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MG – 26 cidades mineiras em alerta contra infestação da dengue

O índice de infestação do mosquito transmissor da dengue e da febre Chikungunya, Aedes aegypti, em Governador Valadares, no Leste do Estado, é um dos maiores do país, sendo também o maior de Minas Gerais, com 5,3% das casas com focos do inseto. Além da cidade que enfrenta alto risco de epidemia, outras 25 estão em alerta por causa da infestação.

MG - 26 cidades mineiras em alerta contra infestação da dengue
MG – 26 cidades mineiras em alerta contra infestação da dengue

Entre elas estão Dores do Indaiá (3,2%), Aimorés (2,5%), Patrocínio (2,4%) e Oliveira (2,1%). De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES) já foram confirmados em Minas Gerais, até o momento, 46.125 casos de dengue com 46 mortes, uma delas de Dores do Indaiá. Em todo o ano passado foram 368.387 casos confirmados e 117 mortes.

O último Levantamento de Índice Rápido por Infestação de Aedes aegypti (LIRAa) em Valadares, divulgado dia 3 deste mês, apontou índice menor que o anterior, feito em abril, que foi de 7%. Mas, não menos preocupante, tendo em vista que como nos anos anteriores e a exemplo de todo o país, a maior incidência de focos continua dentro das residências.

Foram encontrados nos ralos (48%), tinas/tonéis e tambores (21,1%), pratos de vasos de plantas (16,5%), bromélias (6,1%), focos de lixo (4%), caixas d’águas (2,8%) e pneus (1,5%). Os bairros com maior índice também são os mesmos do levantamento anterior, com São Paulo, Santa Terezinha, Ilha e São Tarcísio (9,3%) e Santa Rita (7,9%) na liderança.

Sozinha, até 11 de outubro deste ano, Governador Valadares registrou 1.059 notificações de casos de dengue em residentes – a Secretaria de Estado da Saúde (SES) já confirmou 507 casos. Em 2013 foram 4.731 notificações. Não houve registro de mortes por dengue nestes dois últimos anos.

Chikungunya

Seguindo uma determinação do Ministério da Saúde, neste ano, além do levantamento do mosquito transmissor da dengue, foi feito o do Aedes albopictus– uma espécie de “primo” do aegypti, que transmite a febre Chikungunya. Em Valadares o resultado apontou a presença de focos nos distritos de Penha do Cassiano e Nova Floresta, mas sem notificação de casos suspeitos.

“Os valadarenses precisam criar o hábito de colocar telas e jogar água fervente nos ralos duas vezes por semana porque o maior foco continua sendo dentro de casa. Além disso, o Aedes aegypti transmite não só a dengue como também as febres amarela e Chikungunya”, alertou o técnico referência em dengue no município José Batista dos Anjos Júnior.

De acordo com a SES, até o momento foram confirmados dois casos da febre Chikungunya no estado, sendo um em Matozinhos e um em Coronel Fabriciano, no Vale do Aço. Existem outros dez casos em investigação e na lista estão as vizinhas Coronel Fabriciano e Timóteo, esta última a cidade de uma criança de sete anos que figura na lista de casos suspeitos.

Ações

Em Aimorés (2,5%), uma moto com som acoplado na garupa circula pelas ruas para alertar a população sobre os índices da dengue e as medidas de combate. O coordenador dos trabalhos, Jefferson Felisberto, reclama que apesar dos esforços, os moradores tem feito pouco para ajudar. No último levantamento, 78,6% dos focos foram encontrados dentro das casas.

“O agente visita, é bem recebido e sai da casa com a promessa de cuidados. Quando retorna encontra tudo do mesmo jeito: caixas sem tampa, água parada nos ralos, caixas de degelo, nos vasos sanitários de banheiros em desuso e nas piscinas”, reclama. Uma das ações será a contratação de mais três agentes, elevando o número para 14. A cidade tem 25 mil habitantes.

Em Dores do Indaiá, (3,2%) cidade com 14 mil habitantes do Centro Oeste Mineiro, a coordenadora do Departamento de Epidemiologia, Viviane Xavier Donato, comemora queda no índice de 5,7% (março) para 3,2% em outubro, mas como Felisberto, está preocupada com a chegada das chuvas. Além de fumacê e mutirões de limpeza, as ações de educação e saúde alcançam as escolas.

Na vizinha Oliveira (2,1%) o problema foi agravado pela estiagem, garante o coordenador da Vigilância Sanitária e Epidemiológica, Célio Damasceno. Segundo ele, dos 50 reservatórios de água (tinas, tonéis e caixas) vistoriados, 19 tinham foco da dengue. “Estamos distribuindo telas, vedando e orientando, mas só a conscientização resolve”, diz. Antes da estiagem o índice de infestação era 1,7% (março).

Patrocínio, que aparece no gráfico da SES com 2,4% de infestação, registraria, na verdade índice de 0,5%. Segundo o Gilberto Martins, referência epidemiológica do município, houve erro de digitação. “Nossa situação é de tranquilidade, mas de constante combate”, diz.

Dengue Report

Valadares passa a contar, a partir de hoje (12), com uma nova ferramenta no combate à dengue. Trata-se do “Dengue Report” um software desenvolvido para dispositivos móveis que promete simplificar e agilizar o trabalho dos agentes, garantir segurança e precisão nas informações e modernizar o sistema.

Atualmente, o trabalho de combate exige que os agentes de endemias e demais envolvidos utilizem formulários impressos para a coleta de informações. Além disso, depois de coletados os dados, é preciso digitá-los para que fiquem armazenados em um banco de dados específico.

Agora cada um dos 90 agentes receberá um aparelho celular com câmera que substituirá as planilhas de papel por formulários digitalizados. O sistema utiliza etiquetas com “QR Code”, onde ficam armazenadas informações detalhadas referentes à casa visitada, como endereço, número de IPTU e data da última visita. As informações só são validadas pela central mediante a leitura dessas etiquetas, o que garante que a vistoria realmente foi realizada.

Notificada a visita, as informações obtidas são encaminhadas instantaneamente para a central responsável, otimizando o processo de controle da dengue. “A implantação deste novo sistema trará diversos benefícios: os dados digitados pelos agentes irão direto para o Programa do Ministério da Saúde (MS) o Ponto de Apoio Central poderá enviar uma mensagem para um ou mais agentes e, será informado quando a mensagem for aberta, podendo dessa forma, avisar os agentes de uma reunião ou questioná-lo por não está realizando uma vistoria, por exemplo”, explica José Batista dos Anjos Júnior.

Além disso, assim que o agente concluir uma vistoria em um imóvel, o Ponto de Apoio central terá esta informação, podendo acompanhar todos os agentes em tempo real”, completa. Os agentes de endemias passam por capacitação para, em seguida, ser feita a transição do sistema tanto na zona urbana quanto nos distritos. Foram investidos cerca de R$ 200 mil do MS no programa desenvolvido pela ECOVEC, que é formada por professores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMF).

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