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Coluna – Carta ao amigo Santoro

E ai velho, se lembra da ultima vez que conversamos? O mercado estava cheio e tomamos uma cachaça, você dizia que tudo era um grande caos e ao nosso lado estava repleto de pessoas inúteis. Lembrou-se de um incêndio que lhe queimara documentos inclusive uma peça de teatro que escrevia com o titulo: “O homem que mordeu o cachorro”. Passaram-se alguns dias e você sem das às caras, agora nos aparece no horário do almoço cantando no Jornal, a seguir a repórter sem expressão de dor anuncia que você está morto! Vacilo hein cara, em plena segunda feira? Você deveria ao menos ter tomado um suco de maracujá e dormir algumas horas sem precisar ser para sempre. Tudo bem, mas foi apoteótica aquela chegada, como sempre quis, mas nunca disse,  entrar no Centro Cultural nos braços do povo, e que povo cara! Cada um ali trazia na bagagem uma extensa ficha de sucessos pelas ondas do Rock n Roll, houve choros abertos, outros mais tímidos com lágrimas pingando, mas a face resistindo para não desconfigurar. Os intrínsecos ficaram dando voltas e soprando como se fumasse um baseado a caminho do cine Fatima para ver o “Rock da Cidade”, as horas caminhavam… À noite na praça não tinha cara de morte, duas meninas se beijavam ardentes  e alguns cães latiam um bêbado tentando subir as escadas do Coreto. Você permaneceu em silêncio, com um terno preto que não tinha cheiro de naftalina, flores brancas se distribuíam harmonicamente dentro da caixa, coroas com nomes de amigos estavam por toda parte. Sholmes e Ricardo Viana relembravam seus sucessos, Aroldo Pereira cantava meio punk e André Águia não tocava blues, mas com sua blusa azul dedilhava saudoso, Adilson Cardoso gritou um poema no centro em erupção e as folhas se soltaram nos aplausos, Marlene Bandeira declamou com gestos teatrais e outros muitos diziam  histórias, quem não sabia sobre suas peripécias apenas ouvia. Confidenciaram que a “Rapariga do Bom Fim” andou  de luto pelas ruas da Maiada e não quis aceitar um programa de dez reais. Ainda bem que o pagamento só sai daqui ha duas semanas, se não Aldair estaria virando aquele litro de “Cowboy” e dizendo que a vida não presta. Do outro lado do mundo sua foto apareceu na Internet, “Morre a lenda do rock montes clarense”. No Face book estão lhe desejando a paz eterna, e nós precisamos superar essa dor.  Lipa Xavier se deixou  cair na noite, a madrugada não estava fria, mas  Jorge Takarrashi tinha um macacão branco  sujo de grama molhada, para Karol tudo de ruim que acontece no mundo é culpa do individuo, ainda que esse individuo se junte a outros e se torne coletivo. Pois é cara, é isto que precisava lhe contar já que você com seu ar esnobe foi embora assim, sem se despedir de ninguém, mas acredite que fará muita falta. Diz para Jorginho, Gabriel, Cory e Regi que apesar da saudade estamos todos bem! Abraços de todos nós da Arte e da Cultura desta Montes Claros que semana que vem é Psiu-Poético.

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
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