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Eleições 2014 – Aliados admitem que Aécio não atingirá votação prevista

Sem liderar as pesquisas em seu Estado natal, o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, refaz as contas para chegar no segundo turno. Aliados mineiros do senador ouvidos pelo Broadcast Político, servilo em tempo real da Agência Estado, como o presidente do PSDB mineiro, Marcus Pestana, admitem que não será possível atingir a votação prevista anteriormente para o Estado. A intenção sempre foi abrir grande vantagem sobre Dilma Rousseff em Minas – segundo maior colégio eleitoral do País e governado pelo PSDB há 12 anos – para garantir as chances na votação nacional.

A intenção sempre foi abrir grande vantagem sobre Dilma Rousseff em Minas
A intenção sempre foi abrir grande vantagem sobre Dilma Rousseff em Minas

“Não é possível, mudou o cenário, é outra eleição. A previsão era com o Eduardo (Campos) na disputa, ele teria em Minas o que o Aécio tem em Pernambuco (3%)”, justifica Pestana, que lembra que Marina venceu em Belo Horizonte nas eleições de 2010. Mesmo com a recuperação nas últimas pesquisas, os números ainda são modestos se comparados com os planos feitos pelos tucanos. A última pesquisa Datafolha no Estado mostra Aécio com 26%, enquanto Marina Silva tem 25% e Dilma 33%. O Ibope desta semana mostra um quadro um pouco melhor para o ex-governador de Minas, que aparece com 29%, atrás apenas de Dilma (33%); Marina tem 22%.

No primeiro semestre de 2014, era comum ouvir de tucanos mineiros que o Estado – principal vitrine de Aécio e que foi governado pelo PSDB por 16 anos nas últimas duas décadas anos – era o trunfo para a vitória do neto de Tancredo. Projetava-se uma diferença de 3 milhões de votos para Dilma Rousseff, que significa cerca de 20% dos mais de 15 milhões de eleitores. “Além do discurso, Minas é o segundo maior colégio eleitoral no País. Qualquer ponto em Minas faz uma diferença grande. Tem um efeito simbólico muito grande para ele, ficar nesta posição que está em Minas inviabiliza a eleição dele no País”, analisa o cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas Marco Antônio Carvalho Teixeira.

Mais que governar, Aécio venceu em Minas três eleições de forma arrebatadora. Duas vitórias no primeiro turno para o governo do Estado – com 57% e 77% dos votos – e uma eleição para o Senado, quando Aécio teve 7,5 milhões de votos e ele elegeu também seu aliado Itamar Franco, deixando o petista Fernando Pimentel fora da disputa. “Ele superestimou a capacidade dele em Minas, subestimou a capacidade do próprio governo e não olhou adequadamente para 2012. A eleição de 2012 já mostrava sinais de desgaste, o PSDB perdeu prefeituras importantes no Estado”, explica o cientista político.

A esperança do PSDB no Estado é que a reação esboçada por Aécio nas últimas pesquisas em território nacional traga de volta para o tucano, oposição mais tradicional ao PT, os eleitores que migraram para Marina Silva no chamado voto útil. “Há um sentimento majoritário em Minas contra o PT. Quando a Marina despontou em segundo lugar, as pessoas migraram”, afirma Pestana que tem a esperança de que uma reação de Aécio traga de volta para o tucano, oposição mais tradicional ao PT, os que migraram para Marina no chamado voto útil.

Desde que perdeu espaço para Marina Silva, Aécio passou a se dedicar mais a Minas Gerais. Sua presença no Estado e no programa eleitoral de Pimenta da Veiga se intensificaram e sua irmã, Andréa Neves, considerada estrategista importante para os tucanos, passou a se dedicar mais ao Estado. “Agora o Aécio está mais presente no programa do Pimenta, nas publicidades do Pimenta e do Anastasia. Há um momento novo e, dependendo das próximas pesquisas, na hora que o pessoal perceber a chance da virada do Aécio, isso vai ser uma grande motivação aqui em Minas”, disse Pestana.

Marco Antônio Carvalho Teixeira acha que é válida a estratégia de Aécio de concentrar esforços em Minas, já que Aécio tem potencial para crescer no Estado. O cientista político ressalta, porém, a força do governo federal em municípios do interior. “Minas tem 853 municípios e boa parte deles depende sobretudo do governo federal, não do estadual. O efeito das políticas sociais em Minas é muito grande. A batalha em Minas não é tão fácil quanto se imagina”.

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