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Coluna – “E o sertão vai virar mar”

Com o crescimento das tecnologias, do conforto entre outras coisas mais, muitas famílias deixaram suas terras na zona rural e partiram para a cidade em busca de uma vida melhor, muitos da roça para o interior, outros do interior para a capital. Sabe-se bem do quanto é diferente a vida da capital, o custo de vida é alto, mas o que se mais percebe é a ponta das jubas dos leões excitados a engolir os colegas. No trabalho, olhos atentos aos melhores cargos, tudo depende de uma boa dose de sacanagem, traição ou mesmo encenação. Nas repúblicas, quem não gasta em casa tem sérios riscos de serem expulsos do lar, amizade agora virou relíquia, interesses pessoais estão vidrados a tudo que se ouve, fala ou vê, quando aparece alguém  inocente sem a maldade que se deve ter, pensam, o que eu posso arrancar dele?Outros mais baixos, que tiveram uma infância regrada, exploram qualquer coisa, comida, favores, dinheiro etc. Mas o que mais me admira são os golpes altos em pessoas simples, como roubar a própria dignidade, ou seja, seu nome como laranjas, rouba a única coisa que lhe restavam.

                  Questionamentos, investigações, convicções até padronizarem as personalidades, sua classe social, seu meio em que deve sobreviver, talvez isto venha realmente trazer satisfação para aqueles que se vangloriam com a arte de enganar, a simplicidade virou idiotice para quem não se lembra mais do que é respeito, o mundo ofereceu tanta decepção que ninguém mais quer perder o foco do que está programado para se conseguir ao longo de dez ou vinte anos.

                    Pouco se sabe é da nova geração que se desperta nesse século vinte e um, quem diria que um jovem conseguiria limpar os oceanos em dez anos, mobilizando o mundo inteiro com um invento raro, simples e eficaz, como foi informado no fantástico exibido outro dia atrás sobre essa tentativa que está  em andamento com chances de dar certo. Crianças estão surpreendendo cada vez mais com uma inteligência fora do normal que com uma série de fatores, como o turbilhão de informações que temos no dia a dia levam indivíduos a ficarem ligados a tudo e todos em sua volta.

                    Espero que esse sertão de pessoas que sabem o que é valores venha se multiplicar cada vez mais, e que a inocência venha fazer parte de nosso dia-dia sem o risco de sermos assediados pela violência. Certo dia ouvi uma história que me fez lembrar a inocência de um personagem,vejam:
                     Certo dia um camponês prestes a se casar tirava o seu leite tranquilamente no curral, quando do nada apareceu uma senhora, montava á cavalo, era da cidade, vestia-se muito bem, seu cheiro se exalou sobre o curral, como quem não pede licença para avisar que está chegando.

                     O Camponês vislumbrou sobre aquela imagem, nunca havia visto mulher tão linda, achou injusto, humilhante, vergonhoso, dizer como era sua noiva, achou a vida injusta. Onde fica a fazenda de seu Honório? Perguntou, ele nada ouvia, sentia-se como se estivesse em um sonho, distante, nunca havia visto tamanha beleza, a mulher riu, perguntou novamente, ele não conseguia pronunciar uma palavra, até que perguntou, de onde a senhora vêm?, _da capital, respondeu, foi a única coisa que pôde fazer, suas pernas tremiam, sua face desfalecia, seu coração ardia, deu aquele frio em sua barriga, aquela beleza agora se afastava.

 A partir daí, nunca mais se esquecera da mulher, tempos depois descobriu que se tratava de uma concubina, não conseguiu mais trabalhar, deixou a mulher, bebeu noites seguidas, emagreceu, sem comer, adoeceu.

                     A vida havia perdido o sentido. Deprimiu-se. Até que um dia levantou-se de manhã, vendeu o pouco que tinha, e partiu para a capital, dizia que iria trabalhar, mas todos sabiam que ele procurava beleza tamanha ou parecida com aquela concubina, nunca mais ouviu-se falar do camponês, dizem, o povoado perto dalí que ele foi visto no centro da cidade sorrindo para as madames que passavam, vestia-se mal.

                     Decerto a capital não foi uma boa decisão, as pessoas do interior sofrem muito até se adaptar a capital, ela mostra o pior lado para se conseguir um sonho para depois firmarmos os pés e buscarmos este sonho, mas somente depois de feridos, magoados, amargos, sofridos daremos um suspiro e pensamos: foi difícil mas sobrevivi.

Por Aldeildo Rocha Ferreira

Aldeildo Rocha Ferreira
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