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Coluna – Da caverna rumo a Montes Claros

Deixou a caverna, na Serra do Espinhaço, em Grão Mogol, onde de dia tem a companhia de passarinhos e de vez em quando passa uma lagartixa em busca dum petisco, e à noite conversa com as estrelas e elas se deixam contar e lá pelas tantas nem sabe quantas durma.

Deixou a caverna para ir a Montes Claros. Era um pé lá e outro cá, como dizia a mãe Elvira, que faria mais um ano se viva fosse, no dia 16 deste mês de outubro. Mais uma vez teve de enfrentar os desafios da BR 251, que precisa ser duplicada, urgentemente para evitar mais problemas.

O tráfego da bendita BR é intenso. É carreta pra lá e carreta pra cá, carregadas de hélice dos cataventos que captam a energia dos ventos, energia eólica, carga importante. E muitas outras cargas mais, que levam a refletir por que cargas d’água o governo federal ainda não duplicou a estrada até hoje. Está esperando o quê?!

Das infrações de trânsito mais perigosas a de menor perigo é quando o motorista trafega na mão certa e de longe, mas nem tão longe assim, divisa um carro que vem na contramão, tendo do lado uma carreta para ultrapassar. E o carro vem, vem, vem chegando e no último momento consegue vaguinha pra entrar na mão certa e então todos respiram aliviados.

Mas tudo vai bem quando se tem as graças de Deus e um motorista competente e seguro, daqueles que só ultrapassam em momentos adequados. Mas o tal do congestionamento de carretas principalmente nas subidas é um atraso de viagem. O tempo perdido nos congestionamentos pode ser mais bem empregado para pensar e repensar e até enxergar o quanto seria bom, o tanto que economizaria de vidas humanas e bens materiais a duplicação desta BR bendita.

Enfim, Montes Claros a vista e todos sãos e salvos. O calor, como sempre, era de sufocar. Se ventasse na cidade, talvez não sentíssemos tanto o calor. Ao contrário de Grão Mogol, onde venta muito, a gente nem sente tanto o calor do sol. Aqui, e lá na caverna também, o vento é considerado um anestésico do sol, queima tanto quanto em Montes Claros.

O compromisso era lá na Avenida Coronel Lopinho, no bairro Morada do Parque, atrás do Parque Municipal. Foi a caminho do endereço que, como montesclarino legítimo, nascido na Santa Casa de Misericórdia pelas mãos de Irmã Beata, foi surpreendido com o crescimento de Montes Claros.

Recordou-se de que quando vivia no torrão natal os dias eram belos como belíssimos são ainda hoje em dia; éramos felizes e sabíamos ser felizes. Mas naquela época, o Parque Municipal era o limite. E para se chegar ao Parque Municipal pela via da Avenida Mestra Fininha, o percurso era de mato por todos os lados. Nada além de mato havia depois do parque.

Qual não foi o espanto ao constatar o quanto onde era mato foi urbanizado nas últimas quatro décadas. Menos até, muito menos, porque 42 anos faz da partida para Belo Horizonte, e o que é visto atrás do parque, o bairro Morada do Parque, surgiu há muito menos tempo.

Convenceu-se de que não conhecia mais Montes Claros. Se fosse abandonado em determinados lugares da cidade ficaria perdidinho da Sílvia, porque é tudo novo. Evidentemente, melhor teria sido a permanência da paisagem antiga, quando se podia namorar às escondidas no interior e nos arredores do parque.

Quando em Montes Claros vivia as serras que eram de fato claras ficavam longe, muito longe. Atualmente, pelo que se pode divisar na linha do horizonte, a cidade tende a escalar os montes em meio à secura do semiárido, que parece estar mais para árido.

Sem querer espalhar notícia apocalíptica, mas só a título de observação, se Montes Claros continuar crescendo, ou o termo melhor seria inchando?, chegará o dia – e o dia já chegou – em que os moradores premidos pela insegurança pública ficarão fechados em seus cofres, quer dizer, em casas e nos apartamentos, correndo o risco de grupos do lado de fora o tempo todo tentarem entrar para cometer toda sorte de desatinos.

A solução dos problemas sociais, em todos os lugares do Brasil, tarda. Enquanto isso, os governos e a sociedade responsáveis pela geração dos problemas a cada dia mais vão se tornando vítimas e algozes de si mesmos.

Por Alberto Sena

Alberto Sena
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