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Brasil – Polícia Federal prende ex-diretor da Petrobras e executivos de empreiteiras

O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque foi preso pela Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (14) durante nova fase da Operação Lava Jato, que investiga crimes contra o sistema financeiro. Duque tem ligações com o PT e foi indicado ao cargo pelo ex-ministro José Dirceu (PT).

Renato Duque, o ex-diretor da Petrobras indicado pelo PT, foi preso de manhã; Ricardo Pessoa, presidente da UTC e outros quatro diretores de empreiteiras foram detidos pela PF.Renato Duque, o ex-diretor da Petrobras indicado pelo PT, foi preso de manhã; Ricardo Pessoa, presidente da UTC e outros quatro diretores de empreiteiras foram detidos pela PF.
Renato Duque, o ex-diretor da Petrobras indicado pelo PT, foi preso de manhã; Ricardo Pessoa, presidente da UTC e outros quatro diretores de empreiteiras foram detidos pela PF.

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e dois executivos ligados à Toyo-Setal – empresa que tem contratos de mais de R$ 4 bilhões com a estatal –, Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e Julio Camargo afirmaram em delação premiada que Duque era beneficiado pelo esquema de suborno. Duque nega as acusações e entrou com uma ação contra Costa.

Além de Duque, a PF também prendeu, em Brasília, o vice-presidente da construtora Mendes Júnior, Sérgio Cunha Mendes, e fez buscas na sede da empreiteira, segundo informações do jornal “O Estado de S. Paulo”. Policiais também vasculharam endereços da Odebrecht e de três de seus executivos. Trata-se de Márcio Faria da Silva, Rogério Campos de Araújo e Saulo Vinicius Rocha Silveira.

A PF concentra as buscas de hoje em 11 grandes empreiteiras, suspeitas de pagarem propinas para conseguir contratos com a Petrobras, e cumpre 27 mandados de prisão contra executivos e outros investigados. Também foram presos o presidente da empreiteira Engevix, Cristiano Kok, e um de seus vice-presidentes, Gerson Almada. Um terceiro executivo da empresa que teve a prisão decretada está no exterior.

Ao todo, 300 policiais participam da ação, que acontece em São Paulo, Paraná, Rio, Pernambuco, Minas e no Distrito Federal.

Belo Horizonte

Em Belo Horizonte, a Polícia Federal cumpriu dois mandados de busca e apreensão da Operação Lava Jato na casa de dois executivos da Mendes Júnior, o dono da empreiteira, Ângelo Alves Mendes, e um diretor identificado apenas como Flávio. No início da manhã, eles receberam os policiais em casa. Foram apreendidos dois computadores e alguns papeis, segundo o advogado da empreiteira Marcelo Leonardo. Os dois foram intimados a prestar esclarecimentos na sede da PF em Belo Horizonte, no Gutierrez.

“Eles prestaram esclarecimento e já foram para casa. Não há qualquer envolvimento da empresa com este caso. A empresa está sempre à disposição da Justiça e está colaborando com as investigações”, afirmou Marcelo Leonardo.

Segundo o advogado, ele já enviou diversos documentos a polícia em Curitiba, onde estão concentradas as investigações. Ainda de acordo com o delegado não estão previstos novos depoimentos.

Bloqueio de R$ 720 milhões

Os grupos investigados registraram, segundo dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), operações financeiras atípicas num montante que supera os R$ 10 bilhões. Durante a investigação, o doleiro Alberto Youssef – que está preso e colabora com a Justiça por meio da delação premiada – apontou que o esquema envolvia desvio de dinheiro Petrobras.

A Justiça decretou o bloqueio de R$ 720 milhões que pertencem a 36 investigados. Foi autorizado também o bloqueio integral de valores pertencentes a três empresas suspeitas de participar do esquema.

Em São Paulo, estão sendo cumpridos 29 mandados de busca, 17 de prisão e mais 9 de condução coercitiva – quando a pessoa é levada para prestar depoimento obrigatoriamente.

Outros 11 mandados de busca e 6 de prisão são cumpridos no Rio. No Paraná, são 2 de busca e 1 de prisão. No DF, mais 1 de busca e 1 de prisão. Em Minas e Pernambuco, são cumpridos 2 mandados de busca em cada Estado.

Segundo a PF, os envolvidos responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de organização criminosa, formação de cartel, corrupção, fraude à Lei de Licitações e lavagem de dinheiro.

Empreiteiras

As prisões atingiram a cúpula das empreiteiras. Além da Engevix, a PF também realiza buscas na casa do presidente da UTC/Constran, Ricardo Pessoa, investigada por ter pago propina para obter obras da Petrobras no Rio e em Pernambuco. Pessoa também é sócio do doleiro Alberto Youssef em hotéis.

Ao menos doze pessoas, entre policiais e membros da Receita Federal, chegaram, por volta das 6h20, no edifício da Camargo Corrêa, na avenida Faria Lima, em São Paulo. Cinco carros entraram pela garagem e três agentes da PF permanecem na porta do prédio, controlando a entrada.

A Camargo Corrêa é uma das empresas investigadas sob suspeita de pagar suborno a ex-diretores da Petrobras para obter contratos da estatal.

A empreiteira lidera o consócio CNCC, contratado para construir a refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. A obra, que envolve outras empreiteiras, é a mais cara em curso no Brasil e de ultrapassar os R$ 40 bilhões quando ficar pronta, nos próximos meses.

Além de estourar o orçamento inicial, a obra foi superfaturada, segundo apurações do Tribunal de Contas da União.

O consórcio CNCC diz que não faz sentido a acusação de sobrepreço na obra, porque ela foi conquistada por meio de licitação.

Os mandados por Estado

PR – 2 mandados de busca e 1 mandado de prisão preventiva (todos em Curitiba);

DF – 1 mandado de busca e 1 mandado de prisão preventiva;

MG – 2 mandados de busca (todos em Belo Horizonte);

PE – 2 mandados de busca (todos em Recife);

RJ – 11 mandados de busca, 2 mandados de prisão preventiva e 4 mandados de prisão temporária;

SP (Capital) – 29 mandados de busca, 2 mandados de prisão preventiva, 15 mandados de prisão temporária e 9 conduções coercitivas;

Jundiaí/SP – 1 mandado de busca e 1 mandado de prisão temporária;

Santos/SP – 1 mandado de busca e 1 mandado de prisão temporária.

Folhapress e informações da PF

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