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Coluna – Lembranças Numa Noite Fria

A rua está deserta. A noite é fria e um vento solitário sopra os papéis de um lado para outro. Uma sombra anda com passos firmes e fortes se esticando na luz do poste, seu andar às vezes cambaleia indo para o centro da pista, mas imediatamente seu superego ordena que volte ao acostamento. Nesta mesma rua seria celebrada a união de duas pessoas após longos anos separados, ali aonde a sombra deixou para trás, embaixo da amendoeira. Dita e Palito namoraram por vários anos durante adolescência, não deles, mas dos seus filhos. Quando os dois e seus cônjuges eram organizadores de “encontros de casais” na Igreja do bairro, mas não era o trivial encontro celebrado para fortificar a família e sim outro, aquele libertino que se vê em revistas para adultos, onde um fica literalmente com o outro. Igreja é um adjetivo que se dava a casa dos encontros, por lá já passaram muitas pessoas influentes da sociedade, inclusive a avó de um colega metido a inteligente que tive na oitava série, a velha era anunciada como a rainha da rapadura com duas enormes fazendas na região exportando o doce para; Haiti, Taiti, Afeganistão e Iraque e Gibão (Município de Bonito de Minas). Os defensores do deslize da “senhora da cana” afirmavam categoricamente que ela e o avô deste meu colega metido ao intelectual da classe estavam brigados, ela então usando o mito da paz por telepatia, pedira que o motorista a levasse até a Igreja de encontro dos casais libertinos para fazer algo em prol de um casamento que comemorava bodas de diamante, ele até informara que ali era um antro maquiado, todavia a velha ordenara que ficasse em silêncio e cumprisse as ordens. Lá dentro houvera confidencialidades e este cronista metido à repórter não tem autorização da justiça para divulgar. Dita e Palito quebraram os regulamentos ao se apaixonarem, já que segundo um chato que comenta futebol num destes canais de televisão, “a regra é clara” pagaram multas, tomaram chibatadas no lombo, mesmo assim viveram a tórrida paixão, tendo apenas como alento aquele pífio momento em que seus corpos se encontravam cedidos pelos seus cônjuges que inocentemente estavam em outro quarto. A velha tivera culpa, após o motorista ser demitido por não querer voltar a “Igreja” com ela, em represália entregara toda a “liturgia” daquele antro e algumas pessoas da lei que já frequentaram por lá, hipocritamente ordenaram o fechamento. Um fiel que fora seminarista, declarara a um jornal sem aparecer o rosto, usando voz de pato; tais palavras, “Esta pelo menos é um puteiro declarado”.  Após o fechamento do local dos encontros, Dita e Palito combinaram de fazer como fizera Romeu e Julieta, todavia na hora combinada não sabiam nem quem era Shakespeare. Muitos anos depois nesta rua deserta, Palito e Dita se encontram embaixo da amendoeira, não foi por acaso, houvera intermediários. E eles se beijaram se unindo em corpos inflamados, mas este ato foi impedido por consequência do ladrar de um cão que costuma comer do lixo de dentro de um saco, que fica justamente embaixo da amendoeira. Dita foi justa com suas palavras, aliás, uma das suas grandes qualidades era dizer que nunca mentia, mesmo se mentisse dizia que não estava contando mentiras. “Palito meu querido, não podemos mais ficar juntos, aceitei o convite apenas para lhe ter dentro de mim pela ultima vez, mas já que esse filho de uma cadela atrapalhou, adeus! Eu e meu marido encontramos uma nova “Igreja” e um novo casal, estou apaixonada com acontecera conosco”. Palito enfiou as mãos nos bolsos em busca de um cigarro, mas o ultimo fumara após o “Coito-interrompido”. Dita desapareceu acelerando a moto do “esposo amado”… O vento continuou soprando os papéis, um dos postes baixou sua luz, a sombra cambaleante de Palito agora tem uma fumaça soprando para o lado, a cabeça cheia de cachaça e um peito sangrando por Dita. 

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
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