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Corpo do ator e diretor Hugo Carvana é cremado no Rio

O corpo do ator e diretor Hugo Carvana foi cremado, na manhã desta segunda-feira (6), no Memorial do Carmo, no Caju, na Zona Portuária do Rio. A cerimônia foi fechada para parentes. Mas atores e amigos de Carvana estiveram no local para se despedir dele, antes da cremação.

O ator estava internado desde o último domingo (28), em Botafogo, na Zona Sul, com câncer no pulmão. No sábado (4) seguinte, Hugo Carvana faleceu. O corpo começou a ser velado às 9h deste domingo (5) no Parque Lage, na Zona Sul. Martha Alencar, mulher do ator, se emocionou ao dizer que o marido era um homem que amava o Brasil.

Caixão de Hugo Carvana é velado com vários objetos significativos para o artista (Foto: Mariana Cardoso/ G1)
Caixão de Hugo Carvana é velado com vários objetos significativos para o artista (Foto: Mariana Cardoso/ G1)

“Ele era um carioca suburbano autêntico, que adorava uma discussão, um cara que expressou a alma carioca de maneira humorística. Um companheiro de vida e de luta.
Nesses 40 anos nossa relação foi muito mais que a relação de marido e mulher, nós éramos companheiros e amigos”, completou Martha.

O caixão de Hugo Carvana foi coberto por uma bandeira do Fluminense, uma de suas paixões, e rodeado por objetos que marcaram momentos da vida do ator. Pedro, primogênito de Hugo, contou que o presente foi entregue pela própria diretoria do clube e que os demais objetos que decoravam o local, como cartazes e porta retratos, foram trazidos por ele e seus irmãos.

“As homenagens prestadas ao meu pai foram feitas com amor e com pedaços de momentos que ele deixou através das lentes, que ficaram refletidos nos filmes dele”, disse Pedro Carvana.

Rita Carvana, filhe de Hugo, estava vestida com a camisa do Fluminense, uma das grandes paixões do seu pai. Segundo ela essa era mais uma forma de homenageá-lo. “Essa camisa eu peguei no armário dele”, contou. Sobre a carreira profissional do pai, ela disse que ele era um apaixonado pelo o que fazia.

“Meu pai sempre que lançava um filme ele já tinha outro em mente. Nós sempre achamos que ele morreria fazendo o que amava, produzindo, atuando ou escorrendo”, disse Rita Carvana, filha de Hugo.

Segundo o ator Chico Diaz, Carvana era um grande poeta. “Ele era um poeta exemplar e um legítimo representante do povo. Uma figura ímpar, muito humano e que me ensinou muito do que eu sei hoje”, disse o ator.

O auxiliar de produção Carlos Henrique do Nascimento era fã de Carvana há muitos anos. Ele acompanhava o velório com um cartaz em homenagem a ator. “Cheguei aqui às 6h30, vim prestar minha homenagem a esse grande ator. Ele vai deixar muita saudade”, disse Carlos Henrique.

Ao longo da carreira, iniciada em 1955, Hugo Carvana ficou marcado por retratar o típico “malandro carioca” em suas comédias de costumes. Foi ator de mais de 50 filmes. Dentre as produções que dirigiu, estão “Vai trabalhar, vagabundo” (1973), “Se segura, malandro” (1977), “Bar Esperança, o último que fecha” (1982), “O homem nu” (1996), “Casa da mãe Joana” (2007) e “Não se preocupe, nada vai dar certo” (2009).

“Ele não era somente um ator extraordinário, mas diretor, um intelectual que pensava o Brasil. É uma coincidência triste: Carvana era como José Wilker, um autor, pensava as coisas do Brasil, do cinema, tinha interesse grande pelo estado do mundo”, disse o cineasta e grande amigo Cacá Diegues, lembrando a morte do também ator e diretor José Wilker, em 5 de abril passado (veja a repercussão da morte de Hugo Carvana).

Família
Familiares de Hugo Carvana lembraram da luta do ator e cineasta desde o primeiro câncer no pulmão direito, em 1996. Na porta do hospital onde se tratava, filhos agradeceram o apoio dos amigos.

