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MG – Ex-policial é condenado a 12 anos de prisão pela morte de jornalista Rodrigo Neto

Foi condenado a 12 anos de prisão o ex-policial civil Lúcio Lírio Leal, de 23 anos, acusado de envolvimento na morte do jornalista Rodrigo Neto, assassinado em março de 2013 em Ipatinga, no Vale do Aço. O júri formado por seis homens e uma mulher decidiu que o réu era culpado por homicídio qualificado, mas foi absolvido de uma tentativa de homicídio a que respondia. O julgamento teve início na manhã desta quinta-feira (28) e foi acompanhado por cerca de 120 pessoas. 

Ex-policial é condenado a 12 anos de prisão pela morte de jornalista Rodrigo Neto
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O réu, seus pais e a irmã da vítima choraram muito durante a declaração da sentença. Após o julgamento, familiares das vítimas e dos réu deixaram o tribunal rapidamente e não falaram com a imprensa. 

O jornalista foi assassinado com oito tiros no dia 8 de março de 2013, quando saía de um churrasquinho no bairro Canaã, em Ipatinga. Em 14 de abril seguinte, o fotógrafo Walgney Carvalho, que trabalhava com Rodrigo Neto, também foi assassinado.

No dia 15 de abril do mesmo ano, a Polícia Civil criou uma força-tarefa para apurar a morte dos jornalistas e outros 14 crimes cometidos na região. Como resultado, seis policiais civis e quatro militares foram presos, além de 16 pessoas indiciadas. Lúcio Lírio Leal foi detido em junho de 2013. O caso teve grande repercussão e provocou mudanças na cúpula da Polícia Civil em Ipatinga.

No julgamento estavam parentes da vítima e do réu, que usavam camisas com a palavra “Inocente” estampada. Lourdes Beatriz Feria, viúva de Neto, contou que tem acompanhado o caso de perto e que muitos pontos do crime ainda não foram esclarecidos, como a motivação e a identidade de um segundo atirador. “Isso causa medo, porque a gente não sabe quem fez isso e nem o porquê. A gente tem medo do que possa acontecer”, disse.

Já os pais de Leal afirmaram que o filho tinha quase três anos de atividade policial e nunca se envolveu em problemas. “Ele é muito sossegado. Não quero ficar comentando isso, mas afirmo que meu filho é inocente”, afirmou o pai.

Depoimentos

Dois policiais que participaram da força-tarefa que saiu de Belo Horizonte para investigar a morte de Rodrigo Neto prestaram depoimento. Ambos destacaram que os principais elementos que mostram que o réu participou do crime são a amizade que ele tinha com o atirador Pitote, os telefonemas que eles trocaram pouco antes de o jornalista ser assassinado e o fato de a caminhonete Strada de Lúcio ter passado pelo local do crime 8 minutos antes da motocicleta dos atiradores.

Tanto a motocicleta quanto a Strada foram filmadas por várias câmeras de segurança de estabelecimentos próximos e, com essas imagens, a polícia pôde traçar o trajeto feito pelos dois veículos.

O réu começou a ser interrogado pouco antes de 12h. Em seu depoimento, ele negou envolvimento com a morte de Rodrigo Neto. Segundo Leal, ele estava na casa da namorada no dia do crime e não passou nem perto do churrasquinho onde o jornalista foi assassinado. Ao falar da família, o réu chorou. Os parentes dele que acompanham a sessão também se emocionaram.

O ex-policial também negou ter ligado mais de 100 vezes para o Pitote nos dias próximos ao crime, como aponta a investigação. Ele disse, ainda, que não conhecia Rodrigo Neto e nem o trabalho dele. Leal afirmou também que não sabe quem é o verdadeiro autor do crime.

Muito emocionado, o pai do jornalista Rodrigo Neto deixou o tribunal enquanto o réu era interrogado.

Após o intervalo para o almoço, teve início a fase de debates do julgamento. O promotor Francisco Ângelo relembrou a cronologia do crime aos jurados e afirmou que às 0h27, hora em que o jornalista foi morto, o réu não estava na casa da namorada, como disse em depoimento.

O promotor afirmou que o réu agiu como mentor do assassinato e pediu a condenação. A motivação do crime, no entanto, não foi apresentada pela acusação.

Grupo de extermínio

Segundo a denúncia do Ministério Público, Leal integrava um grupo de extermínio que ainda é investigado. Ele teria repassado informações sobre a vítima aos executores pouco antes do crime e traçado o itinerário de fuga dos suspeitos. A promotoria defende que a morte tem ligação com as denúncias feitas por Neto.

Já o executor do jornalista seria Alessandro Neves Augusto, o Pitote, que estava na garupa de uma moto pilotada por uma pessoa ainda não identificada. Assim como Leal, ele foi preso em maio de 2013. Pitote também deve ir a júri popular.

Advogado do réu, Fábio Silveira informou que a defesa pretende deixar claro para os jurados que Lúcio Lírio Leal não está envolvido no crime. “As provas dos autos só reforçam a inocência dele”, afirmou. A reportagem tentou localizar familiares da vítima, sem sucesso.

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