Inicio » Política » Eleições 2014 » Eleições 2014 – Aécio fez ‘aposta arriscada’ no antipetismo, dizem analistas

Eleições 2014 – Aécio fez ‘aposta arriscada’ no antipetismo, dizem analistas

A derrota de Aécio Neves (PSDB) por uma estreita margem na eleição para presidente indica o fracasso de uma estratégia arriscada, em que o ex-governador de Minas Gerais construiu alianças e apostou no sentimento antipetista presente em vários setores da sociedade brasileira, dizem analistas ouvidos pela BBC Brasil.

Aécio chegou a ficar em terceiro lugar nas pesquisas durante o primeiro turno
Aécio chegou a ficar em terceiro lugar nas pesquisas durante o primeiro turno

Por outro lado, apesar da derrota, o resultado da eleição representa, ainda assim, um triunfo para os tucanos. Esse foi o melhor resultado do PSDB em eleições presidenciais desde a saída do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

“Era uma aposta arriscada porque tinha que ver se o antipetismo ia crescer, já que, ao mesmo tempo, juntamente com esta aposta, crescia a rejeição a Aécio. Era tudo ou nada”, disse à BBC Brasil Wilson Gomes, cientista político da UFBA.

“A questão era saber se esta força era maior do que o petismo ou não. As pessoas não estão votando propriamente em Aécio, mas ele aceitou ser a referência deste sentimento”, opina.

Ricardo Ismael, cientista político da PUC do Rio de Janeiro, concorda: “Ele mobilizou o eleitorado que está cansado e tem uma grande rejeição ao PT, o que é natural pelo desgaste que traz todo governo. Ele capitalizou um pouco esse voto, um voto antipetista e antidilma”.

Articulação, economia e debates

Outro elemento destacado pelos analistas na estratégia aecista foi a capacidade de articulação política do ex-governador, que criou uma base ampla de apoio contra Dilma.

Aécio, que chegou a figurar em terceiro nas pesquisas durante o primeiro turno, conseguiu reverter a situação e no segundo turno passou a contar com apoios de peso, como o da ex-candidata Marina Silva – que chegou a ameaçar Dilma –, do PSB, o partido de Marina, e de políticos com destaque nos Estados.

“Ele fez uma situação de bastidores excelente. Construiu alianças excelentes, como no Rio, com o (governador eleito Luiz Fernando Pezão), que formalmente apoiava a Dilma, mas jogava pelo Aécio também. A sua articulação de bastidores foi muito forte”, diz Carlos Pereira, cientista político da FGV do Rio de Janeiro.

“Ele construiu um ótimo suporte político nacional, com palanques fortes. Ele também conseguiu unificar o partido em São Paulo, o que era raro. Ele mostrou resiliência, mesmo em situações em que ele era considerado carta fora do trabalho. Teve muita capacidade de acreditar em si mesmo.”

“Além disso, fez discurso muito forte no que diz respeito ao resgate do equilíbrio macroeconômico para colocar o Brasil na rota do crescimento e assumiu compromissos críveis de manutenção do pacote de proteção.”

Ricardo Ismael destaca que, no trabalho de articulação, Aécio foi beneficiado pela força da máquina partidária, que “lhe deu uma vantagem maior” para conseguir apoio dos eleitores no Sudeste, a fim de compensar uma derrota no Nordeste.

“Ele também se saiu bem nos debates, que é um momento de comparação e muita gente gosta de decidir por isso.”

Lulismo
Apesar de elogiada pelos analistas, a estratégia de Aécio não foi capaz de vencer a força do projeto político lançado pelo PT na chegada de Luiz Inácio da Silva ao governo, em 2003: o Lulismo.

A vitória de Dilma voltou a evidenciar as falhas tectônicas que já vem se tornando tradicionais na política brasileira. A petista ganhou no Nordeste e no Norte, onde as políticas sociais do governo garantem sua popularidade especialmente em meio à parcela mais pobre da população. Por outro lado, Aécio venceu no Sudeste e no Sul, e isso não foi suficiente para lhe garantir a Presidência.

Além disso, a petista voltou a vencer com folga entre a população com menor faixa de renda, mas a vantagem não foi suficiente para compensar a superioridade de Aécio nos demais grupos.

O Lulismo, segundo artigo do sociólogo da USP Fábio Cardoso Keinert, atualizou um modelo político em voga no Brasil desde o começo do século passado: a crença de que a mudança do país dependia da conciliação entre correntes ideológicas distintas e que caberia ao Estado agir com “benevolência” para sanar os problemas sociais.

A novidade do Lulismo em relação a correntes anteriores, diz Keinert, foi sustentar-se na massa de indivíduos que viram suas vidas melhorarem com programas sociais de Lula, como o Bolsa Família. As reformas se deram, contudo, sem a mobilização dessa “vasta camada de subproletários”, baseada sobretudo no Nordeste, diz o sociólogo.

A adesão desses eleitores mais do que compensou a perda de apoiadores históricos do PT, em sua maioria grupos escolarizados do Sudeste, que abandonaram a sigla após sua guinada ao centro e aos escândalos de corrupção nas administrações petistas.

Em 2010, a vitória de Dilma Rousseff mostrou que, embora dependesse de Lula, o movimento poderia ganhar eleições sem que ele estivesse pessoalmente na chapa.

Dilma manteve os padrões de votação da reeleição de Lula, tendo contado com expressivo apoio entre os brasileiros mais pobres.

BBC Brasil

------------------------------------------------------------------------

Se você é a favor de uma imprensa totalmente livre e imparcial, colabore curtindo a nossa página no Facebook e visitando com frequência o site do Jornal Montes Claros


------------------------------------------------------------------------

------------------------------------------------------------------------

Leia Também

MG - Jovem inventa que mãe está passando mal para estuprar vizinha

MG – Jovem inventa que mãe está passando mal para estuprar vizinha

Compartilhar no WhatsApp* Por: Jornal Montes Claros - 5 de dezembro de 2016.MG – Jovem …


Aviso: nossos editores/colunistas estão expressando suas opiniões sobre o tema proposto, e esperamos que as conversas nos comentários sejam respeituosas e construtivas. O espaço abaixo é destinado para discussões, para debatermos o tema e criticar ideias, não as pessoas por trás delas. Ataques pessoais não serão, de maneira nenhuma, tolerados, e nos damos o direito de excluir qualquer comentário ofensivo, difamatório, calunioso, preconceituoso ou de alguma forma prejudicial a terceiros, assim como textos de caráter promocional e comentários anônimos (sem um nome completo e email válido).



2 comentários

  1. Apesar de ter quase cinco anos de facebook vi meu nome sendo escluído por motivos politicos por militantes deste candidato que usaram de diversas formas para aplicar um golpe na nação. São mentirosos e triçõeiros, não os quero mais nem como amigos do face. A militancia petista vai se fortalecer ainda mais e traremos Lula de volta em 2018 para acabar definitivamente com utopia do PDSB de fazer de novo um presidente. O PSDB acabou por criar um grupo petista ainda mais radical que será uma pedra a mais no seu sapato. no mais vão ter que engolir o governo (legitimo da DIlMA por mais quatro anos). Minas foi fiel e inteligente pois agora temos o governador e presidente mineiros e demos um basta ao imperialismo tucano. Aécio falhou e não representará mais nenhum perigo em 2018. A estrela dele já está se apagando e se depender de nós ela ira se ecxinguir de vez.

  2. Traiçoeiros em vez triçoeiros, dá para corrigirr?