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Defasagem dos combustíveis cresce com alta do dólar

O risco de aumento de capital da Petrobras continua no radar de analistas do mercado e essa possibilidade aumentou com a recente valorização do dólar. Um relatório do HSBC diz que, se não houver mudança em sua política de investimentos ou de preços de combustíveis, a estatal pode ter de passar por outro aumento de capital “com consequente diluição de acionistas”.
Relatório do HSBC diz que, se não houver mudança em sua política de investimentos ou de preços de combustíveis, a estatal pode ter de passar por outro aumento de capital
Relatório do HSBC diz que, se não houver mudança em sua política de investimentos ou de preços de combustíveis, a estatal pode ter de passar por outro aumento de capital

Karina Freitas, analista da Concórdia, diz que o desempenho das ações da Petrobras vai depender da adoção de uma política de preços mais condizente com as necessidades da companhia. Ela também trabalha com a possibilidade de aumento de capital.

A trajetória de valorização do dólar, que, na quarta-feira,01, fechou em alta de 1,39% no balcão, a R$ 2,4840, maior cotação desde 8 de dezembro de 2008, traz um risco adicional nesse sentido. “A empresa tem uma exposição importante à moeda estrangeira, considerando o relevante volume de importação de derivados e de dívida no exterior”, explica Karina. “Se o dólar continuar subindo, será maior a chance de aumento de capital.”
“A Petrobrás hoje não gera caixa suficiente para suas necessidades de investimento e obrigações de dívida. E a gente sabe que a empresa ainda paga dividendos.” Nesse caso, a analista vê alto risco de diluição dos acionistas minoritários, devido à operação feita em 2010, que trouxe perdas aos investidores.
O relatório do HSBC diz que, em um cenário de taxa de câmbio a R$ 2,50, a Petrobrás precisaria reajustar os preços dos combustíveis em 15% para compensar as perdas no segmento de refino, no cálculo dos analistas Luiz Carvalho e Filipe Gouveia, que assinam o documento. A tese deles é a de que a petrolífera tem uma correlação inversa dos lucros à desvalorização do real, por causa da política de preços vigente e do impacto que uma mudança na classificação de crédito pode ter sobre sua alavancagem. Além disso, cerca de 80% de sua dívida tem exposição ao câmbio, de acordo com o relatório.
“(A presidente) Dilma (Rousseff) tem uma posição pública a respeito desse tema… Ela acredita que o Brasil não deve ter paridade nos preços dos combustíveis para evitar criar volatilidade nos preços domésticos”, acrescentam. A recomendação do banco para a ação preferencial da estatal é neutro (em linha com o mercado), com preço-alvo de R$ 19.
Segundo Carvalho e Gouveia, investidores questionam se o nível de produção pode compensar os prejuízos no refino. Eles fizeram um estudo no qual concluíram que um aumento de 10% na gasolina parece ter o mesmo impacto de um acréscimo de 100 mil barris diários na produção, enquanto 10% de alta no preço do diesel tem impacto cerca de três vezes superior.
Eles salientam que o aumento na produção leva a uma alta nos investimentos, enquanto a elevação nos preços dos combustíveis tem impacto imediato na geração de caixa, com risco baixo e sem exigência de investimento. “Isso ilustra o efeito que a intervenção do governo na política de preços pode ter nos resultados da empresa.”
Bruno Gonçalves, analista da Alpes/WinTrade, diz que, mais do que o reajuste no combustível, já esperado pelo mercado, a Petrobrás necessita de uma política de preços mais transparente. Segundo ele, a volta da Cide faria com que o efeito de um reajuste no combustível sobre a Petrobrás fosse menor ou “até mesmo nulo”.

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