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MG – Chuvas são insuficientes para repor níveis dos reservatórios em Minas Gerais

As chuvas não foram suficientes para elevar o nível dos reservatórios e normalizar o abastecimento de água potável na maioria das regiões de Minas Gerais. Na tentativa de driblar a falta de água nas torneiras, racionamento e multas foram impostos por algumas prefeituras. No entanto, as campanhas têm sido insuficientes para convencer a população a economizar água.

MG - Chuvas são insuficientes para repor níveis dos reservatórios em Minas Gerais
MG – Chuvas são insuficientes para repor níveis dos reservatórios em Minas Gerais

Em Oliveira, no Centro-Oeste mineiro, começou nessa segunda-feira (3) novo racionamento, com a adoção de rodízio de 12 horas nos bairros. Após suspender as aulas nas escolas por três semanas, a prefeitura chegou a festejar o início do período chuvoso. Insuficiente, porém, para elevar o nível dos mananciais que abastecem a cidade: a Represa de Bom Retiro e o Pontilhão de Areia.

“Choveu nos últimos dias, mas não no manancial. O município iniciou hoje (segunda) rodízio nos bairros”, disse o diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAEE) de Oliveira, Edimilson Nicácio. Segundo ele, foram abertos seis poços artesianos, mas falta energia para ligar as bombas.

A prefeitura adotou o regime de multa para quem for pego desperdiçando água. Na primeira vez, apenas advertência. Mas quem for reincidente, pagará multa. O município precisa captar 110 litros por segundo, mas a média é de 60 l/s.

Formiga (Centro-Oeste) foi a primeira cidade mineira a decretar situação de calamidade pública e adotar multas para quem desperdiça água. Segundo o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), o rodízio não resolveu. A captação feita no rio Formiga caiu de 200 litros por segundo para 98 l/s. Quem for flagrado desperdiçando água – o que inclui lavar calçada e carro com mangueira – recebe multa de R$ 180.

A punição com multas também é regra da Prefeitura de Itapecerica (Centro-Oeste).O morador que for pego desperdiçando água pagará R$ 120.

Juiz de Fora, na Zona da Mata, adotou o rodízio em 17 de outubro, com previsão de durar três semanas. Porém, como as chuvas foram insuficientes para recuperar os níveis dos mananciais, a prefeitura manteve o racionamento. A interrupção no fornecimento de água é feita entre 8h e 18h, conforme escala prévia, não incluindo sábado e domingo.

Para coibir o desperdício de água, projeto de lei foi aprovado na Câmara pelos vereadores e aguarda sanção do prefeito. A medida prevê multa para quem for pego lavando calçadas e pátios com água potável. Na quinta-feira, Juiz de Fora avaliará a necessidade de continuar com o rodízio.

Em Igarapé, na Grande BH, falta água dia sim, dia não nas torneiras, segundo a prefeitura. Como o serviço é concedido à Copasa, a prefeitura não aplica multas a quem desperdiça água, mas estuda implementar a medida.

Em Caeté, na Grande BH, a situação melhorou, mas provisoriamente. A captação de água é feita pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) nos ribeirões Bonito e Jacu, que estão com níveis reduzidos, de acordo com o diretor do SAEE, Bernardo Vorcaro.

Vazão será reduzida em Três Marias

A Agência Nacional de Águas (ANA), em consenso com os órgãos do sistema elétrico nacional, decidiu reduzir a vazão defluente (que sai) da Usina Hidrelétrica de Três Marias para 120 m³/s. O reservatório, localizado na bacia do rio São Francisco, opera desde o início do mês com 140 m3/s, porém a redução vem sendo praticada desde abril, por conta da prolongada estiagem que castiga o Estado.

Segundo a ANA, na usina de Três Marias foi observado pequeno aumento na vazão afluente (que chega ao reservatório), mas a vazão defluente continua maior. “Não tivemos, ainda, efeitos positivos no nível do reservatório com as últimas chuvas registradas”. Hoje, Três Marias está com 2,87% de seu volume útil.

A situação dos reservatórios em Minas após as chuvas preocupa, porque os níveis continuam muito baixos. Segundo a Cemig, em função da estiagem prolongada no Sul do Estado, o nível do reservatório da usina Camargos, no rio Grande, em Itutinga, chegou, nessa segunda, a 0,7% do volume útil, isto é, que pode ser aproveitado para geração de energia. Caso não chova nos próximos dias, a geração de energia, realizada por uma das duas turbinas de 23 MW, com geração muito reduzida de apenas 3 MW, poderá ser interrompida. Não há data definida para isso.

“Em algumas usinas não tivemos recuperação de armazenamentos, como é o caso de Três Marias, Irapé e Nova Ponte. Nestes casos, as chuvas não foram suficientes para uma recuperação significativa das vazões”, informou em nota a empresa.

Municípios em situação de emergência

A Defesa Civil reconheceu nessa segunda-feira a situação de emergência em dez municípios mineiros afetados pela seca. Conforme portaria da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, as cidades são Bocaiuva, Comercinho, Ibiracatu, Joaquim Felício, Juramento, Malacacheta, Miravânia, Pai Pedro, Piumhi e Rio do Prado.

Assim que o decreto municipal é reconhecido em âmbito federal, a prefeitura torna-se apta a pedir e a receber
recursos da União para recuperação de danos ou atendimentos emergenciais. Desde o início do ano, 200 cidades do Estado tiveram decretos municipais de situação de emergência ou de calamidade pública reconhecidos pelo governo federal.

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