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Coluna – Vencer o lixo

Acompanho só de longe a pendenga entre a Prefeitura de Montes Claros, na pessoa do prefeito Rui Muniz, e os montesclarinos que se negam a aceitar a cobrança da taxa de lixo desmembrada do IPTU.

E porque só acompanho de longe não me julgo capacitado para entrar no mérito da questão, se é ou não legal, se vai ou não mexer no bolso do cidadão, a essa altura de saco cheio de tanta cobrança de imposto etecétera e tal.

Como não julgo capaz de meter a minha colher de pau nesse angu de caroço, quer dizer, nesse entrevero, aproveito apenas o mote para levar ao prefeito e aos montesclarinos uma ideia que vem sendo implantada na cidade de Paulínia (SP).

Ideia bendita que poderá ajudar a pôr um basta nessa questão do lixo de Montes Claros duma vez por todas e de outras cidades que porventura estejam enfrentando o mesmo problema. Afinal até quando as partes irão ficar nessa disputa de cabo de guerra?

A gente sabe lixo sempre foi um estorvo na vida de qualquer pessoa ou família, inda mais nesses tempos de consumo exacerbado, quando se produz tanto material descartável altamente poluidor. O consumismo põe em risco a vida no planeta.

Na hora de produzir o lixo ninguém pensa na trabalheira para dar cabo dele. Lixo é tão desprezível que nós queremos dar sumiço nele o mais rápido possível. Se nós produzíssemos menos lixo, já seria um ganho enorme para todos, principalmente para os garis e os lixeiros que de caminhão caçamba saem de noite e de dia recolhendo os sacos plásticos. Verdadeira montanha todo dia.

É a coisa mais engraçada, pra não dizer algo diferente, nós só queremos saber do lixo até o momento em que a boca do saco é fechada. Depois das mãos lavadas não está mais aqui ou ali quem produziu o lixo. Não queremos nem saber pra onde vai. E e às vezes vai para lugares impróprios, como beirada de rio.

Mas retomando o fio da meada, lá em Paulínia está sendo implantado um sistema que consiste em abrir no chão um buraco de dois metros de profundidade capaz de caber um contêiner com capacidade para 700 litros de lixo.

O buraco possui um tampão. Depois de fechado ficam de fora dois latões de aço inoxidável grudados no tampão. Cada latão tem a sua tampa, e as pessoas vão metendo saco de lixo pelos dois latões como se não tivessem fundos e, periodicamente o caminhão vem e o lixeiro abre o tampão do buraco, recolhe o contêiner cheio e deixa outro vazio.

 Os ganhos com esse novo sistema de recolhimento de lixo são vários, a começar pela manutenção da higiene do lugar. Impede que cachorros fiquem remexendo os sacos de lixo; evita de serem os sacos carreados pelas enxurradas em período chuvoso, o que entope as bocas de lobo e polui os rios, principalmente em se tratando de garrafas PET.

E mais: quase tudo agora é reciclado. No caso de Paulínia, antes 15% do lixo recolhido iam para o aterro porque não tinham serventia. Agora, quando muito, só 3% vão.

Se antes era necessário fazer muitas viagens de caminhão caçamba para recolher o lixo, com o novo sistema as viagens caíram pela metade. A gente não é bobo nada, sabe, a economia numa circunstância desta é em cadeia. E mesmo presa em cadeia liberta qualquer administração pública para gastar os recursos economizados com outras obras de importância para o município e os munícipes.

Como disse no início, não tenho por que meter a minha colher de pau nesse angu de caroço, mas não custa nada tentar remediar esse imbróglio porque imagino como deve estar a cidade com sacos de lixo pra tudo quanto é lado, enquanto o prefeito e a população montesclarina que se recusa a pagar a taxa ficam naquela situação típica dos dois jumentinhos.

Quais? Aqueles que foram amarrados cada um na ponta duma corda, com dois montinhos de capim, um de cada lado. Ficava um burrinho tentando comer um montinho de capim e o outro burrinho o outro.

Ficaram nessa estupidez um tempão gastando energia e se desgastando até chegarem a um acordo ao perceberam que deviam ir juntos comer um dos montinhos de capim de cada vez.

Fica aqui a sugestão. Repasso pelo mesmo custo de aquisição, sem cobrar nada mais, nem mesmo pelo frete da notícia.

Por Alberto Sena

Alberto Sena
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