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“Amargo Pesadelo” no Cinema Comentado em Montes Claros

Neste sábado 01, o Cinema Comentado Cineclube inicia a programação cinematográfica de novembro com “Amargo Pesadelo” (1972), dirigido por John Boorman. Quatro amigos, Ed Gentry, Lewis Medlock, Bobby Trippe e Drew Ballinger, decidem descer de canoa um rio das florestas da Geórgia, antes que toda a região se transforme em uma represa. Depois de advertências dos habitantes locais, Drew participa de um “duelo de banjos” com um menino mudo e então eles iniciam a viagem. A princípio, encantam-se com a beleza da natureza e a força das correntezas. No entanto, no dia seguinte, as coisas começam a tomar um rumo pior quando Bobby e Ed decidem descansar na margem, depois de se separarem dos colegas. Dois montanheses armados saem da floresta, amarram Ed e um deles estupra Bobby. Lewis e Drew os resgatam, mas o ataque que sofreram muda totalmente o clima da viagem. Além disto, o rio fica cada vez mais perigoso.

“Amargo Pesadelo” no Cinema Comentado em Montes Claros
“Amargo Pesadelo” no Cinema Comentado em Montes Claros

Baseado no livro de James Dickey (também autor do roteiro), “Amargo Pesadelo” reflete as qualidades do suspense e do terror dos anos 1970: é um filme tenso, de fotografia impecável, ritmo preciso e tom pessimista. A cena do estupro de Bobby é bizarra e crua ao extremo, embora seja quase cômica pela situação apresentada na tela. A câmera de Boorman fica muito próxima dos personagens fazendo o público testemunhar tudo quase do ponto de vista dos protagonistas. Nas cenas em que os amigos descem o rio, o espectador praticamente é colocado dentro da canoa (junto com eles), embaixo da água, no penhasco… São poucas as cenas em que a câmera mostra os atores num ângulo mais afastado; quando isto acontece é para destacar a imensidão da selva e dos espaços em que eles se encontram.

A interpretação do elenco é outra qualidade da produção. Burt Reynolds, mais conhecido pelos papéis de galã em filmes de ação e comédia, se destaca – tanto o ator quanto o personagem têm uma grande presença de cena. Jon Voight equilibra o medo e a raiva de Ed Gentry com brilhantismo. Ronny Cox e Ned Beatty também reforçam as particularidades dos outros dois companheiros do grupo.

De acordo com o crítico Gabriel Paixão, do site Boca do Inferno, “o diretor parece jogar na cara do espectador a todo o tempo a pergunta: E se fosse com você?. Tirando uma ou duas cenas que exageram um pouco o conceito do primitivismo, os eventos do filme poderiam ter acontecido com qualquer um, pois isoladas e acuadas as pessoas certamente chegariam ao nível de selvageria dos protagonistas. Boorman também tem méritos em desenvolver bastante seus personagens principais, levando um bom tempo antes de lançá-los dentro do coração das corredeiras e no seu inferno pessoal. Enfim, Amargo Pesadelo é um potente soco no estômago, que conseguiu explorar a fina fronteira que nos separa dos animais. Então, se tiver a oportunidade, assista-o”. Classificação etária do programa: 16 anos.

As sessões do Cinema Comentado Cineclube acontecem aos sábados, a partir das 19h, na sala Geraldo Freire, no prédio da Prefeitura. A entrada é grátis e todos os interessados podem comparecer e participar das exibições. Depois da sessão, acontece um bate-papo com a platéia sobre os filmes apresentados.

Próximas atrações

08/11 – “Pietá” (Coréia do Sul, 2012), dir: Kim Ki-duk.
15/11 – “O Espírito da Colméia” (Espanha, 1973), dir: Victor Erice.
22/11 – “A História da Eternidade” (Brasil, 2014), dir: Camilo Cavalcante.
29/11 – “Azul é a Cor mais Quente” (França, 2013), dir: Abdellatif Kechiche.

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