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Saúde – Mutações genéticas explicariam convulsões atribuídas à vacina tríplice

Cientistas dinamarqueses descobriram a existência de uma pré-disposição genética que pode explicar porque algumas crianças podem ter convulsões febris após a aplicação da vacina combinada SPR (contra sarampo, papeira – ou bócio – e rubéola).

Cientistas revelam que as seis mutações analisadas até agora só representam uma pequena parte de causas genéticas suscetíveis de favorecer as convulsões.
Cientistas revelam que as seis mutações analisadas até agora só representam uma pequena parte de causas genéticas suscetíveis de favorecer as convulsões.

As convulsões febris ocorrem nas crianças quando elas apresentam febre alta e podem durar de um a cinco minutos, antes de os pequenos voltarem à normalidade. No geral, a crise não se reproduz, nem tem consequências para o cérebro.

Estas convulsões não estão relacionadas a crises de epilepsia, que ocorre na ausência de febre.

Em um estudo publicado nesse domingo (26) na revista britânica Nature Genetics, os cientistas mostraram que cerca de uma criança em cada mil apresentam convulsões febris depois de tomar a vacina tríplice viral.

Para Bjarke Feenstra, principal autor do estudo, não se pode questionar a eficácia desta vacina tríplice, “que evita a morte de um milhão de crianças a cada ano no mundo”.

“Os resultados de estudos como o nosso deveriam levar à criação de vacinas ainda mais seguras”, destacou o cientista em e-mail enviado à AFP.

Ao estudar o perfil genético de 1.300 crianças dinamarquesas que tiveram convulsões febris após receber a vacina tríplice e compará-las a 5.800 crianças que não tinham sido vacinadas e 2.000 que sofreram convulsões não vinculadas à vacina, os cientistas identificaram várias mutações genéticas que favorecem as convulsões.

Duas delas estão relacionadas aos genes que desempenham um importante papel na forma como o sistema imunológico reage aos ataques virais.

Outros quatro afetam os genes que comandam os canais iônicos implicados no funcionamento dos neurônios.

Segundo o estudo, as crianças que apresentam as últimas quatro mutações correm um risco cerca de quatro vezes maior de ter convulsões febris do que as crianças que não as têm.

No entanto, os cientistas revelam que as seis mutações até agora só representam uma pequena parte de causas genéticas suscetíveis de favorecer as convulsões.

Eles destacam, ainda, que as mutações só foram estudadas nas crianças dinamarquesas e que não sabem se exitem os mesmos riscos em outras partes.

Em 1998, um estudo publicado na revista médica britânica The Lancet teria semeado pânico no mundo anglo-saxão, ao relacionar a vacina tríplice com o autismo.

Embora o artigo tenha sido retirado depois, devido a “irregularidades”, o temor sobre esta vacina persiste entre os pais, muitos dos quais se negam a vacinar os filhos, sobretudo na Grã-Bretanha.

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