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Boato de cidade mineira cheia de ‘mulheres solteiras’ circula o mundo

Noiva do Cordeiro, distrito de Belo Vale, localizada na região Central do Estado e que tem cerca de 300 moradores, tem sua história marcada pela resistência aos costumes tradicionais e pela individualidade de suas mulheres, que, com os homens trabalhando em Belo Horizonte, a cerca de 100 km do local, montaram uma cooperativa que planta e cria tudo o que é consumido pela população, além de produzir confecções. Entretanto, recentemente o local se tornou manchete em diversos jornais internacionais de forma equivocada, afirmando que as “belas mulheres” faziam campanha em busca de solteiros para suprir a falta de homens do vilarejo.

Jornais ingleses estamparam a reportagem que se replicou em jornais do mundo inteiro
Jornais ingleses estamparam a reportagem que se replicou em jornais do mundo inteiro

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Nas notícias falsas, o vilarejo era descrito como terra de “mulheres exóticas e solteiras com idades entre 20 e 25 anos. Desde então a página no Facebook da comunidade, instalada na zona rural de Belo Vale, foi invadida por centenas de homens da Rússia, Índia, Inglaterra e Estados Unidos, entre outros países, em busca de uma pretendente brasileira. Israelenses, russos e sérvios também invadiram o perfil dos moradores com propostas de casamento.

“Quero me casar com uma brasileira”, disse um homem, respondido por um compatriota com “Assim como todos os sérvios”. Um homem de Tel Aviv se dispôs a viver no povoado, caso alguma das jovens falasse francês ou inglês. Imediatamente alguns moradores se manifestaram, um deles escrevendo em inglês, explicando que se tratava de um boato. “No Brasil, cidades próximas à capital tem poucos homens trabalhando lá. Os homens trabalham durante o dia e então as mulheres montaram uma cooperativa por conta delas. Respeitem as mulheres brasileiras”, dizia um morador.

“Alerta aos homens solteiros: cidade repleta de mulheres extremamente atraentes fazem apelo por homens”, “Cidade do Brasil composta inteiramente por mulheres faz apelo por noivos (mas apenas se aceitar viver sob suas regras)” e “Esta cidade brasileira só de mulheres solteiras procura por homens” foram algumas das manchetes de jornais pelo mundo afora. Nesta sexta-feira (29) a agência de notícias inglesa BBC desmentiu a informação após protesto das moradoras do distrito.

Conforme o texto divulgado pela agência, aparentemente a informação surgiu após uma tradução mal feita de uma reportagem sobre Noiva do Cordeiro publicada em 2009 na revista Marie Claire. Embora o local tenha aproximadamente 300 moradores divididos entre homens e mulheres de todas as idades, as notícias que circularam mundo afora afirmavam que no local viviam 600 mulheres solteiras e jovens.

Por telefone, uma moradora que preferiu não ser identificada informou que a comunidade teve um problema com a internet e não está sabendo do boato. “A internet é de um programa do governo e estamos sem por enquanto. Não estamos nem sabendo do que está acontecendo, só mesmo pelos vários telefonemas que recebemos ao longo do dia”, explicou a educada jovem.

História do povoado

Conforme as informações publicadas no site da confecção formada pelas mulheres, a origem do vilarejo aconteceu em 1890, quando Maria Senhorinha de Lima, moradora do povoado de Roças Novas, largou o marido descendente de francês com quem estava casada há três meses para viver com o lavrador Francisco Augusto Araújo Fernandes. A atitude da mulher, pouco comum na época, fez com que o casal e as suas próximas quatro gerações fossem excomungadas pela igreja católica e passassem a sofrer com o preconceito de todos da cidade.

Isso os levou a se mudar para um terreno mais distantes da cidade, onde formaram uma família que viria a se tornar o distrito. O nome só surgiu entre as décadas de 40 e 50, quando uma das netas de Senhorinha se casou com um pastor, que fundou a Igreja Evangélica Noiva do Cordeiro. A religião tinha preceitos conservadores e até os anos 90 deixou a população em uma vida repleta de restrições, principalmente para as mulheres.

Os moradores ainda sofriam preconceito dos moradores próximos, sendo que as mulheres eram tidas como prostitutas. Porém, foi a proibição da música que levou à extinção da igreja evangélica, como conta o site. Após conseguirem a autorização para ter música em um casamento, alguns do moradores que não sabiam o que era dançar ficaram encantados com a possibilidade e extinguiram a igreja em 1990 e, hoje, existe um bar no lugar da antiga sede religiosa.

Como os homens costumam ir para a cidade para trabalhar assim que atingem a maturidade, as mulheres precisaram se organizar em uma cooperativa. Algumas cozinham, costuram e outras lavram a terra. Porém, ao invés de cada família plantar seus alimentos, os moradores cultivam em uma só área, dividindo os frutos entre a população.

 
 
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