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MG – Usina Hidrelétrica de Três Marias tem vazão reduzida para 120m³/s

Em mais uma rodada de discussão – esta é a 12º reunião – na sede da Agência Nacional de Águas – ANA, no último dia 29 de outubro, em Brasília (DF), a agência reguladora, em consenso com os atores do sistema elétrico nacional, decidiu reduzir, já a partir de 30 de outubro, a vazão defluente – água que é liberada da represa – da Usina Hidrelétrica de Três Marias para 120 m³/s. O reservatório, localizado no território mineiro da bacia do rio São Francisco, está operando desde o início do mês com 140 m3/s, porém a redução vem sendo praticada desde abril deste ano, por conta da prolongada estiagem que castiga o Estado.

Represa de Três Marias
Represa de Três Marias

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco – CBHSF participou da reunião na qualidade de observador, voltando a cobrar do setor elétrico compensação financeira para os segmentos de usuários prejudicados com as reduções de vazões, além de reiterar a necessidade de uma agenda permanente de estudos e debates que visem a mudança do modelo energético na bacia do São Francisco e ações de larga escala para assegurar o uso racional da água, principalmente nos marcos da agricultura irrigada.

A redução proposta tem como finalidade conservar a pouca água que ainda há na represa, evitando que o seu volume útil de armazenamento chegue a zero, ou seja, atinja o chamado volume morto, que acarretaria problemas no abastecimento das cidades localizadas abaixo da UHE, na geração de energia da hidrelétrica, que hoje já é mínima, bem como comprometeria o maquinal que dá funcionamento as seis turbinas existentes no reservatório. Atualmente, apenas duas delas estão em atividade. “Temos que aproveitar que está chovendo, e praticar a redução, assim não precisaremos utilizar o volume morto”, disse Marcelo de Deus, gerente de Distribuição da Companhia Energética de Minas Gerais – Cemig, responsável pela operação da UHE.

O engenheiro a cargo da manutenção da represa, Carlos Aloysio Costa Diniz, afirmou que testes estão sendo feitos mensalmente pela companhia energética para saber até quando a água útil disponível no reservatório passará pelas turbinas, uma vez que ela vem diminuído rapidamente. “Com 3,08%, que é o volume atual – pior índice da história -, ela está passando. Fizemos os testes em meados de outubro. Até 0% continuaremos operando, porém não podemos afirmar quais serão os resultados depois disso. Mas não podemos também nos limitar. É neste intuito que estamos realizando os estudos: para garantir a vazão a jusante da represa”, comentou. A UHE Três Marias foi a primeira a ser construída ao longo do rio São Francisco, em 1962. Em janeiro deste ano, o volume útil dela era de 27,56%.

O vice-presidente do CBHSF, Wagner Soares Costa, acredita que as discussões que vêm sendo feitas estão restritas apenas à hipótese emergencial, deixando de lado a preocupação a longo prazo. “Estamos pensando a curtíssimo tempo. Não estamos conversando sobre a falta de água, mas sim do nível de captação de água. Estamos deixando de trabalhar infraestrutura física e investimentos. O que iremos fazer caso a chuva não chegue?”, indagou, a propósito do projeto Jaíba, maior projeto público de irrigação em área contínua da América Latina, que, recentemente, por conta das reduções das vazões de Três Marias, fez readequações emergenciais para evitar maiores perdas na sua produção, principalmente frutícola. “Se não chover gradativamente, este fórum será inevitável para 2015”, completou o gerente executivo do projeto, Marcos Braga Medrado.

Vicente Andreu Guillo, presidente da ANA, lembrou que a operação e os estudos que vêm sendo feitos no reservatório são em função de outros riscos e usos, e não apenas do Jaíba. “Não podemos criar esta ilusão”, colocou. O consultor contratado pelo CBHSF para orientar os trabalhos desenvolvidos pelo colegiado, Rodolpho Ramina, alertou que deveriam ser feitas, na tentativa de sanar os problemas dos reservatórios, reduções na demanda de consumo de energia elétrica, principalmente em horários de pico. “Os reservatórios melhorariam o cumprimento da função de regularização da vazão. Além disso, preservariam os armazenamento das suas águas”, disse. Para ele, é preciso que o setor elétrico abdique dos seus interesses próprios e faça, do mesmo modo que os outros setores, as suas reduções. “A irrigação, o abastecimento já fizeram. Encolheram os seus trabalhos, tendo em vista preservar os estoques hídricos das represas. Nessa época de calor, onde há um maior gasto de energia, reduzir o uso do ar-condicionado e do chuveiro elétrico diminuiria de 20 a 30% deste consumo”, explicou.

Ainda durante o encontro, os técnicos decidiram manter a vazão defluente da Usina Hidrelétrica de Sobradinho, na Bahia, em 1.100 m3/s. Desde a Resolução nº 442, da ANA, de 8 de abril de 2013, está em vigor este patamar mínimo.

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