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Coluna – A Loja do Diabo

Loja 302. Final do corredor apontou o vigia balofo de gravata desajeitada com o corpo curvado para não se levantar da cadeira. Para aquele Pastor tudo cheirava a pecado, um bando de gente destruindo o pulmão assoprava nicotina pelos ares, outros jogavam sinuca em um bar sujo tendo um velho de chapéu rasgado tocando acordeom em troca de moedas, duas mulheres subiram uma escada, seus vestidos eram curtos deixando a mostra suas intimidades sem preocupações. Está escrito no salmo tal, que tal coisa acontecerá. Capitulo dez, versículo quinze, assim seguia o Pastor declamando seus trechos decorados e confusos, um pedinte lhe estendeu a mão querendo esmola, precisava tomar uma pinga, mas o Pastor desviou-se ríspido e foi trombar com um batedor de carteira que lhe arrancou do bolso traseiro sem que percebesse. Aquele chão devia estar infestado de demônios, as paredes pareciam gritar palavrões e ofensas a Deus. Continuou o Pastor na sua angustia interior nos seus passos apressados até chegar ao numero indicado pelo vigia gordo. Olhou para o inicio do corredor certificando-se que não avistava nenhum suspeito e tirou o pigarro da garganta. Cumprimentou o atendente que estava de cabeça baixa com o dedo no celular, entrou desconfiado. Um grande cartaz na parede a esquerda mostrava a ex-chacrete Rita Cadillac nua em uma posição bastante a vontade, retirou os olhos da cena e virou-se ao atendente que estava na mesma posição mergulhado no celular. Se sentindo seguro fixou e admirou cada pedaço daquela mulher, lembranças vieram prazerosas, outrora quando ela tinha cabelos pintados e um pequeno maiô, dançando a musica do “Ursinho Blau-Blau”. Havia mudado o rosto não tinha aquela jovialidade que a televisão mostrava aos sábados a tarde, mas o resto estava melhor. Seus passos foram sendo guiados para os fundos, mas a cabeça ainda se voltava para sentir o olhar da ex-chacrete lhe incendiando, tinha outras tantas mulheres nas prateleiras, se atrevia a tocá-las, espichava o pescoço até a frente e o atendente ainda estava colado com as mãos no celular. O Pastor andou um pouco mais, imaginava aquelas americanas lambuzadas de gel, conversava com as velhas atrizes que se mostravam sem pudores e achou Gretchen na mesma situação da ex-chacrete, um imenso banner onde se lia “CONGA” estava de quatro patas feito cadela nucio. O Pastor voltou a usar o flashback, a morena de pernas roliças tocava nos auto falantes do parque onde ele passeava com os pais. Houvera situações de extrema intimidade entre os dois, ele permitia a recordação com um sorriso sagaz, aconteceu quando ganhara de um tio uma revista repleta de fotos da morena totalmente sem roupas. Nesta época se apaixonara perdidamente e por muito tempo sofrera a dor da traição quando ela trocava de maridos. Dentro da loja vivia o paraíso do diabo, com a liberdade pervertida havia esquecido os Salmos e os Provérbios, estava voando com o sangue pulsando nos corpos cavernosos, entre tantas figuras pecaminosas, mas não conseguia sentir que estava pecando… Aquele diabo era bom. Descobriu também uma garota que vira nos palcos de um programa de auditório, loura, linda, corpo forte e um vídeo caseiro em que ela passava em uma tela próxima. O Pastor decidiu pelos filmes que levaria, diferenciou as mulheres, pelas nacionalidades, cores e alturas, dez ao todo. Pediu perdão a Deus por estar sendo usado pelo demônio, mas não queria escapar daquela tentação, afinal de contas a viagem da esposa e dos filhos duraria todo o final de semana. 

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
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