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Norte de Minas – Exposição revela talentos infantis em Grão Mogol

Norte de Minas - Exposição revela talentos infantis em Grão Mogol
Norte de Minas – Exposição revela talentos infantis em Grão Mogol

Uma revolução nem tão silenciosa acontece no trato da cultura infantil, desperta talentos de milhares de crianças em Minas e em outros estados brasileiros, uma revolução encetada pelo revolucionário, quer dizer, pelo arquiteto Elias Rodrigues de Oliveira, que há 14 anos lança aos quadrantes de Minas e do Brasil a seguinte pergunta: “Criança faz arte?”

Faz. Crianças fazem arte. E muita. Ele descobriu isso e por meio do Projeto Arteirartista, realizado por intermédio do Ministério da Cultura, apoio do Instituto Aviva, patrocínio da Diflor, Norflor e Companhia de Navegação Norsul, está multiplicando a metodologia que liberta os talentos infantis.

O projeto foi lançado em Grão Mogol, na Casa da Cultura, com o apoio da Prefeitura Municipal, por intermédio da Secretaria Municipal de Cultura, com uma colorida, criativa e porque não dizer genial exposição de 100 obras infantis de deixar qualquer adulto boquiaberto.

Elias enxergou na arquitetura infantil a opressão dos adultos sobre as crianças, o que funciona ao longo do tempo como um rolo compressor esmagador de talentos. Ele descobriu um riquíssimo veio cultural envolvente e libertador da psicologia dos pequenos.

Em verdade, ele pode ser chamado de “libertador de talentos” e o trabalho dele precisa, mais do que ser reconhecido, ser adotado como metodologia com didática nova para revelar grandes nomes das artes plásticas e por extensão, outras aptidões. “Uma escola livre”, disse.

As crianças já nascem prontas. Elas são forçadas a desaprender tudo e, oprimidas, têm de apreender o que querem os adultos, com a justificativa: “Estamos preparando-as para a vida”. Essa opressão dos adultos sobre as crianças certamente já inibiu o surgimento de grandes talentos. Só alguns, devido à impetuosidade dos talentos conseguem escapar por entre os dedos das mãos opressoras e se revelam ao mundo.

A primeira exposição, Elias lançou no ano 2000, em Belo Horizonte, no Palácio das Artes, e na ocasião obteve boa cobertura da mídia da capital. Evidentemente, de lá pra cá, ele enfrentou e ainda enfrenta os mais incríveis obstáculos como o de certo “educador” que o mandou “procurar sua turma” depois de ler a tese dele de pós-graduação em Arte-Educação e Cultura.

E ele foi. Foi e encontrou as crianças que vibram com a capacidade dele de comunicar-se com elas repassando os ensinamentos elementares de espaço, cores e texturas. Em seguida, as crianças repassam aos pais, ensinando o que aprenderam em um trabalho merecedor dos mais elevados elogios.

Às vezes, como Elias Rodrigues revelou, diante de empecilhos para avançar na inserção dessa metodologia despertadora de talentos tem a impressão de “estar malhando em ferro frio”. Mas em realidade, o que se depreende do trabalho dele, numa metáfora, é como lançar pedras no lago de água parada.

As pedras por ele lançadas estão movimentando a água e é nas ondas do amanhã, e aos poucos, que os resultados surgirão e já estão surgindo. Afinal, só se pode mudar uma cultura com outra cultura.

Até agora, o arquiteto reuniu mais de 10 mil trabalhos infantis de uma genialidade que lembra nomes como Pablo Picasso, Salvador Dali e outros grandes artistas plásticos contemporâneos.

A exposição itinerante irá em setembro para Montes Claros, instalada no Centro Cultural Hermes de Paula. Já passou por cidades ao redor de Grão Mogol e funciona como um multiplicador dessa técnica mais assemelhada à varinha de condão.

Aliás, Elias Rodrigues pode ser comparado a um “mago” tipo Merlim, cabelos e barbas grisalhos, estatura de quase dois metros de altura e pela transformação que o trabalho dele causa nas crianças.

Os vídeos das oficinas infantis mostram a funcionalidade e a utilidade da metodologia que já podia estar sendo aplicada pelo Ministério da Educação nas escolas brasileiras.

Para um dos assistentes da palestra e do vídeo apresentado, o pesquisador, historiador e responsável pelo Viveiro de Mudas da Prefeitura Municipal de Grão Mogol, Geraldo Fróis, o trabalho de Elias Rodrigues “se parece com a Escola Viva da educadora Helena Antipoff aplicada em Minas, nas décadas de 60/70”.

Dona Helena, que foi a responsável pela criação da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), entre outros empreendimentos, tendo em vista a inclusão das crianças no agressivo mundo dos adultos.

A exposição infantil vai até o dia 29 deste mês, devendo receber, diariamente, turmas de alunos das escolas de Grão Mogol.

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