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Robô que limpa com raios ultravioletas é nova arma contra o ebola

O exército americano alistou uma nova arma assassina de micróbios no combate ao vírus Ebola: um robô com quatro rodas capaz de desinfectar um quarto em questão de minutos, emitindo raios ultravioletas.

Robô usa o mineral xênon, mais ecológico que as bombas de mercúrio usadas hoje
Robô usa o mineral xênon, mais ecológico que as bombas de mercúrio usadas hoje

Mais alto e fino que o famoso R2D2, da série “Guerra nas Estrelas”, o robô Xenex é usado em três centros médicos militares, assim como em 250 hospitais americanos, para destruir agentes patogênicos.

Emitindo 1,5 pulsação por segundo em um perímetro de três metros, o robô usa um gás não tóxico, o xênon, para produzir raios ultravioletas que erradicam micróbios mais rápida e eficazmente do que uma equipe humana de limpeza, segundo médicos e especialistas.

“O robô atualmente faz parte da nossa estratégia para combater o Ebola, mas poderá ser usado nos hospitais para combater outros agentes patogênicos causadores de infecções” nestes recintos, informou Alton Dunham, porta-voz da base militar de Langley, que adquiriu um destes robôs.

A luz ultravioleta é usada há várias décadas como uma opção de limpeza, mas estes novos robôs funcionam com o mineral xênon, mais ecológico do que as bombas a vapor de mercúrio, que têm uma ação mais lenta e são tóxicas, segundo o Xenex Disinfection Service, que fabrica estes aparelhos de nova geração.

Transporte de dejetos contaminados

Os investigadores destacam que estes robôs limpadores são um exemplo das máquinas autônomas que poderiam ter um papel no combate à epidemia de Ebola, que deixou 5.459 mortos desde o início do ano com 15.351 infectados, segundo o último informe da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado na sexta-feira.

Em uma conferência acadêmica organizada em novembro pela Casa Branca, cientistas e trabalhadores humanitários explicaram que estes robôs podem retirar dejetos contaminados ou permitir ao pessoal médico tratar pacientes à distância.

O General dynamics land systems MUTT, um robô 4×4 usado para transportar mercadorias, pode ser enviado aos países mais afetados pelo vírus da febre hemorrágica, disse Robin Murphy, professor de informática e engenharia na Texas A&M University.

Os países mais afetados pelo vírus Ebola são Libéria, Guiné e Serra Leoa, na África ocidental. “A principal lição é que estes robôs existem e poderiam ser imediatamente destinados para proteger o pessoal de saúde que trata do Ebola”, acrescentou a funcionária em um informe.

O Ebola é transmitido por contato direto com fluidos corporais de um doente, razão pela qual se requer equipamentos de proteção específicos e cumprir procedimentos estritos para proteger médicos e enfermeiras.

Pelo menos 337 trabalhadores sanitários morreram contaminados pelo vírus de um total de 588 infectados. “Os robôs poderiam reduzir o número de manipulações humanas de dejetos contaminados” e permitir aos pacientes ser limpos e monitorados à distância, limitando assim o contato com o pessoal médico, disse Murphy.

Mas os centros de saúde de Libéria e Serra Leoa estão longe do ideal para estes robôs, projetados para ambientes com internet sem fio, eletricidade à vontade, baterias e solos planos.

Infecções hospitalares

A expedição do robô Xenex na África não está prevista para breve, mas a epidemia de Ebola chamou a atenção para um problema mais amplo sobre as infecções hospitalares. Centenas de pacientes morrem todo ano de doenças contraídas durante uma internação hospitalar, particularmente por causa da bactéria “Staphylococcus aureus”.

Dezenas de hospitais que utilizaram o robô Xenex constataram uma redução das infecções nos hospitais, segundo Melinda Hart, porta-voz do fabricante do robô. Seus raios ultravioleta podem desinfectar superfícies e esquinas de difícil acesso, destacou Hart. Além disso, prosseguiu, “o robô é capaz de eliminar o risco de erro humano”.

O coronel Wayne Pritt, comandante do hospital da base aérea de Langley, indicou que o robô “adiciona um nível de segurança no processo de desinfecção que antes não era possível”. “No caso do Ebola, isto se traduziria em uma maior confiança dos pacientes e do pessoal” médico, afirmou o encarregado.

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