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Mercado de trabalho chega desaquecido ao final do ano

A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas acompanhadas pela PME/IBGE deve ficar em 4,9% no fechamento de novembro de 2014, segundo a projeção Catho-Fipe. Esse valor é 0,2 ponto percentual maior do que o registrado em outubro de 2014 e 0,3 ponto percentual maior que o registrado em novembro de 2013, o que reverteria a longa trajetória de queda apresentada por este indicador.

Mercado de trabalho chega desaquecido ao final do ano
Mercado de trabalho chega desaquecido ao final do ano

A Fipe e a Catho apresentam outros indicadores que reforçam o diagnóstico de desaquecimento do mercado de trabalho. Além do aumento do desemprego, esperado para o fechamento de novembro, chama a atenção o fato de que o saldo acumulado em 12 meses de novas vagas do Caged (MTE) está em nível mais baixo do que no auge da crise internacional de 2009. Além disso, o salário médio de admissão ficou estável (em termos reais) na comparação entre outubro de 2014 e um ano antes.

A ‘Pressão Salarial’ também se reduziu em outubro, ou seja, os novos admitidos estão sendo contratados com um salário menor se comparado àqueles que deixaram seus empregos. Na série dessazonalizada, esse indicador vem caindo desde meados de 2012, mas em outubro de 2014 (último dado disponível) registrou seu menor valor desde dezembro de 2009. Na comparação entre setores, o maior crescimento real do salário de admissão e a segunda maior pressão salarial foram registrados na Administração Pública.

Taxa de Desemprego Antecipada

Ao compilar e processar informações de currículos, anúncios de vagas e de contratações disponibilizados pela Catho, a Fipe calcula uma estimativa para a taxa de desemprego da Pesquisa Mensal de Emprego (PME/IBGE)*. A estimativa da Taxa de Desemprego Antecipada de novembro de 2014 é de 4,9%, 0,3 ponto percentual maior em relação ao mesmo mês de 2013.

Esse resultado, se confirmado, representará um aumento da taxa de desemprego, diferentemente do ocorrido em anos anteriores, o que pode indicar uma reversão da tendência de queda que vinha apresentando a série da PME.

A estimativa da Taxa de Desemprego Antecipada, feita por meio da técnica do “nowcasting”, utiliza dados disponibilizados em “tempo real” para produzir informações e estatísticas precisas, sem a necessidade de esperar semanas ou meses até os institutos de pesquisa divulgarem os indicadores oficiais e defasados. No caso da Taxa de Desemprego, a Fipe cruza informações obtidas com buscas na Internet (por meio de palavras chave relacionadas a emprego, por exemplo) com informações de vagas, candidatos e contratações da Catho, além de outros dados econômicos e também a própria série da PME dos meses anteriores para estimar a taxa de desemprego.

Saldo de novas vagas com carteira assinada

Um importante indicador para determinar o desempenho do mercado de trabalho brasileiro tem sido o saldo de novas vagas do Caged, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho e Emprego. Esse saldo é a diferença de admissões e desligamentos informados pelas empresas do setor privado. Quando positivo, indica que houve aumento da população ocupada em empregos formais. Trata-se de um indicador bastante influenciado pela sazonalidade, já que o ciclo de produção no ano afeta diretamente as contratações e demissões das empresas. Assim, uma das formas para acompanhar sua tendência é avaliar o saldo acumulado em 12 meses.

Entre 2007 e 2010 (com uma breve interrupção em 2009 devida à crise internacional), o saldo anual de novas vagas cresceu de forma expressiva, refletindo a franca expansão do emprego formal. Mas, a partir de setembro de 2010 o saldo anual tem diminuído, indicando uma reversão de tendência. Embora ainda em expansão, o emprego tem crescido a um ritmo cada vez menor: em outubro de 2014 ainda havia mais pessoas com emprego formal do que um ano antes (saldo acumulado de 473.796 novas vagas), representando o pior momento da crise financeira de 2009 (622.267 em julho/2009). Cabe notar que o ritmo anual de criação vagas desacelerou ainda mais em outubro, mês que registrou saldo negativo (mais desligamentos do que admissões).

Salário médio de admissão

Outro indicador bastante relevante para o monitoramento do mercado de trabalho é o salário médio de admissão. Por indicar como está a evolução da remuneração dos trabalhadores que iniciam um novo vínculo, tem a qualidade de ser um termômetro mais ágil de variações dos salários do que a média de remuneração de toda a população ocupada. Os salários médios de admissão de cada setor no mês de outubro de 2014 estão indicados no gráfico abaixo.

A evolução do salário médio de admissão em 12 meses mostra um quadro desafiador para quem busca um novo trabalho formal, já que ficou estável na comparação com o mesmo mês de 2013 (descontado o IPCA). Dois setores tiveram queda real dos salários médios de admissão no período: Serviços (-0,7%) e Serviços Industriais de Utilidade Pública (-8,8%). Construção Civil (+0,4%), Agropecuária e indústria extrativa vegetal (+0,5%) e Comércio (+0,8%) tiveram pequenos aumentos reais, enquanto que a Indústria extrativa mineral (+5,2%) e a Administração Pública (11,2%) foram os únicos setores com aumentos reais mais expressivos.

Pressão salarial

A comparação dos salários médios de admissão e de desligamento é útil para identificar o grau de dificuldade que as empresas encontram quando precisam contratar novos funcionários. Ou, por outro ângulo, mostra também a condição que os postulantes a novos empregos encontram no momento de negociar seus salários.

A medida é calculada de forma simples: é a divisão entre o salário de admissão médio pelo salário de desligamento médio em um determinado mês, segundo o Caged/MTE. Se for igual a 1, significa que em média os trabalhadores novos estão sendo contratados pelo mesmo salário daqueles que deixam seus empregos. Porém, normalmente, esse valor é menor do que 1, já que os novos contratados costumam ter salários menores que os desligados. À medida que o tempo passa, o vínculo entre a empresa e o empregado se fortalece, e o trabalhador avança na progressão salarial.

Portanto, quanto maior a pressão salarial, maior o ‘aperto’ no mercado de trabalho. Os dados exibidos no gráfico abaixo mostram a série dessazonalizada da Pressão Salarial para o Brasil desde 2006. Durante a crise financeira de 2008-2009 houve forte queda nesse indicador, que voltou a subir em 2010 e atingiu o pico de 0,941 em abril de 2012. A partir de então, lentamente, a pressão salarial apresenta tendência de queda e já está ligeiramente menor do que a média do período 2006-2014, indicando que o mercado de trabalho está num período menos apertado. Em outubro/2014, a pressão salarial foi de 0,912. Ou seja, o salário médio dos admitidos foi 8,8% menor do que o dos desligados no 10º mês de 2014.

Pressão salarial segundo os setores de atividade econômica

Na comparação por setores, as menores pressões ficaram, em geral, na Indústria. Além disso, Indústria, Construção Civil, Administração Pública, Comércio e Serviços registraram pressões menores do que a média observada desde 2006. Apenas nos Serviços Industriais de Utilidade Pública e na Agropecuária a pressão salarial de outubro foi maior do que a média dos últimos 8 anos. Curiosamente, esses dois setores registraram, respectivamente, a menor e a maior pressão salarial do último mês.

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