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Coluna – A dor do preconceito – História real – Nomes preservados

Há mais ou menos dezesseis anos uma criança da zona rural chegava á cidade do interior, sem ter onde morar, sua mãe pediu ajuda a uma prima, pois sua filha precisava estudar, em troca realizava os afazeres rotineiros da casa, sua mãe não tinha outra opção.
Com o tempo a menina foi crescendo, passou a receber alguns trocados d’aquela prima que agora queria ser chamada de mãe, também recebia algum dinheiro de sua verdadeira mãe que lutava muito na roça para alimentar os outros filhos, a vida da verdadeira mãe era sofrida e não desejava o mesmo aos seus filhos. A mulher passou a gostar muito da menina, assim, contratou empregada, comprou roupas bonitas, perfumes caros, bolsas e sandálias novas para a garota agora com dezessete anos.
A menina agora queria namorar, mas a mulher não aceitava, dizia:
_ Onde você acha que irá chegar namorando um lavador de carros?
_ Eu não te criei para isto não.
Ela insistiu, namorou meses seguidos aquele humilde rapaz, que recebia a metade de um salário mínimo, trabalhava exaustivamente, para ajudar seus pais, feirantes, tinha muitos irmãos, precisava levar algum dinheiro para casa para não passarem fome. Eles se encontravam á noite depois da aula, ou quando matavam aulas para se encontrarem.
A mulher descobriu, humilhou o rapaz, contou para a mãe da menina que ameaçou levá-la para a roça novamente, a mãe agiu pela emoção, devia um grande favor á sua prima quando acolheu sua filha. Encurralada, a menina terminou o namoro, chorou noites adentro, sentia muitas saudades.
O rapaz continuou trabalhando, foi quando recebeu um carro para lavar, de um senhor muito importante, presidente da única grande empresa perto da cidade, na época, claro, ao entregar as chaves queria pedir um emprego, teve medo do homem não gostar, resolveu não cobrar a “lavada”. O homem se assustou, assim o rapaz lavou o carro do homem várias vezes e anotava em seu mínimo do mínimo salário. O homem o levou para trabalhar junto com ele, ensinou-lhe muito.
Oito anos depois o rapaz com apenas vinte e seis anos tinha uma bela casa, um carro, um comércio prosperador e se preparava para montar outro, casou-se, teve filhos. A menina também se casou, mas seu marido, infelizmente não prosperou como a mulher esperava, ela voltou para a roça, trabalha muito como sua mãe,
A mulher nunca mais se esqueceu do nome d’aquele lavador de carros.

ALDEILDO ROCHA – HISTÓRIAS REAIS.

Aldeildo Rocha Ferreira
Aldeildo Rocha Ferreira
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