“Em nome da família a gente quer agradecer as manifestações dos amigos. O Carvana é um e diretor fundamental pra nossa cultura. O Carvana lutou o quanto pode e essa semana infelizmente ele partiu. A homenagem do Festival do Rio foi uma benção. Recuperaram o negativo do primeiro filme dele dirigido em 54. O filme vai passar amanhã [domngo] em Guadalupe. É uma bela homenagem a ele. Ele estava muito feliz com essa edição do festival”, disse Júlio Carvana.

Outra filha, Maria Clara disse que Carvana estava otimista com o tratamento. “Ele estava lúcido, super feliz que o festival estava fazendo essa homenagem a ele. Ele estava muito esperançoso de que ia sobreviver. Ele lutou muito. Os últimos dias foram difíceis mas ele foi forte e lutou muito pela vida”, comentou.

Segundo ela, o primeiro câncer foi há 18 anos, no mesmo pulmão direito. “Ele fazia exames regularmente. Ele já tinha parado de fumar cigarro. Agora nesses últimos seis meses ele fumava charuto e a gente brigava”, disse Maria Clara. “Ele era a alegria. Meu pai levava a vida com muito humor. Era alegre, boêmio, gostava de viver e prezava na vida os amigos, a família”, acrescentou.

Além de Júlio e Maria Clara, Hugo Carvana era pai de Cacala e Pedro e deixa viúva a jornalista Martha Alencar.

Hugo Carvana acena para foto durante o Festival de Cinema de Brasília, em 10 de julho de 1991. Diretor fez filmes como 'Vai trabalhar, vagabundo' e 'Bar Esperança' (Foto: Protásio Nene/Estadão Conteúdo)
Hugo Carvana acena para foto durante o Festival de Cinema de Brasília, em 10 de julho de 1991. Diretor fez filmes como ‘Vai trabalhar, vagabundo’ e ‘Bar Esperança’ (Foto: Protásio Nene/Estadão Conteúdo)

Homenagem no Festival do Rio
No último sábado (27), o Festival do Rio realizou uma sessão especial de “Vai trabalhar, vagabundo”, com cópia restaurada. Os quatro filhos de Hugo Carvana – todos com a jornalista e agora viúva Martha Alencar – estavam presentes: Júlio, Cacala, Rita e Pedro Carvana. Devido à saúde debilitada, o cineasta não pôde comparecer.

“Em nome da família a gente quer agradecer às manifestações dos amigos. O Carvana é um e diretor fundamental para nossa cultura. O Carvana lutou o quanto pode e essa semana infelizmente ele partiu. A homenagem do Festival do Rio foi uma benção. Recuperaram o negativo do primeiro filme dele dirigido em 54. O filme vai passar amanhã [domingo] em Guadalupe. É uma bela homenagem a ele. Ele estava muito feliz com essa edição do festival”, disse Julio Carvana, um dos filhos, no hospital.

Na TV Globo, atuou também em novelas como “Corpo a corpo” (1984), “Roda de fogo” (1986), “O dono do mundo” (1991), “De corpo e alma” (1992), “Fera ferida” (1993), “Celebridade” (2003) e “Paraíso tropical” (2007). Um de seus papéis mais conhecidos foi o do repórter policial Valdomiro Pena, do seriado “Plantão de polícia” (1979-1981).

Seu último trabalho como diretor foi “Casa da mãe Joana 2” (2013). Como ator, fez parte do elenco de “Giovanni Improtta” (2013), de José Wilker.

Hugo Carvana nasceu no dia 4 de julho de 1937, filho da costureira Alice Carvana de Castro e do comandante da Marinha Clóvis Heloy de Hollanda. Era “um ilustre suburbano de Lins de Vasconcelos, que nunca renegou sua origem simples”, conforme destaca o perfil no site oficial. O texto reforça que o ator e diretor ficou marcado em sua trajetória por ter “um quê de malandragem”.

Na juventude, para conseguir entrar no estádio e torcer pelo Fluminense, costumava se disfarçar de vendedor de balas e ambulante. “Figura obrigatória nas mesas dos bares da noite carioca, cultivou amizade com grandes nomes da boemia e das artes – Roniquito, Ary Barroso, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, foram alguns”, diz o perfil.

“Através dessa vivência criou personagens que povoam o universo carioca, como o malandro Dino em ‘Vai trabalhar vagabundo’.” A primeira vez em que viveu esse tipo de personagem foi em “O capitão Bandeira contra o dr. Moura Brasil” (1970), de Antônio Calmon.

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