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Montes Claros – Obras de restauração na Matriz de Montes Claros

Matriz de Montes Claros
Matriz de Montes Claros (Foto: Virgínio)

Por exigência do Ministério Público (MP) de Minas Gerais, do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA) e do Conselho Municipal Histórico, Artístico e Cultural de Montes Claros, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição e São José iniciará, em breve, obras de restauração na tradicional igreja da Praça Doutor Chaves, centro. O pároco, Padre Dorival Souza Barreto Júnior, de 50 anos, informa que o serviço visa reparar os danos físicos advindos de reforma levada a efeito em 1999, apesar de já naquela época o primeiro templo da cidade ser “tombado pelo município e inventariado no âmbito do Estado de Minas Gerais pelo IEPHA”, conforme bem explicita Termo de Ajustamento de Conduta do MPE datado de 16 de maio de 2013 e legitimado com as assinaturas do sacerdote e do Arcebispo Metropolitano Dom José Alberto Moura, que se comprometeram a realizar o serviço.

A fim de custear as despesas previstas no projeto do arquiteto Daniel Ortiga, visando seguir as orientações da Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural que, em ofício de 14 de junho de 2012, encaminhou à Promotoria de Justiça de Montes Claros “sugestões de medidas para minimizar a descaracterização” da Matriz, Padre Dorival Barreto, à frente da paróquia há cerca de um ano e meio, deflagra campanha na tentativa de cobrir o montante estimado de R$ 250 mil. Os fiéis interessados em participar da iniciativa podem manter contato na Secretaria Paroquial, que funciona num dos anexos do próprio templo, de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h30min e das 14h às 19h, e das 8h às 12h, no sábado. O telefone de contato é (38) 3212-5749. Também após as missas diárias (segunda, quarta, quinta, sexta e sábado, às 7h e 19h; terça, às 7h; e domingo, às 7h, 9h e 19h), membros da equipe de apoio responsável pela arrecadação de fundos disponibilizarão fichas de adesão a quem se propuser a ajudar.

O arquiteto Daniel Ortiga, em documento de 27 de setembro de 2013, especifica que o objetivo das obras de restauração é realizar intervenções no “forro de PVC que, além de ser constituído de um material que destoa do ambiente existente, prejudica a visibilidade do altar-mor e do arco do Cruzeiro”, para resgatar “o formato original” com base em fotografias antigas; manutenção das meias colunas, “originais ou necessárias para sustentação do forro”, que sustentam a cobertura e o forro; reconstituição das entradas laterais na abside, “que foram totalmente alteradas, criando colunas e nichos com pinturas figurativas”, do altar-mor e das capela lateral, na mesma situação; nas tonalidades das fachadas que sofrerão “prospecção nas alvenarias e esquadrias, para verificação da tonalidade original” e “correção no problema de unidade ascendente nas paredes”.  

Padre Dorival Barreto ainda não sabe precisar quando haverá necessidade de transferências das missas e outras cerimônias litúrgicas da igreja para outro local, provavelmente o Salão Paroquial, nas adjacências. O que, no entender dele, só será possível a partir do começo dos trabalhos.

HISTÓRIA – A Matriz de Nossa Senhora da Conceição e São José foi elevada à condição de paróquia há 182 anos, no dia 14 de julho. Na verdade, trata-se do dia da assinatura de decreto de 1832 que criava a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição e São José de Formigas. Três meses antes de ser oficialmente instalada a Vila de Montes Claros de Formigas, que emanciparia o Povoado de Formigas cujo território pertencia à então Diocese de Diamantina. O primeiro vigário, Padre Antônio Gonçalves Chaves, que chegaria apenas em 1835, legitimou a existência da paróquia.

A história da Matriz confunde-se com a de Montes Claros. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística compara a origem de Montes Claros a tantos outros municípios do sertão brasileiro, que nasceram graças às ações dos bandeirantes. “Presume-se que o atual território desse município tenha sido primeiramente devassado pela expedição denominada ‘Espinosa-Navarro’, que partira de Porto Seguro a 13 de junho de 1553. Foi, no entanto, Antônio Gonçalves Figueira, expedicionário da ‘bandeira’ de Matias Cardoso, adjunto do famoso ‘Governador das Esmeraldas’ que era Fernão Dias Paes Leme, quem fundou Montes Claros”, destaca o IBGE.

Depois de algum tempo passado em Ituassu, para cultivo de cana de ­açúcar, Gonçalves Figueira voltou a procurar metais e pedras preciosas. Ao desbravar áreas do Vale do São Francisco, fundou, no início do século XVIII, as fazendas de Jaíba, Olhos d’Água e Montes Claros. A escolha do nome, Montes Claros, atesta o IBGE, deve-se à localização, à margem do rio Verde Grande, “próximo de montes calcáreos, despidos de vegetação e, por isso mesmo, sempre claros”.

A economia começou a ganhar forma a partir do trabalho escravo, primeiro de índios e, a seguir, dos negros. Procedeu-se, então, ao cultivo da terra e à criação de gado, que gerou os primeiros núcleos de população. Era o despontar do Povoado de Formigas, onde se ergueu uma capela sob a invocação de Nossa Senhora e São José, no ano de 1769. O pequeno templo ficava no fundo da atual Matriz e em frente à sede da fazenda do Alferes José Lopes de Carvalho.

No dia 19 de junho de 1769, o Alferes requereu junto ao então Coadjutor da Capela do Nosso Senhor do Bonfim de Macaúbas (atual Bocaiúva), Padre Francisco de Medeiros Cabral, a necessária licença para a construção da capela.  A licença foi aprovada e verificou ser legal a doação de uma légua e meia de terras de comprimento, por uma légua de largura na fazenda de Mucambinho e também 50 novilhas feitas pelo Alferes para a construção da Capela. 

Com a criação da Diocese de Montes Claros, no dia 10 de dezembro de 1910, mediante a bula “Postulat sane”, a Matriz acumulou o status de Catedral, sede de uma igreja particular. Situação que durou até 1950, quando foi inaugurada a atual Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida.

Trata-se de uma paróquia atípica, pois possui apenas uma comunidade. O que, entretanto, não reduz o ânimo pastoral. Possui diversas pastorais, grupos e movimentos em plena atividade. Padre Dorival Barreto tomou posse no dia 17 de fevereiro de 2013. 

Por Valéria Borborema

 

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