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Coluna – Fiscais de Postura

Se encontrar com a mesma pessoa pode ser coincidência, uma vez, mas duas, três vezes pode ser poder ser anormal dentro de algumas situações. Foi assim com Artur, que passará grande parte dos anos finais de vida em um Manicômio Judiciário. Tudo começou quando um estresse mental lhe tirou do serviço para uma consulta ao Psiquiatra. – Doutor, mas é preciso mesmo este atestado? – Sim seu Artur, está cheio de casos como o do senhor que acaba em internações prolongadas! Seria apenas dois dias, nada de medicamentos, só repouso e um total desligamento do trabalho. Mini férias para o seu bem. A coisa que ele mais gostava fora do trabalho era pescar e tomar cerveja, mas pescar com apenas dois dias de folga, mal daria para montar a barraca e armar as redes, então beberia longe da mulher e dos filhos que lhes cobravam regras. A saída estava na casa de um parente em cidadezinha próxima com pouco mais de cinquenta quilômetros. Um bilhete sobre a mesa explicando as recomendações medica e um numero de telefone para qualquer necessidade de contato. Já na cidade Artur abdicara de uma hospedagem na tal casa dirigindo-se a uma pensão singela que tinha um bom quarto e um bar na parte de baixo. Adeus cansaço mental, adeus problemas estou no paraíso. Pensava tomando uma cerveja e olhando as pessoas passarem com suas roupas coloridas, grande parte falava ao celular, coisa que ele abominava, mas não queria se meter onde não lhe cabia. Pediu outra cerveja, apontou para a estufa e escolheu um pedaço gorduroso de costelinha de porco para tomar um aperitivo, na parede leu vagarosamente uma placa que dizia “Fiado só para maiores de 99 anos acompanhados pelos pais” retirou os olhos do letreiro e percebeu uma senhora curvada de bengala como apoio, cabelos brancos e andar lento, ao seu lado uma moça bonita, forte de cabelos amarrados trajando branco, podia ser uma enfermeira. De volta ao cartaz chegou à conclusão de que seria impossível, uma pessoa estar acompanhada dos pais com esta idade. Tomou mais uma cerveja e levantou-se para questionar, o comerciante calmo, ordinariamente com seu pano encardido nos ombros, um jaleco azul e um bigode português, disse que se tratava de uma maneira educada de avisar que não vendia fiado a ninguém. Artur se achando especial quis saber se ele estaria incluído no ninguém, se estivesse, que fizesse lhe o favor de riscar seu nome da lista, já que não precisava da sua benevolência. Antes que a coisa andasse para a agressão física um policial que tomava uma cachaça escondido atrás da refresqueira colocou fim a discussão ameaçando o cliente se não saísse dali imediatamente, Artur se foi sem direito a alugar o quarto para pernoite, mas antes de pisar na rua notou uma figura escrevendo freneticamente sobre um bloco de papeis, usava camisa vermelho abobora e uma calça jeans, um rosto peculiar sendo uma cara redonda e uma careca lustrada. Na porta voltou a olhar aquele rosto suspeito e pôs-se a rodar com o carro sem destino, passando por ruas pequenas, calçadas, esburacadas, ruas onde pessoas não se incomodavam com os automóveis, até parar em frente a outro bar de duas portas largas e uma sinuca em primeiro plano. Mas quando abriu a porta do carro um dos jogadores lhe chamou atenção, o rosto peculiar, a cara redonda e a careca brilhante. Mas a camisa não era vermelho abobora e a calça não era jeans. Olhou fixamente para o jogador que não tinha lhe visto, mas ao anotar que o encarava, encarou também e ficaram se olhando feito lutadores de MMA. Artur se rendeu, entrou no carro acreditando ser o gordo informante daquele dono do primeiro bar. Continuou dando voltas, ligou o som do carro e aumentou o volume para ouvir Rio Negro e Solimões, tinha o efeito do álcool na cabeça e cantava com a musica, Em frente à Igreja havia um supermercado que na sua metade era bar, adentrou se esquecendo das contendas interiores, pediu a cerveja e foi usar o banheiro assobiando a canção que tocava no radio. Ao concluir o ato mictório, baixou a cabeça que ordinariamente fica no teto para evitar cenas não planejadas e viu aquela irreconhecível cara gorda de careca lustrosa, daquela proximidade percebia-se claramente um suor de culpa escorrer pela face obesa. Artur sem pestanejar esperou que o homem se virasse para lhe acertar furiosamente com pedaço de cano solto que estava mergulhado na urina, depois mais um golpe e mais um chute até chegar urinantes que o seguraram para a Policia. O homem fora socorrido no Pronto Socorro e Artur no alto do surto descobrira que o cara que o seguia, não era apenas um, mas sim os trigêmeos Fiscais de Postura da Prefeitura.

Por Adilson Carodoso

Adilson Cardoso
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