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Eleições 2014 – Debate e morte elevam apostas contra Dilma em site

No abertura das apostas para o Brasil, 60% dos participantes acreditavam que Dilma seria reeleita
No abertura das apostas para o Brasil, 60% dos participantes acreditavam que Dilma seria reeleita

A reviravolta no cenário político brasileiro gerou um interesse surpreendente entre apostadores de um site que tem sede em Londres, o Unibet. A mudança inesperada causada pelo acidente aéreo que matou o candidato Eduardo Campos chamou atenção no exterior e tornou a corrida eleitoral brasileira a mais procurada no setor de política pelos “jogadores” da casa de apostas.

Esse tipo de “brincadeira” é proibida no Brasil, mas ganha cada vez mais adeptos no exterior. Operadores e economistas do mercado financeiro comumente emplacam parte de seus recursos em palpites nessas empresas especializadas, sejam elas com temas de algum esporte ou da área política. O jogo, quando entra na seara da disputa eleitoral, já é visto como um termômetro sobre o rumo de determinada eleição. “Nos Estados Unidos, por exemplo, muitas vezes as casas de apostas conseguem se antecipar a mudanças vistas em pesquisas e no próprio resultado”, comentou um economista do mercado financeiro brasileiro que não quis se identificar.

A Unibet tem origem sueca e os esportes como principal foco de atuação. Quem quiser arriscar e ganhar – ou perder – dinheiro com suas intuições ou informações sobre futebol e pôquer, entre outros, pode escolher o site para apostar em uma posição. A primeira vez que a empresa entrou na área política foi quando apresentou aos “jogadores” o possível cenário para o desdobramento das eleições na Suécia. Este ano, o Brasil foi apresentado aos possíveis interessados. “Esta é a primeira vez que colocamos alguma coisa sobre as eleições brasileiras. Como estou sempre no Brasil, me perguntaram por que não, e decidimos fazer”, explicou o responsável pela área de futebol da Unibet, Christian Eider.

No site, também são encontradas apostas para eleições em outros países, como Reino Unido e Estados Unidos, e até para o resultado do referendo sobre a independência da Escócia. Como no caso do Brasil era tudo uma novidade, a expectativa era de que poucas apostas fossem feitas. Então, o site decidiu fazer uma apresentação bem simples aos participantes: quem será o próximo presidente do Brasil: Dilma Rousseff ou outro candidato? A opção de colocar apenas um nome se deu porque imaginava-se que os demais concorrentes não seriam tão conhecidos no mundo, em especial na Europa.

No abertura das apostas para o Brasil, 60% dos participantes – a casa não diz qual é o total de volume nessa “brincadeira” – acreditavam que Dilma seria reeleita. Logo após o acidente aéreo que matou o então candidato Eduardo Campos (PSB), a tendência se inverteu e 60% dos participantes passaram a acreditar que “outro candidato” venceria a disputa no Brasil. “Ficamos bem surpresos com o interesse pelo tema da aposta e, principalmente, pela inversão após o acidente”, comentou Eider.

De acordo com ele, a disputa brasileira se tornou uma das apostas mais populares do site e a que atraiu o maior volume de recursos na área política. De olho nesse filão, o executivo disse que já pensa em outros temas relacionados ao Brasil. Há brasileiros que participam do jogo, mas como no País esse tipo de operação é proibida, são cidadãos que vivem em outras partes do mundo, em especial na Europa.

O jogo funciona assim: a cada dólar apostado, há um x de retorno para quem acertar o resultado. A aposta apontada como a menos provável é sempre a que gera maior retorno. Ontem à tarde, por exemplo, quem acreditava na vitória de Dilma (a minoria), teria retorno de US$ 2,10 por dólar no caso de a candidata ser reeleita. Já se “outro candidato qualquer” vencer a disputa, que é o que a maioria espera neste momento, o retorno seria de US$ 1 67 por dólar.

Hoje cedo, depois do primeiro debate televisionado ontem à noite entre os candidatos, o retorno já havia mudado: US$ 2,75 no caso de Dilma vencer e US$ 1,40 para outro candidato. Essa mudança pode ser interpretada como uma avaliação de que os demais candidatos – ou pelo menos um deles – se saiu melhor do que Dilma.

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