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Cinema – ‘Última testemunha’ de Treblinka mantém lembrança viva de campo nazista com filme e arte

Samuel Willenberg, o último sobrevivente conhecido do notório campo de extermínio nazista de Treblinka, está chegando ao final da missão de toda uma vida: relatar os horrores que viu no local.

Samuel Willenberg, último sobrevivente conhecido do campo nazista de Treblinka, assina uma de suas esculturas em 23 de outubro.
Samuel Willenberg, último sobrevivente conhecido do campo nazista de Treblinka, assina uma de suas esculturas em 23 de outubro.

Agora com 92 anos, sua história notável, tema de um documentário produzido pelo canal de televisão público de Miami, WLRN, está dando ensejo a esforços para completar essa missão erguendo um museu educativo na região do campo, em uma floresta de pinhos remota no leste da Polônia.

A Última Testemunha de Treblinka”, que vai ao ar na terça-feira, conta como Willenberg, um judeu polonês, tornou-se um trabalhador forçado em Treblinka, onde suas duas irmãs estavam entre os 900 mil judeus encaminhados para morrer. Ele escapou durante uma revolta no campo, um dos meros 100 judeus que sobreviveram ao local.

Um professor de história que ele conheceu no campo lhe disse: “Você não é como outros judeus, é loiro, sabe como sobreviver”, lembrou Willenberg em uma entrevista durante uma visita a Miami para uma pré-estreia do filme na semana passada diante de uma plateia lotada, boa parte dela formada por parentes de vítimas do Holocausto.

“Você tem que fugir disto”, ouviu do professor. “Sua missão será contar às pessoas o que aconteceu aqui”.

Willenberg, que depois da Segunda Guerra Mundial se mudou para Israel, casou-se e trabalhou durante 40 anos como funcionário público, dedicou sua aposentadoria a preservar as lembranças do que ocorreu criando uma série de 15 esculturas de bronze assombrosas, cada uma delas capturando uma cena do campo, e também conduzindo visitas educativas ao local.

Na terça-feira, Willenberg também será o convidado de honra, ao lado do presidente israelense, Reuven Rivlin, na abertura da exibição principal do recém-construído Museu da História dos Judeus Poloneses em Varsóvia, um projeto concebido para relembrar não somente como os judeus morreram na Polônia, mas como viveram.

Da população polonesa de 3,5 milhões de judeus antes da guerra só restaram algumas dezenas de milhares, e seu lugar na história e na cultura da nação foi em grande parte anulado.

Só recentemente a Polônia começou a se reconectar com seu papel histórico como lar de uma das maiores comunidades judaicas do mundo durante mil anos.

Ao contrário de outros campos de concentração nazistas, como Auschwitz, Dachau e Buchenwald, palcos de iniciativas para educar os visitantes, Treblinka ficou essencialmente abandonado depois que os nazistas o demoliram perto do final da guerra em um esforço desesperado de ocultar seus feitos.

“É um lugar muito comovente, mas não há nada para contar a história”, disse o diretor britânico do documentário, Alan Tomlinson.

Reuters

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