sentia-me uma criança ninada em um colo de algodão suspirando um nirvana inacabável, imensurável, o mundo perfeito que às vezes os sonhos trazem provocando uma sensação de irrealidade. Ali era tátil, corpo, quente, vivo, possessivo, colante, visgo. Passava das quatro horas da manhã quando um toque conhecido do meu celular acusara o meu marido, desliguei, mas momentos depois insistira, então atendi. Seu choro era alto soluçando feito cria desmamada, falava de perdão e exaltava minhas qualidades de mãe, esposa e dona de casa. Eu estava fria, ouvira como se fosse um serial-killer frente ao juiz lhe proferia a pena, estava embriagada por aquela paixão platônica. Meu marido então emudecera deixando seu choro como fundo ir se despedindo melancólico até que o telefone se desligasse cruelmente sem o meu menor remorso. Nem sabia o nome do lugar onde estava, tenho apenas noção de que andamos muito numa velocidade alta, há muitos quilômetros de tudo. Assim minha desgraça resumiu-se aquelas palavras trocadas no Face Book, aquelas fotos sorridentes ficaram em pretéritos mais-que-perfeitos onde eu supunha que não era feliz o bastante. Na manhã seguinte de tudo aquilo que vivemos a noite, eu estava sem a minha bolsa, sem dinheiro, sem cartões e sem as joias que ganhara no dia do meu casamento. Desculpem, minha memória esta falha, não fora no dia seguinte, foi muitos dias depois que eu voltei do coma por ter sido esfaqueada varias vezes enquanto dormia pelo meu príncipe encantado que conheci no Face Book. Esta é a minha triste Biografia. 

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
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