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Coluna – Verdades que não precisam ser contadas

Poderia ter ficado calada! Dizia Maristania. – Sempre que tento ajudá-lo, faço uma cagada! Luiz Claudio acendeu outro cigarro e se levantou olhando a rua da janela. –Se ao menos suas intenções trouxessem algum lucro, mas o pior é que você sempre faz isso, é cagada mesmo! Merda em cima de merda e ainda não aprende,  caramba! – Ah Luiz quer saber de uma coisa? Eu não sou sua secretária também não viu! Que eu saiba o padre disse; marido e mulher, não patrão e empregada! Luiz Claudio com o cigarro na ponta dos dedos aponta para a agenda sobre a mesa de vidro. – Por causa das suas informações verídicas eu vou pagar um imposto que poderia esperar até o sexto mês, agora com a divulgação de que sou o envolvido na adulteração dos óleos de pequi a tal viagem tão sonhada para Fernando de Noronha foi para o saco! Droga! Maristania chorava baixinho enquanto o marido andava apressado e repetindo as mesmas coisas nos espaços vazios da sala, uma reprodução da Monalisa de Da Vinci parecia sorumbática aos olhos do avô de Luiz Claudio em uma aquarela antiga, ao lado da escada uma abobora de argila soprava um incenso com odor de jasmim cuidadosamente deixado por Vera Paula a diarista hippie da família. – Quer saber de uma coisa Maristania, vou arrumar minhas coisas e sumir por uns dias, você que se vire para explicar suas burradas! Diga que se enganou, que nos óleos de pequi não contém água na proporção mencionada! – Eu não! – Vai sim senhora! Se eu for intimado na Policia Federal denuncio seu irmão pela agua fervida que ele vende como mineral! – Por mim! Meu pai é advogado! – É mesmo é?! Simples assim? – É Simples assim, sim! Quem mandou você colocar água no óleo de pequi! Arrume um advogado também! Aliás, contrate meu pai! – Me respeite, eu tenho um nome a zelar! Aquele velho cachaceiro nunca defendeu ninguém de renome, não serei eu quem dará este cartaz a ele! Maristania passou a mão nos olhos úmidos e foi até a cozinha, mas voltou imediatamente com uma carta aberta; – Toma, esta correspondência chegou ontem! – Como assim? Por que você abriu se estava endereçada a mim!? – Esqueci e abri! – Sua mexeriqueira! Traste, quem te deu autorização para ler o que veio em meu nome? – Você! Quando lêu meus e-mails! –E-mails é diferente, conheço seu passado libertino e não quero ser o corno tradicional o ultimo, a saber, do chifre! – É eu sei, o melhor é você ser ágil que tem alguém te ameaçando de morte por falta de um pagamento! Luiz Claudio abriu violentamente o papel e olhou para o relógio, o prazo dado venceria nos próximos minutos, pela cara de espanto deveria saber com quem estava lidando. – Caramba Maristania, porque não me disse nada! Já que leu essa porra e viu que o prazo venceria agora! – Eu me esqueci, aliás, não foi só esquecimento, também por não querer me meter nas suas coisas, lembre-se que foi você quem disse! – Pois é, mas já que se meteu a abrir minhas correspondências falasse que havia chegado! Ai meu Deus e agora o que eu faço! Esse é aquele cara que queimou o Elielton vivo por causa de um pagamento! A campainha tocou… Maristania tranquila olhou para o marido que perdeu a cor. – Então é para abrir a porta? Ou gritar daqui mesmo que não tem ninguém em casa! – Cala a boca droga! Vá lá e invente qualquer coisa! Diga que eu estou no CTI, ou morri, sei lá! Por sorte ou por azar não era o temido agiota, mas um antigo sócio que o devia uma grande quantidade de dinheiro, coisa de milhões de dólares. – Pois não! Disse a mulher olhando para aquele homem de terno preto e pasta na mão. – Eu gostaria de falar com o senhor Luiz Claudio, por favor! – Olha meu marido morreu de uma doença contagiosa e foi preciso cremá-lo junto com a ambulância, ontem mesmo! – Ai que horror! Disse o homem. – Eu tinha uma divida com ele, coitado o que faço agora? Será que a senhora aceitaria que acertássemos! – Não senhor, eu sou apenas a viúva, não acerto algum, nada dele me interessa mais! – Nem que seja de ganho? – Não pode ficar tudo e passe bem! – Então assine este papel, por favor! – Sim, assino qualquer coisa, passe bem! Aliás, moço, o que é que estou assinando mesmo? – Pois não senhora, acabas de abdicar da fortuna que eu devia ao seu marido, obrigado. Que Deus o tenha! – Ao entrar encontra o marido com o celular na mão e um sorriso de alivio! – Então Maristania era o agiota? – Não! – Ainda bem, recebi uma mensagem de que um velho conhecido que fora sócio na Indústria de Alho, convertera ao Budismo se arrependendo de ter me passado a perna, são milhões Maristania! Vou pagar o agiota e ainda teremos o dinheiro para a sonhada viagem.

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
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